Eleições 2024: conheça Odair Tramontin

Monday, 15 July 2024
Pré-candidato à prefeitura de Blumenau, Tramontin fez uma longa carreira no Ministério Público e hoje desponta como um aposta proeminente pelo Partido Novo.
Odair Tramontin, nascido em 17 de janeiro de 1962, é filho de pequenos agricultores de Campo Erê (SC). Desde cedo estudou em escola pública e, por conta da escassez de pólos universitários na região, foi para Florianópolis atrás de seu sonho ser médico veterinário. Contudo, não encontrando tal curso na UFSC, seguiu sua outra vocação: o Direito.
Enquanto estudava, trabalhou como bancário e estagiou tanto em penitenciárias quanto em procuradorias, enfim, estabelecendo-se no Ministério Público. Foi quando chegou em nossa cidade. “Vim para Blumenau para ficar 30 dias... em 1989... lá se vão 35 anos e eu ainda estou aqui”, relembra.
Por mais de três décadas como promotor de Justiça e professor universitário na Furb, deu aula para alguns dos fundadores do partindo Novo, vindo a conhecer os valores da sigla e se identificando. Mesmo que jamais tivesse considerado – anteriormente – qualquer cargo eletivo, acabou aceitando ser candidato a prefeito em 2020 e por 1,2% ficou fora do segundo turno. Na época o comentário mais comum de ser ouvir era: “mais duas semanas de propaganda eleitoral e Tramontin venceria a disputa”.
A realidade é que o maior vencedor moral daquela pleito foi ele.
Com tamanho resultado – num cenário até antes entendido como impossível – o diretório estadual do Novo convidou-o para ser candidato a governador em 2022. Numa eleição polarizada, ele não logrou êxito, mas seus resultados foram suficientes para habilitá-lo como pré-candidato a prefeito de novo. Em definição à sua candidatura, ele afirma que foi “uma possibilidade inesperada” porque, sendo servidor público, sempre achou que o seu horizonte seria “servir através do Ministério Público” e que quando apareceu a oportunidade de se candidatar, ele conclui: “simplesmente aproveitei uma oportunidade e me identifiquei com ela”.
Com carinho, lembra que Blumenau é uma cidade muito bem posicionada no estado e a terceira maior de Santa Catarina (não só no tamanho, mas também em importâncias cultural, econômica), mas ressalta que não devemos ignorar suas complexidades. Como exemplo disso, cita questões como a geográfica e a ambiental, bem como a ocupação urbana desordenada. Lembra que, hoje, Blumenau tem cerca de 50% dos seus imóveis irregulares.
Como outro desafio que a cidade enfrenta, também cita a mobilidade urbana.
No entanto, apesar das adversidades, mostra-se otimista. “O lado que mais me motiva é que Blumenau é uma cidade, por excelência, empreendedora... está no DNA do blumenauense o empreendedorismo”, afirma, relembrando que, enquanto o Brasil ainda vivia o vergonhoso regime da Escravidão nosso povo criava empresas como a Karsten e Hering, gigantes de seus setores que muito orgulham a região até hoje.
Mais ponto positivo que ressalta é a solidariedade da nossa gente, que define como “inegavelmente contagiante”, revelando que – durante a campanha – deparou-se com a iniciativa privada encabeçando entidades com a finalidade de cuidar de crianças, dependentes químicos, idosos e pessoas em demais situação de fragilidade. “Porque são essas entidades que fazem com que o município tenha uma condição melhor de cuidar dos vulneráveis”, afirma.
Ele também ressalta que o Poder Público tem a obrigação de cuidar de pessoas em situações delicadas, pois as pessoas que têm autonomia independem esse apoio (pelo contrário, elas desejam a diminuição da máquina estatal). “Mas o Poder Público existe justamente para estabelecer esse equilíbrio nas diferenças que a sociedade tem”, aponta.
