MLS usa estratégia que Brasil tem refutado

Friday, 04 May 2018
Modo de promover futebol no Brasil precisa ser urgentemente revisto antes de sermos passados por rivais que, antes, tinham pouca relevancia
A MLS (Major League Soccer, ou, 'Liga de Futebol' dos Estados Unidos) tem um enorme desafio no mercado americano: se destacar entre outras quatro modalidades coletivas muito mais tradicionais do país. E, para criar um diferencial, a organização recorre a uma característica especial do futebol, que o Brasil insiste em deixar de lado.
No último fim de semana, o Los Angeles FC, time que estreou na MLS neste ano, enfrentou o Seattle Sounders em sua casa. Quem assistiu à partida, pôde ver uma enorme festa nas arquibancadas. Tem explicação: a MLS recorre a um jeito bem latino-americano para tornar o futebol especial.
Vários detalhes chamaram a atenção. O hino americano foi puxado pela própria torcida, de forma oficial. Na arquibancada atrás do gol, sem cadeiras, um bandeirão foi levantado com a frase “shoulder to shoulder”, em referência ao modo como a festa é feita em pé. O artefato ainda expunha o número “3252”, em referência ao número de lugares comportado na área. O estádio novo estava lotado, com mais de 20 mil pessoas. Sinalizadores também regeram a festa.
A MLS sabe muito bem que o modo de torcer no futebol é parte fundamental da identidade do esporte. O modo apaixonado de se expressar nas arquibancadas é o que torna a modalidade especial, diferente de qualquer outra.
Por isso, é surreal o modo como o Brasil força, em diversas frentes, a mudança no comportamento do torcedor. Torcida única e proibição de bandeiras, sinalizadores e instrumentos são modos de desconstruir o futebol. E, sem identidade, não há nada que o sustente; é uma sentença de morte. Indiretamente, os EUA mostram ao Brasil que o modo de promover o esporte mais popular do país precisa ser urgentemente revisto.