Impasse no Sesi ameaça futuro do futebol em Blumenau

Friday, 13 March 2026
Com dívida de R$ 1 milhão e gramado em disputa, BEC e Metropolitano vivem clima de tensão antes da estreia na Série B.
A contagem regressiva para a Série B do Catarinense em Blumenau ganhou um capítulo de bastidores digno de clássico, mas fora das quatro linhas. O que deveria ser um compartilhamento harmonioso do Estádio do Sesi transformou-se em uma "queda de braço" financeira. De um lado, o Blumenau EC (BEC) exige ressarcimento pelos mais de R$ 1 milhão investidos em reformas; de outro, o Metropolitano contesta a cobrança de aluguel para atuar em um estádio que, legalmente, ainda pertence ao Estado.
A conta chegou para o patrimônio público A bomba estourou quando a diretoria da SAF do BEC apresentou notas que comprovam o investimento de R$ 1.081.741,78 na recuperação do Sesi, que estava abandonado desde 2019. Sem recursos para o pagamento imediato, a prefeitura de Blumenau firmou um Plano de Permissão de Uso com o BEC, reconhecendo a dívida. Na prática, isso deu ao clube o controle da gestão do espaço, gerando a revolta do rival Metropolitano, que agora se vê na posição de ter que pagar para jogar.
O nó do aluguel e as condições do gramado Em reunião no CT do Garcia, a proposta apresentada ao Metropolitano foi de R$ 15 mil por jogo (R$ 30 mil mensais), valor que o dirigente Lucas Zanotto considerou abusivo, lembrando que a Fiesc cobrava menos no passado. No entanto, o BEC justifica o valor com base nos custos de manutenção — que incluem desde a roçada do gramado até câmeras de alta tecnologia exigidas pela Polícia Militar.
Enquanto o BEC já enviou os laudos e o contrato de outorga para a Federação Catarinense de Futebol (FCF), o Metropolitano aparece na tabela sem estádio definido para sua estreia como mandante em 3 de maio. O impasse gera riscos reais de multas e a incerteza se o "Verdão do Vale" terá que buscar abrigo em outras cidades, como já ocorreu em anos anteriores.
Histórico de promessas e descumprimentos O clima azedou de vez devido a pendências do passado recente. Relatos indicam que o Metropolitano não teria dividido lucros de bar e rendas de clássicos anteriores, além de não ter auxiliado na mão de obra das reformas iniciais. Para o BEC, a conta atual é uma tentativa de sobrevivência diante de uma "bola de neve" de despesas fixas que superam os R$ 40 mil mensais para manter o complexo esportivo operacional.