Projeção aponta desaceleração no crescimento do PIB em 2026

Wednesday, 07 October 2026
Relatório mostra alta de 2,1% para o Brasil, ficando abaixo da média da América Latina; juros altos e incerteza econômica pesam no cenário.
O Banco Mundial revisou as estimativas de desempenho econômico e projetou que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil deve registrar uma expansão de 2,1% em 2026. O índice coloca o país em um ritmo de desaceleração, ficando abaixo da média prevista para a América Latina e o Caribe, estimada em 2,2% para o mesmo período — patamar também inferior aos 2,4% contabilizados em 2025.
Para a economia catarinense e o forte polo industrial e exportador de Blumenau e do Vale do Itajaí, os desdobramentos desse cenário nacional exigem atenção redobrada do setor produtivo. A desaceleração reflete condicionantes macroeconômicos que afetam diretamente o crédito, a produção e a capacidade de investimento das empresas em todo o território nacional.
Fatores que travam o avanço das maiores economias
Segundo o relatório da instituição internacional, divulgado na terça-feira (6), a perda de fôlego não é exclusiva do mercado brasileiro. O México, que ao lado do Brasil forma o grupo das duas maiores economias da América Latina, também apresenta projeções de crescimento iguais ou inferiores à média da região.
Entre os principais entraves apontados pelo órgão financeiro global para o desempenho de ambas as nações estão:
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Juros elevados: mantidos em patamares altos pelas autoridades monetárias para conter a inflação;
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Incertezas políticas e econômicas: fatores que geram cautela no ambiente de negócios;
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Investimentos públicos fracos: redução no aporte de capital para infraestrutura e fomento.
A vice-presidente do Banco Mundial para a América Latina e o Caribe, Susana Cordeiro Guerra, enfatizou que a região possui margem para alcançar patamares mais expressivos. "Os países que mantiveram estruturas macroeconômicas sólidas, fortaleceram suas instituições e impulsionaram reformas estão demonstrando que é possível alcançar um crescimento mais forte", ressaltou a executiva.
Destaques regionais e o cenário vizinho
Em contraste com a desaceleração das grandes potências latino-americanas, o estudo destaca nações que vêm registrando avanço acelerado. O Paraguai lidera as projeções com previsão de alta de 4,7% no PIB para 2026, seguido por El Salvador, com 4,5%. De acordo com a análise do Banco Mundial, esses países têm sido favorecidos por melhorias nos índices de segurança pública e políticas rigorosas de controle de gastos públicos, fatores que estimulam a atração de capital privado.
Já a Argentina tem previsão de expansão de 2,1% em 2026. Embora o número represente uma desaceleração em relação aos 4,5% apurados em 2025, o país vizinho caminha para consolidar três anos consecutivos de crescimento entre 2025 e 2027 — feito inédito em quase duas décadas. A instituição atribui essa sequência ao ajuste das contas públicas, reformas tributárias e maior abertura comercial.
Riscos climáticos, conflitos externos e inflação
A divulgação das estimativas ocorre uma semana antes da reunião semestral da entidade. O Banco Mundial alertou que o ritmo modesto de crescimento regional traz impactos diretos no desenvolvimento social, dificultando avanços no combate à pobreza e na redução da informalidade no mercado de trabalho.
Além disso, o relatório elenca fatores externos e ambientais como riscos iminentes para a estabilidade econômica:
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Impactos do El Niño: o fenômeno climático pode prejudicar a atividade econômica por meio de secas rigorosas — que afetam a agricultura e a geração de energia hidrelétrica — ou por períodos de chuvas excessivas.
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Pressão nos preços de energia: a oscilação nas cotações de combustíveis e insumos energéticos permanece como uma ameaça inflacionária. A escalada dos conflitos no Oriente Médio, com desdobramentos na guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã iniciada no fim de fevereiro, elevou os preços de energia no mercado global.
Caso os custos energéticos permaneçam pressionados, os bancos centrais poderão ser forçados a prolongar o ciclo de juros altos por mais tempo, impactando as condições de financiamento para indústrias, comércios e consumidores finais.