EUA pode tornar Comando Vermelho Organização Criminosa Transnacional

Wednesday, 05 March 2025
Ao classificar cartéis como CV e PCC como grupos terroristas, Trump abre caminho para operações na América Latina... tomara que faça isso.
A Secretaria estadual de Segurança Pública do Rio de Janeiro e o governo dos Estados Unidos estão negociando um acordo para mudar o status do Comando Vermelho (CV) para uma Organização Criminosa Transnacional (TCO, na sigla em inglês), segundo revelou o jornal Extra.
Como resultado, os dois países poderão trabalhar conjuntamente no combate à maior facção criminosa do Rio de Janeiro. Desde o ano passado, os dois governos negociam a mudança de denominação.
Documentos do Serviço de Segurança Diplomática (DSS, na sigla em inglês) indicaram que o CV está recrutando criminosos dentro do território americano. Além disso, as autoridades dos Estados Unidos já registraram uma parceria entre o grupo criminoso brasileiro e grandes cartéis da América do Sul para o fornecimento de drogas.
Na prática, o reconhecimento do CV como uma organização terrorista transnacional permitirá que outras agências do governo americano, entre as quais a DEA (Drug Enforcement Administration) e a ATF (Agência de Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos), atuem para o combate ao grupo do Rio.
Além disso, os chefes da facção criminosa podem ser inseridos no sistema americano de imigração para evitar a entrada deles nos EUA.
No ano passado, o Departamento de Estado americano e a Secretadira de Segurança Pública do Rio criaram uma minuta de um memorando de entendimento “para combater a atividade criminal transnacional envolvendo o uso de documentos de viagem e identidade fraudulentos”.
Trégua entre CV e PCC?
As facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) selaram uma trégua negociada desde 2019, segundo revelou o Metrópoles.
Há cinco anos, o chefe do CV, Marcinho VP, e o líder do PCC, Marcola, discutiam os termos do acordo que incluirá o compartilhamento de rotas de escoamento de cocaína no país.
Os dois trajetos que serão compartilhados são a rota Caipira, que leva drogas produzidas em países sul-americanos pelo interior de São Paulo e Triângulo Mineiro até a África e Europa, além da rota Solimões, no Amazonas, comandada pelo Comando Vermelho.
A pacificação entre os componentes do grupo criminosos também tem o objetivo de combater as regras determinadas pelo Sistema Penitenciário Federal, onde estão presos os líderes das facções.
Segundo o promotor Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeaco) do Ministério Público de Paulo, a “trégua” entre as duas organizações criminosas já estava estabelecida no Rio e em São Paulo desde 2023.