Propostas de Flávio Bolsonaro e Lula para a economia

Propostas de Flávio Bolsonaro e Lula para a economia
Foto: Divulgação

Friday, 09 October 2026

Disputa de segundo turno confronta dois modelos econômicos com reflexos diretos no setor produtivo, nos empregos e nos impostos do Vale do Itajaí.

Após o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais, o cenário econômico do Brasil coloca frente a frente dois projetos antagónicos para a condução das contas públicas, do mercado de trabalho e do desenvolvimento industrial. Com a disputa confirmada entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), empresários, trabalhadores e investidores de Blumenau e de Santa Catarina acompanham com atenção as diretrizes traçadas por ambas as candidaturas.

As diretrizes econômicas apresentadas ao Tribunal Superior Eleitoral revelam divergências sobre a atuação do Estado, a gestão fiscal e o estímulo ao setor privado. Abaixo, detalhamos os sete eixos centrais dos programas apresentados pelos dois concorrentes ao Palácio do Planalto.

1. Gestão das contas públicas e responsabilidade fiscal

  • Luiz Inácio Lula da Silva (PT): A proposta mantém as regras do arcabouço fiscal, visando o controle de despesas primárias e a eficiência orçamentária para permitir a queda gradativa dos juros de forma sustentável. O programa não estipula metas numéricas específicas para a dívida pública, trajetórias da taxa Selic ou cronogramas para o resultado primário.

  • Flávio Bolsonaro (PL): Propõe a substituição do modelo fiscal vigente por uma nova regra orientada ao superávit primário e à contenção da dívida em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). O plano cita o "tesouraço", caracterizado pela eliminação de no mínimo dez ministérios, redução de cargos comissionados, corte de despesas administrativas e reforma administrativa, sem discriminar nominalmente as pastas afetadas.

2. Mercado de trabalho e regras trabalhistas

  • Luiz Inácio Lula da Silva (PT): Defende o fim da jornada de trabalho no formato 6x1, com redução do limite semanal para 40 horas sem corte salarial. Prevê a continuidade do reajuste do salário mínimo acima da inflação, regulamentação do trabalho por aplicativos e o combate às contratações consideradas fraudulentas sob o regime de pessoa jurídica (PJ).

  • Flávio Bolsonaro (PL): Foca na redução dos encargos sobre a folha de pagamento por meio de modalidades contratualizadas flexíveis. Sugere novos formatos de contratação para jovens entre 18 e 24 anos e pessoas com 50 anos ou mais desempregadas há mais de 12 meses. Defende ainda negociações diretas entre empregados e patronato e a criação de um banco nacional de vagas.

3. Indústria, crédito e ambiente de negócios

  • Luiz Inácio Lula da Silva (PT): Propõe o fortalecimento da Nova Indústria Brasil (NIB), priorizando inovação, inteligência artificial e o adensamento tecnológico de cadeias produtivas, como o beneficiamento de minerais críticos e terras raras. No âmbito financeiro, prevê a ampliação do mercado de capital, debêntures de infraestrutura e o reforço de fundos garantidores para micro e pequenas empresas.

  • Flávio Bolsonaro (PL): Aponta a meta de crescimento econômico de 4% ao ano na próxima década, baseada na atração de capitais privados. Defende a revisão da reforma tributária sobre o consumo para reduzir a alíquota do Imposto sobre Valor Agregado (IVA), cortar exceções e desonerar investimentos e exportações, sem detalhar os mecanismos de compensação arrecadatória.

4. Infraestrutura e logística nacional

  • Luiz Inácio Lula da Silva (PT): Aposta na expansão do Novo PAC com recursos públicos e parcerias para obras em rodovias, ferrovias, hidrovias e portos, priorizando a integração logística e projetos com foco em descarbonização.

  • Flávio Bolsonaro (PL): Estabelece a meta de R$ 900 bilhões em investimentos na infraestrutura em quatro anos por meio de concessões e parcerias público-privadas (PPPs). O programa lista projetos como a Ferrogrão, trechos da Transnordestina, malhas ferroviárias regionais e propõe um fundo estruturado na securitização de imóveis da União.

5. Papel do Estado, privatizações e estatais

  • Luiz Inácio Lula da Silva (PT): Atribui papel central ao Estado como indutor do desenvolvimento, utilizando bancos públicos, financiamentos direcionados e empresas estatais no apoio à produção nacional.

  • Flávio Bolsonaro (PL): Propõe a retomada do Programa Nacional de Desestatização mediante análise técnica de ativos dispensáveis. Defende o endurecimento da Lei das Estatais, contratação profissionalizada para cargos diretivos nas estatais, proteção dos fundos de pensão contra ingerência política e o uso da Caixa Econômica Federal focado em microcrédito e habitação.

6. Agricultura, transição energética e meio ambiente

  • Luiz Inácio Lula da Silva (PT): Foca no fortalecimento do Plano Safra da Agricultura Familiar, incentivo à produção de fertilizantes no país para mitigar a dependência externa e ampliação de biocombustíveis (etanol, biodiesel, SAF e biogás). Na pauta ambiental, prioriza a regulamentação do mercado de carbono.

  • Flávio Bolsonaro (PL): Propõe a redução da carga tributária sobre energia elétrica e combustíveis, a revisão e redução gradativa dos subsídios que compõem a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) e a manutenção da tarifa social de energia para a população de baixa renda.

7. Síntese dos eixos de governo

  • Sua convergência: Ambos os programas elencam a expansão do investimento em infraestrutura e o crescimento do PIB como prioridades para o país.

  • Sua divergência: Enquanto a candidatura de Lula estrutura o crescimento em investimentos públicos, na consolidação do arcabouço e no fortalecimento do poder de compra dos trabalhadores, a proposta de Flávio Bolsonaro fundamenta a estratégia no enxugamento da máquina estatal, desregulamentação trabalhista e atração de investimento privado.


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Redação

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