Ao ser indagado sobre as mudanças que percebe em si hoje quando se compara ao Odair Tramontin candidato de 2020, ele respondeu: “Eu aprendi muito com esses dois momentos... eu prestei bem mais atenção... antes eu não prestava atenção nisso porque nunca me passou pela cabeça... então, de 2020 até 2024, cada detalhe... cada volta de bicicleta que eu dava (faço muito isso), ou de moto (ou a pé ou de carro) eu sempre me pergunto: se eu tivesse lá, o que eu faria? Então eu amadureci muito nisso. Comecei a valorizar (não é que eu não valorizava, só não me chamava atenção) a importância da legitimidade que é conferida pelo voto". Sobre sua visão a respeito de pessoas em cargos eletivos, comenta: "É inegável que para muitas pessoas a política é uma profissão ao invés de ser uma missão... a minha visão é que a política tem que ser uma missão... ela tem que ser circunstancial... ela tem que ser ocasional... ela tem que ser momentânea... como ser presidente da Apae, como ser presidente de uma ONG, como ser presidente de um clube. Ela tem que ser transitória... ela tem que ser uma inflexão que você dá na tua vida: faz aquela inflexão, volta e segue o teu caminho. Então é nesse sentido que eu amadureci muito e vi que eu constatei que o voto (para conquistar) é uma tarefa muito difícil... você convencer uma pessoa de que você pode ser o representante dela, em especial no Poder Executivo, quando as variáveis são muito maiores. Então, esse aprendizado, essa, essa necessidade da política como uma construção, como uma instância de diálogo, como um ambiente em que nunca se pode ter 'monopólios de virtudes', soluções para todos os problemas... e eu uso uma expressão que me é muito cara e que eu construí nessas minhas poucas andanças políticas, que é: "nós devemos calçar a ‘sandália da humildade’". Você tem que se colocar diante dos problemas com um olhar de ternura, com um olhar de atenção, com um olhar de potencialidade, de enfrentamento dos problemas que se apresentam”.
“Uma coisa que eu percebi é que tem muita gente que é valente no WhatsApp, no microfone, na conversa fácil. Agora, se apresentar é uma decisão muito difícil. Você se colocará à disposição de um eleitor é uma decisão muito difícil porque mexe com a tua rotina, mexe com a tua vida, mexe com a tua família. Você fica num ambiente de exposição muito grande. Você se torna, do ponto de vista social, uma pessoa vulnerável. Vulnerável por quê? Porque, infelizmente no Brasil, sobretudo nos últimos tempos, as pessoas (isso vai do cidadão comum ao qualificado) se sentem no direito de enxovalhar políticos, colocar todos na mesma vala, como se todos estivessem ali com os mesmos objetivos. E aí eu aprendi também que tem gente boa em todos os partidos. Tem gente ruim em todos os partidos”, relembra.
Quando indagado sobre sua entrada na Política, responde prontamente: “[...] a pergunta é por que uma pessoa bem sucedida vai entrar na política? Eu sempre respondo que é porque a política tem que ser um lugar de pessoas bem sucedidas e não um lugar de aventureiros, de pessoas que não deram certo em outras coisas. Como é mais ou menos o senso comum: ‘não deu certo, vai para a política’. Ao contrário: tem que ter pessoas que deram certo. Eu até cunhei uma frase (que tem sido citada e eu fico muito contente que muitas pessoas dizem)... eu digo o seguinte: ‘nós arrumamos a vida primeiro para depois entrar na Política... e não entramos na política para arrumar a vida’. Essa é uma característica que eu acho muito importante a gente dizer. E essa é a minha característica e de muita gente do Partido Novo”, explicou.
Durante a conversa, Tramontin cita com carinho e admiração George Washington, que se negou a continuar no poder por não ser esse exemplo de Democracia pelo qual lutara.
Nessa toada, ele deixa claro que, no momento em que poderia se aposentar, irá para a guerra.
E, de fato, tem irá. O projeto ‘Anote Aí Tramontin’ toma uma parte enorme da sua agenda. Ele vai aos bairros, onde existem as demandas, e busca ouvir das pessoas quais seus problemas e expectativas. “Eu sempre digo que um bom prefeito é aquele que enxerga a floresta e não só as árvores”, salienta.
“Eu quero ser uma novidade com consistência. Não quero ser um aventureiro, alguém que aproveitou uma oportunidade. Esse é o meu desejo... é assim que eu quero me apresentar para Blumenau nessa campanha. Porque? Porque eu nunca coloquei o resultado na frente. Eu sempre coloco a caminhada... porque é através da boa semente – do bom plantio – que você colhe os bons frutos. E eu não peço voto... muito raramente eu peço voto. Eu apresento as minhas idéias, porque o voto sempre vai ser uma decorrência natural dessa conexão entre aquilo que eu penso, aquilo que eu defendo e aquilo que o cidadão comum deseja e espera”, finaliza.