Cautela reduz intenção de compra para a Black Friday de 78% para 62%

Cautela reduz intenção de compra para a Black Friday de 78% para 62%
Foto: Divulgação

Friday, 06 November 2026

Levantamento aponta alta no receio com fraudes digitais e maior rigor do público, com impacto direto no comércio do Sul e de Blumenau.

O consumidor brasileiro vai às compras com mais pé no freio nesta edição da Black Friday. A intenção de participar da data caiu de 78% para 62% em um ano, apontando um cenário de maior rigor no orçamento doméstico que reflete diretamente nas vitrines física e online de Blumenau e de toda a região Sul. Os dados fazem parte da nova edição do estudo Fiserv Insights.

Segundo a pesquisa, um em cada quatro consumidores ainda não decidiu se vai aproveitar as promoções, enquanto um em cada sete descarta completamente a participação — índice que triplicou em relação a 2025. O movimento sinaliza que a corrida por ofertas exigirá estratégias mais assertivas do varejo local para conquistar o público blumenauense.

Gastos contidos e incerteza no orçamento

No ano passado, a intenção de aumentar os valores investidos superava a vontade de cortar custos. Em 2026, o cenário se inverteu:

  • Redução de gastos: a fatia de consumidores que pretende gastar menos subiu para 29% (alta de sete pontos percentuais).

  • Aumento de compras: a parcela disposta a ampliar o orçamento caiu de 29% para 17%.

  • Decididos a comprar: mesmo entre quem já confirmou a participação, apenas 21,5% planejam gastar mais.

  • Indecisão financeira: o grupo de entrevistados que não sabe quanto vai investir saltou de 16% para 26%.

Para decidir a forma de pagamento, a preferência pelo parcelamento sem juros desponta como o principal critério para 21% dos consumidores em geral, chegando a 23,2% entre aqueles que pretendem ir às compras.

Mudanças nas categorias de produtos mais procurados

Embora sigam no topo da preferência nacional, os setores de eletrodomésticos, eletroportáteis, eletrônicos e informática registraram forte retração de interesse:

  • Eletrodomésticos e eletroportáteis: recuaram de 46% em 2025 para 36% em 2026.

  • Eletrônicos e informática: caíram de 43% para 33%.

  • Viagens e turismo: encolheram de 34% para 29%.

  • Casa e decoração: caíram de 29% para 24%.

Categorias como moda, beleza, supermercado e farmácia mantiveram a estabilidade no comparativo anual.

Comportamento regional coloca o Sul em postura conservadora

O interesse por ofertas varia significativamente dependendo da região do país. Enquanto o Norte lidera a disposição de compra com 69% dos consumidores interessados, seguido pelo Nordeste com 66%, o Sul registra o índice mais tímido do Brasil:

  • Norte: 69%

  • Nordeste: 66%

  • Centro-Oeste: 61%

  • Sudeste: 59,5%

  • Sul: 58%

No Norte, cerca de 40% dos moradores preferem concentrar as aquisições na data promocional, impulsionados por moda e acessórios (38%) e viagens e turismo (35%), contra cerca de um quarto nas demais regiões.

Medo de golpes digitais trava vendas e exige atenção dos compradores

A insegurança em relação a fraudes é outro fator determinante no recuo das vendas. De acordo com o "Raio-X da Black Friday", estudo da Serasa Experian, 86% dos consumidores afirmam que já desistiram de aproveitar uma promoção devido ao receio de golpes virtuais.

A dimensão do risco é confirmada pelo Mapa da Fraude da Serasa Experian. Durante os quatro dias da promoção no ano passado (entre 27 e 30 de novembro de 2025), o e-commerce brasileiro registrou 29.689 tentativas de fraude — média de 7.422 ocorrências diárias, ou 309 por hora. Caso não fossem bloqueadas, as fraudes representariam R$ 30,7 milhões em perdas.

O levantamento revela que a maior concentração criminosa ocorre na madrugada:

  • Horário crítico (0h às 5h): as tentativas de fraude variam acima de 0,6%, atingindo um pico próximo de 1,3%.

  • Restante do dia (5h às 23h): os registros permanecem sempre abaixo da marca de 0,6%.

  • Tíquete médio da fraude: atingiu R$ 1.034,77, valor 45,44% superior ao valor médio de pedidos legítimos.

Mesmo com a pressão do crime cibernético, o período consolidou sua relevância logística e comercial: a junção da Black Friday com a Cyber Monday (27 de novembro a 1º de dezembro de 2025) somou 4,9 milhões de pedidos e movimentou R$ 3,5 bilhões, registrando uma média de 1,13 milhão de pedidos diários — valor quase duas vezes superior à média observada em datas como Natal, Dia das Mães ou Dia das Crianças.


>> SOBRE O AUTOR

Redacao Blu

>> COMPARTILHE