Como o comércio se prepara para a Black Friday

Wednesday, 14 October 2026
Com juros altos e frete caro, lojistas do Médio Vale antecipam compras e focam em crédito facilitado para garantir margem e atrair o consumidor da região.
O encerramento do terceiro trimestre marca o início do período mais crucial de abastecimento e logística para o comércio de Blumenau e região. Diante de um cenário econômico desafiador — caracterizado por juros elevados, custo de crédito restritivo e variações nos valores de frete internacional —, as empresas que abastecem o mercado local estão ajustando calendários e antecipando pedidos com fornecedores para mitigar rupturas de estoque e proteger a margem financeira na Black Friday 2026 e nas festas de fim de ano.
De acordo com Juliana Franco, professora de Economia na EAD UniCesumar, a data promocional deve encontrar um perfil de consumidor com estabilidade no emprego e na renda real, porém consideravelmente cauteloso.
"A Black Friday deve encontrar um consumidor com renda e emprego relativamente favoráveis, mas bastante cauteloso por causa dos juros elevados. Será menos uma disputa por quem dá o maior desconto e mais por quem oferece o melhor valor percebido: preço, conveniência e condições de pagamento", pontua a especialista.
Renda comprometida e a força do crédito facilitado
Apesar dos indicadores apontarem manutenção do emprego e incremento na renda média no cenário nacional nos últimos três meses, o custo do dinheiro e os compromissos financeiros acumulados limitam o orçamento livre das famílias. Para as vitrines de Blumenau — do Centro Histórico e grandes shoppings aos centros de bairros como Itoupava Norte e Garcia —, a seletividade do público exige estratégias focadas em facilidades de parcelamento e real valor agregado.
“O varejista precisa entender que o limite do consumidor não é apenas sua renda, mas a disponibilidade dela após as despesas e compromissos financeiros. Por isso, condições de pagamento podem ser quase tão importantes quanto o desconto. Em determinados segmentos, uma condição de parcelamento adequada pode converter mais vendas do que o aumento do percentual de benefícios. Não basta olhar apenas o faturamento nominal, é preciso mensurar o crescimento real descontando a variação de preços e a quantidade de itens vendidos”, complementa Juliana Franco.
Consumidor digital e a antecipação das compras de Natal
O comportamento do consumidor reforça a migração para a pesquisa prévia. Um levantamento da Cielo referente ao ano de 2025 registrou crescimento de 8,8% nas vendas online da categoria de bens duráveis na data. Para o evento deste ano, dados da Serasa Experian revelam que aproximadamente 23,5 milhões de brasileiros demonstram afinidade com a promoção, dos quais 86,4% realizam compras rotineiramente pelo ambiente virtual.
A utilização ostensiva de ferramentas comparadoras de preço e o monitoramento do histórico de valores diminuem a margem para compras por impulso no varejo. Além disso, muitos consumidores aproveitam as oportunidades promocionais de novembro para antecipar presentes natalinos, aliviando o orçamento de dezembro diante da taxa de juros atual.
“Hoje, temos um perfil de consumidor mais digital, informado e planejado. Ele usa comparadores de preços, monitora o histórico do valor dos produtos e evita compras por impulso. Quando encontra uma promoção real e uma condição de pagamento adequada, esse cliente aproveita para antecipar as compras de datas comemorativas ainda em novembro, aliviando o orçamento de dezembro diante do custo do crédito atual”, explica a economista.
Logística e gestão do ciclo de suprimentos no Vale do Itajaí
As incertezas no modal de transporte global e a prioridade em evitar gôndolas e prateleiras vazias exigem cronogramas logísticos rígidos. A cadeia de suprimentos opera em janelas diferenciadas dependendo da origem dos insumos e produtos:
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Fornecedores nacionais: Exigem um ciclo de pedidos com antecedência de 45 a 60 dias para garantir capacidade de produção e reposição.
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Produtos importados: Apresentam prazos de execução e resposta que variam entre 90 e 120 dias, impactados diretamente pelo tempo de trânsito e custos do frete marítimo e aéreo.
"Não existe um prazo único porque depende do setor e da origem do produto, mas agora já deve ser considerado um período de execução. Além do preço, é fundamental negociar prazos de pagamento e entregas escalonadas para alinhar o custo do estoque ao ciclo financeiro da empresa", orienta Franco.
Mitigação de riscos: método ABC e proteção de margens
Para resguardar a saúde financeira dos estabelecimentos e combater falhas como encalhe de estoque, falta de itens essenciais na gôndola ou distorções no mix de mercadorias, a orientação técnica inclui:
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Aplicação do método ABC para classificação e priorização de itens no estoque.
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Elaboração de três cenários de projeção de demanda: conservador, base e otimista.
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Cálculo rigoroso do preço promocional, cobrindo a totalidade dos custos operacionais e tributários.
“Antes de anunciar qualquer desconto, o varejista precisa fazer a conta completa. O Preço Promocional só deve ser definido depois de descontar do valor do produto tudo o que ele custa de fato: o valor pago ao fornecedor, os impostos, as comissões, as taxas do cartão ou do marketplace e o frete grátis. Só assim a empresa garante que a promoção traga vendas sem destruir a margem do negócio”, conclui a especialista da UniCesumar.