Tarifaço faz SC e Vale perderem R$ 3,9 bi em exportações

Tuesday, 20 October 2026
Levantamento da CNM revela retração de 33,3% no envio de produtos catarinenses ao mercado americano; setor de madeira e cidades do Vale do Itajaí sentem o impacto direto das sobretaxas.
As barreiras alfandegárias impostas pelo governo de Donald Trump aos produtos brasileiros provocaram um prejuízo expressivo na balança comercial de Santa Catarina. Entre agosto de 2025 e julho de 2026, as exportações catarinenses para os Estados Unidos despencaram de US$ 1,75 bilhão para US$ 1,17 bilhão — uma retração de 33,3% no período de apenas 12 meses. O impacto financeiro atinge a marca de US$ 586,1 milhões, o equivalente a R$ 3,91 bilhões em valores atualizados.
Os dados fazem parte de um estudo inédito divulgado nesta segunda-feira (19) pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM), que cruzou registros do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Impacto nas cidades do Vale do Itajaí e de Santa Catarina
A força exportadora do Vale do Itajaí e das demais regiões produtoras do estado sentiu o baque direto da medida protecionista norte-americana. De acordo com o levantamento da CNM, 156 dos 295 municípios catarinenses mantêm operações de venda direta para o mercado dos EUA. Deste total, sete em cada dez cidades registraram queda expressiva no faturamento com as exportações no último ano.
Em termos nacionais, 1.643 municípios brasileiros possuem relação comercial com os EUA. Desde o anúncio do primeiro tarifaço, 1.135 cidades brasileiras enfrentaram perdas e 271 viram suas vendas ao mercado americano zerarem por completo — uma perda direta de R$ 588 milhões para esses municípios que ficaram sem compradores.
Setor madeireiro é o mais atingido no estado
No ecossistema industrial de Santa Catarina, a cadeia da madeira e da silvicultura — com forte presença no Vale e no Planalto do estado — foi a mais penalizada pelas alíquotas adicionais. O segmento figura entre os cinco mais afetados pelas sobretaxas em todo o Brasil.
A quantidade de produtos de madeira embarcados para os norte-americanos caiu 64% na janela de 12 meses analisada. O recuo representou um prejuízo acumulado de R$ 1,43 bilhão apenas para esta atividade econômica em solo catarinense.
Prejuízo nacional atinge R$ 66,8 bilhões
No cenário nacional, o tarifaço causou uma retração de R$ 66,8 bilhões na economia brasileira. As cadeias produtivas que registraram as maiores quedas foram as de:
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Petróleo e derivados;
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Café;
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Suco de laranja;
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Ferro-gusa;
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Silvicultura e madeira.
O estudo indica ainda um gargalo para o mercado globalizador: 58% das cidades brasileiras afetadas não conseguiram redirecionar seus produtos ou compensar a perda do mercado consumidor americano com novos parceiros internacionais.
Com a retração, os envios de produtos brasileiros para os EUA caíram de US$ 41,5 bilhões para US$ 34,8 bilhões no período de um ano, atingindo o menor patamar de exportações para o país norte-americano desde 2021. A fatia dos EUA na pauta exportadora do Brasil encolheu de 12,3% para 9,4%.
Metodologia do cálculo
Para mensurar as perdas em moeda nacional, a CNM utilizou a taxa de câmbio média mensal do dólar entre 2024 e 2026, com dados extraídos do IpeaData.
O levantamento ressalta ainda o peso das oscilações cambiais no resultado final: em momentos em que a taxa de câmbio variou de R$ 5,78 para R$ 5,03 (como registrado em meses de abril), a própria apreciação do real em relação ao dólar reduziu a receita nominal obtida pelas empresas exportadoras. A entidade calcula que a variação das taxas de câmbio, isoladamente, respondeu por uma perda de R$ 12 bilhões no montante geral analisado.