Com dívida de R$ 827 milhões, Ri Happy pede recuperação extrajudicial

Com dívida de R$ 827 milhões, Ri Happy pede recuperação extrajudicial
Foto: Divulgação

Tuesday, 20 October 2026

Gigante do setor de brinquedos, com forte atuação no varejo de Blumenau e região, busca reestruturar passivo após troca de controle acionário.

O cenário desafiador do comércio varejista nacional volta a impactar as grandes redes com presença marcante no Vale do Itajaí. A Ri Happy, uma das principais redes do segmento de brinquedos no país — e com atuação expressiva no atendimento às famílias de Blumenau e municípios vizinhos —, deu início a um processo de recuperação extrajudicial para renegociar uma dívida acumulada de R$ 827,4 milhões.

O pedido oficial veio à tona nesta segunda-feira e faz parte do plano de reorganização financeira e operacional da companhia. Entre os fatores apontados pela diretoria para justificar o elevado endividamento estão a persistência das altas taxas de juros, a retração do poder de compra dos consumidores com a queda nas vendas, a acirrada concorrência com grandes plataformas de e-commerce estrangeiras e os reflexos econômicos remanescentes do período da pandemia de Covid-19.

A movimentação ocorre menos de dois meses após uma importante alteração societária no comando do negócio. No final do mês de agosto, a gestora BluSun Capital Partners assumiu 100% das operações do Grupo Ri Happy, responsável tanto pela marca homônima quanto pelas lojas da bandeira PB Kids. Ao todo, a estrutura corporativa abrange cerca de 300 unidades físicas espalhadas pelo território nacional e emprega mais de 2,6 mil colaboradores.

Diferente do mecanismo de recuperação judicial — modelo que exige a nomeação de um administrador judicial indicado pela Justiça para conduzir o processo —, a modalidade extrajudicial permite que a própria empresa estabeleça negociações diretas com seus credores para repactuar prazos, descontos e condições de pagamento do passivo acumulado.

A crise enfrentada pelo grupo não é um fato isolado no ecossistema de marcas voltadas ao público infantil comercializadas nas prateleiras catarinenses. O setor industrial e varejista de brinquedos atravessa um momento de readequação em todo o país. Como exemplo do momento sensível da cadeia, no mês de maio a fabricante Estrela — marca tradicional responsável por jogos e produtos célebres como o Banco Imobiliário e a boneca Susi — também ingressou com pedido de recuperação judicial para reestruturar débitos avaliados em R$ 109,1 milhões.

A reestruturação do Grupo Ri Happy segue em acompanhamento pelo mercado corporativo, enquanto a nova gestão busca reequilibrar as contas e assegurar a continuidade da operação nas lojas físicas e canais digitais.


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Redação

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