Fim da escala 6x1: Senado aprova proposta e medida gera debate

Fim da escala 6x1: Senado aprova proposta e medida gera debate
Foto: Divulgação

Friday, 16 October 2026

Decisão reduz a jornada semanal para 40 horas sem corte salarial; liderança empresarial do comércio blumenauense manifesta preocupação com custos e inflação.

O Senado Federal aprovou em dois turnos a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que decreta o fim da escala de trabalho 6x1 e reduz a jornada semanal máxima de 44 para 40 horas no país. A votação expressiva, com 75 votos favoráveis e apenas um contrário em cada turno, envia o texto para promulgação. Enquanto trabalhadores comemoram a garantia constitucional de dois dias de repouso semanal — preferencialmente aos domingos —, o setor produtivo e entidades empresariais de Blumenau e da região do Vale do Itajaí acendem o sinal de alerta para os reflexos operacionais, contábeis e financeiros da mudança.

A matéria estabelece que o limite diário de trabalho será de até oito horas, mantendo a possibilidade de compensação de horários e de reduções adicionais mediante convenção ou acordo coletivo. A transição de parte das novas exigências ocorrerá de forma gradual, conforme prevê o texto originado pela autoria do deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG) e relatado no Senado pelo senador Omar Aziz (PSD-AM).

A aprovação no Plenário encerrou um trâmite marcado por intensos debates entre parlamentares, que abordaram desde a saúde mental e o bem-estar familiar das equipes até as contrapartidas necessárias para a manutenção dos postos de trabalho.

Impactos no comércio de Blumenau e apreensão empresarial

Na esfera local, a decisão repercute diretamente nas rotinas de comércios, prestadores de serviços e indústrias da cidade. Para os setores que operam de forma contínua ou aos fins de semana, a adequação exigirá uma reorganização escalonada de equipes e revisão nos quadros funcionais.

O presidente do Sindilojas Blumenau, Emílio Rossmark Schramm, expressou forte preocupação com a celeridade do processo de votação no Congresso e os impactos diretos nos estabelecimentos da região.

"Estou muito preocupado com o açodamento na votação do fim da escala 6x1. Como dirigente sindical patronal, mais ainda. Tenho certeza de que teremos aumento de custos nas nossas empresas, o que vai forçar o reajuste de produtos e serviços aos consumidores", avalia Schramm.

O dirigente patronal ressalta que o aumento das despesas operacionais pode desencadear pressões inflacionárias, elevando a taxa de juros futura e prejudicando tanto os negócios quanto os próprios trabalhadores. Schramm pontua, no entanto, a legitimidade da demanda social, destacando a necessidade de um diálogo equilibrado:

"Ao mesmo tempo, temos a obrigação de pensar em nossos colaboradores, que anseiam por essa medida. Ninguém quer impedir uma conquista tão importante para o setor laboral. O que queremos e precisamos é discutir como fazer para que ambos os setores possam amenizar os efeitos, de forma que sejam aceitáveis em termos de custos. Como tornar essa importante conquista social viável sem afetar nossas empresas, principalmente as micro, pequenas e médias? Com uma discussão mais profunda e mais transparente. Às vésperas de uma eleição, este é o pior momento para isso. A pressa, agora, não é prudente."

Articulações no Congresso e o debate sobre flexibilização

Durante a apreciação no Plenário do Senado, que se estendeu por mais de cinco horas, diversos parlamentares levantaram a necessidade de aprovação de medidas complementares. Propostas voltadas à jornada flexível com remuneração proporcional às horas trabalhadas, além de incentivos ou contrapartidas a empregadores, foram sugeridas como alternativas para mitigar o impacto econômico sobre as empresas.

Houve ainda a apresentação de uma emenda pelo senador Oriovisto Guimarães (PSDB-PR) para explicitar que jornadas atualmente inferiores a 40 horas não teriam redução automática. Contudo, após indicação do relator de que a alteração de mérito exigiria o retorno da proposta à Câmara dos Deputados, o destaque foi retirado.

Paralelamente, parlamentares governistas e da oposição debatem o curso da PEC 12/2026, apresentada pelo senador Rogerio Marinho (PL-RN), que propõe um regime flexível pautado na remuneração por hora trabalhada. O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), defendeu o arquivamento dessa matéria para preservar a essência da PEC 221/2019 promulgada.

Desafios operacionais e a rotina contábil

Para os departamentos de recursos humanos, escritórios de contabilidade e profissionais do setor em Blumenau, a promulgação da PEC dará início a uma fase de intensa adequação técnica. A classe contábil precisará acompanhar atentamente os desdobramentos e eventuais regulamentações específicas sobre a norma.

Entre as principais demandas operacionais previstas para os escritórios locais estão:

  • Revisão de contratos de trabalho e escalas: Adaptação das jornadas vigentes às novas limitações legais sem redução dos vencimentos salariais.

  • Atualização de sistemas de ponto e folha: Ajuste nos softwares de controle de frequência, procedimentos de cálculo de horas extras e adicionais.

  • Acompanhamento de normas setoriais: Análise de convenções e acordos coletivos específicos para validar o enquadramento de cada categoria profissional antes da tomada de decisões definitivas.

Especialistas orientam que empresas e gestores aguardem a publicação oficial do texto promulgado e as diretrizes definitivas dos órgãos competentes antes de alterar rotinas contratuais, assegurando total conformidade jurídica durante o período de transição.


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Redação

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