Empresariado vê vantagem de Flávio no 2º turno e cobra plano

Monday, 05 October 2026
Lideranças econômicas apontam exaustão do governo petista, mas cobram propostas claras de Flávio Bolsonaro e Lula para evitar recessão.
O resultado do primeiro turno das eleições de 2026 desenhou um cenário de consolidação da direita no Congresso Nacional e nos governos estaduais, colocando o senador Flávio Bolsonaro (PL) em posição de vantagem na corrida presidencial contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No entanto, apesar de encarar o favoritismo do parlamentar no segundo turno — marcado para 25 de outubro —, o setor empresarial brasileiro demonstra apreensão com a ausência de um debate econômico aprofundado por parte dos candidatos.
Para o empresariado, a performance de Flávio Bolsonaro reflete o distanciamento do atual governo dos grupos que compuseram a frente ampla em 2022. Lideranças do setor produtivo apontam que a gestão petista priorizou sua base ideológica e ignorou interlocutores do segmento liberal-social, resultando na dispersão desses apoios ao longo do mandato.
Alertas sobre recessão e endividamento
Apesar do tom favorável à mudança política, executivos e investidores destacam riscos relevantes para o cenário macroeconômico a partir de 2027. O endividamento das famílias brasileiras e os índices elevados de empresas em recuperação judicial ou extrajudicial surgem como alertas prioritários para o mercado.
Lideranças empresariais ressaltam que, independentemente do vencedor da disputa presidencial, o país corre o risco de enfrentar uma recessão severa — comparável à observada no período pós-governo Dilma Rousseff —, caso metas claras para a responsabilidade fiscal e a redução da inflação não sejam formalizadas durante a campanha.
Relação com o Congresso e o Judiciário
O pleito de 4 de outubro também evidenciou um forte descontentamento do eleitorado com a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF). Avaliações do mercado financeiro indicam que as urnas deram um recado direto sobre a necessidade de reorganização do equilíbrio entre os Poderes.
Embora o setor empresarial afaste a probabilidade de uma ruptura institucional em caso de vitória da oposição, há incertezas sobre a articulação entre as alas de direita e centro-direita no Senado Federal. Além disso, executivos do setor industrial expressam preocupação com o direcionamento das políticas para educação, saúde e relações exteriores, citando o impacto comercial de eventuais desgastes no relacionamento com a China, principal parceira econômica do Brasil.