Empresários preveem forte queda da Bolsa

Monday, 26 October 2026
Mercado financeiro e setor produtivo exigem definições rápidas na equipe econômica e controle de gastos públicos para evitar cenário de recessão.
A confirmação do resultado das urnas, que consolidou a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre Flávio Bolsonaro, trouxe um duplo sentimento ao setor produtivo e ao mercado financeiro. Por um lado, lideranças empresariais e executivos destacam a redução de incertezas institucionais e ambientais; por outro, acendem o alerta vermelho para os rumos das contas públicas e cobram urgência em acenos claros de responsabilidade fiscal.
A apreensão imediata reflete-se na expectativa dos investidores sobre o comportamento dos ativos financeiros no início desta semana, puxada pelo forte recuo de 19,6% registrado na noite de domingo pelo EWZ (fundo negociado na Bolsa de Nova York que reúne as principais companhias brasileiras). A reação inicial projeta volatilidade no câmbio e queda no índice acionário, pressionando Brasília a emitir sinais concretos ao mercado.
"Em momentos de crise, a reação precisa ser pragmática. A possibilidade de uma recessão nos próximos meses existe se as causas do desequilíbrio fiscal não forem atacadas com responsabilidade."
— Luiz Fernando Figueiredo, ex-diretor do Banco Central
Redução de riscos institucionais e valorização da governança
Apesar dos temores macroeconômicos, parcela significativa do empresariado avaliou como positiva a preservação do ambiente democrático e a estabilidade das instituições. Para executivos e consultores industriais, o desfecho eleitoral afasta ruídos na imagem do país e abre margem para avanços em pautas estratégicas, como educação, sustentabilidade e relações exteriores.
Lideranças do setor financeiro e industrial destacaram que o funcionamento regular das instituições é pré-requisito para o planejamento de longo prazo das empresas. A avaliação é que a manutenção das regras do jogo reduz o risco de isolamento diplomático e beneficia setores produtivos integrados às cadeias globais de valor.
Apelo por rigor nas contas públicas e equipe econômica com credibilidade
O ponto central de cobrança do setor privado incide sobre a escolha dos nomes que comandarão a política econômica. A indicação de um ministro da Fazenda comprometido com o equilíbrio orçamentário é vista como o teste decisivo para restaurar a confiança dos investidores e frear a trajetória de alta da dívida pública, que saltou do patamar próximo de 72,9% do PIB no início da gestão atual para estimadas projeções na casa dos 82,8%.
Economistas e gestores apontam que a definição rápida de nomes técnicos com trânsito junto aos mercados e a construção de pontes com um Congresso Nacional de perfil conservador serão determinantes para:
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Contenção da inflação e dos juros: Impedir uma espiral de alta nas taxas que encareça o crédito para consumidores e indústrias.
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Estabilidade cambial: Mitigar a fuga de capital estrangeiro e controlar os custos de insumos importados para a cadeia fabril.
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Governança parlamentar: Viabilizar reformas e ajustes necessários mediante articulação de conciliação nacional com a Câmara e o Senado.
Para a indústria, o comércio e o setor de serviços — pilares centrais do desenvolvimento catarinense —, a sinalização do Governo Federal em relação aos gastos públicos ditará o ritmo dos investimentos privados, da geração de empregos e da rentabilidade dos negócios nos próximos anos.