Entenda a proposta de André Lara Resende para a Economia

Entenda a proposta de André Lara Resende para a Economia
Foto: Reprodução

Tuesday, 03 November 2026

Medida do economista do Plano Real prevê Selic em 7,5% e conselho para metas do BC, gerando alertas no mercado financeiro.

Com a repercussão de que o economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, pode apresentar suas teses ao governo federal, empresários e investidores de Blumenau e do Vale do Itajaí acompanham com atenção os desdobramentos de uma proposta que promete alterar a dinâmica da taxa de juros e da gestão fiscal no país. Em debate analisado pela âncora Thais Herédia e pela analista de economia Lucinda Pinto no programa Hora H, da CNN Brasil, foram detalhados os pilares do plano e as sérias divergências levantadas por especialistas do setor.

O ponto central da proposta de Lara Resende é a redução drástica da taxa Selic de 13,75% para 7,5% ao ano no prazo de 12 meses, estabelecendo posteriormente uma faixa fixada entre 3,5% e 5,5%. A tese sustenta que a elevada conta de juros é a grande responsável pela expansão da dívida pública e que a intervenção geraria uma economia de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) ao ano, reduzindo o déficit total de 9% para 6% do PIB. Contudo, essa estimativa de alívio fiscal é vista por diversos economistas do mercado como uma meta utópica.

Conselho para o Banco Central e o alerta da experiência internacional

Outra medida polêmica é a criação de um conselho fiscal e monetário com poderes para definir as metas do Banco Central. Segundo a análise apresentada, essa transferência de atribuição esvaziaria a autonomia da instituição em adotar medidas impopulares, porém necessárias para garantir o controle da inflação.

Como alerta sobre os riscos da interferência política nas decisões monetárias, foi recordado o exemplo recente da Turquia, onde a flexibilização artificial de juros resultou em uma disparada inflacionária para 85% ao ano e na elevação das taxas para 50%.

Propostas de Lara Resende vs. Alertas dos Analistas:

• Juros Selic: Proposta de corte para 7,5% em um ano.
  -> Alerta: Risco de aceleração inflacionária e descontrole de preços.
• Autonomia do BC: Criação de conselho externo de metas.
  -> Alerta: Perda de liberdade técnica e histórico negativo (ex: Turquia).
• Reservas cambiais: Uso dos US$ 360 bi contra alta do dólar.
  -> Alerta: Risco de esgotamento rápido e fuga acelerada de capital.

Reservas internacionais e o risco de aceleração da inflação

A estratégia proposta também sugere o uso das reservas internacionais do Brasil, atualmente em cerca de US$ 360 bilhões, para conter a valorização do dólar em episódios de fuga de capitais. Analistas reforçam que a tentativa de usar reservas para segurar a saída de capital estrangeiro costuma surtir o efeito inverso, acelerando a debandada de investidores e podendo esgotar o montante em poucos dias.

Além disso, as reservas representam dívida pública emitida pelo governo, de modo que utilizá-las para conter a aversão à própria dívida apresenta uma fragilidade lógica. Outro ponto crítico levantado refere-se à possibilidade de o ajuste fiscal ocorrer por meio da própria inflação. Ao citar estudos do economista John Cochrane, apontou-se que a perda de valor da moeda reduz nominalmente o peso dos gastos públicos, mas penaliza diretamente o poder de compra da população.

Foco na arrecadação versus controle de despesas obrigatórias

Endossada pelo coordenador do programa de governo, Sérgio Gabrielli, a discussão ganhou novos contornos com sugestões voltadas ao aumento de receita, como o combate à sonegação fiscal e o corte de incentivos tributários. No entanto, analistas ponderam que essas soluções ignoram o centro do problema: a trajetória de crescimento das despesas obrigatórias.

Conforme citou a análise do economista Samuel Pessôa (FGV), os gastos obrigatórios do governo têm crescido, já descontada a inflação, entre o dobro e o triplo da expansão do PIB. Para economistas moderados, qualquer tentativa de estabilidade duradoura exige reformas estruturais no controle dessas despesas, como a revisão das regras de acesso a benefícios sociais, evitando que o custo final da incerteza fiscal recaia sobre a taxa de inflação e o orçamento do consumidor.


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Redacao Blu

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