Avaliação do desempenho do prefeito Egídio Ferrari em 2025

Avaliação do desempenho do prefeito Egídio Ferrari em 2025
Foto: Divulgação

Friday, 16 January 2026

Fizemos uma criteriosa avaliação dos seus feitos, cumprimento de promessas de campanha e comparativo com a gestão que o antecedeu. Como será que ele se saiu?

Egidio Maciel Ferrari nasceu em 18 de setembro de 1981. Filho de Blumenau, ele é formado em Direito pela Furb, teve uma bem-sucedida carreira de delegado por mais de uma década – onde se destacou pelo combate ao crime e pela defesa na causa animal – e exerceu um mandato de deputado estadual com quase 35 mil votos. Uma votação bastante expressiva.

Ele cresceu sob os cuidados dos avós na Itoupava Norte, onde aprendeu o respeito pelas tradições e pelos bons costumes. Um respeitável pai de família com dois filhos, demonstrou desde cedo o carinho que tem pela cidade. E pelo Corinthians, seu time do coração.

Inspirado a entrar no curso de Direito por sua experiência no escritório de Direito de seu padrinho de crisma, dedicou-se aos estudos e, posteriormente, à carreira na Polícia Civil. Unindo sua perícia policial, seu amor pelos animais e sua habilidade com as redes sociais, logo se tornou um dos mais celebrados protetores de Santa Catarina.

Fã de Foo Fighters, Tropa de Elite, Churrasco e Superman, ele conseguiu humanizar o cargo de prefeito como poucos conseguiram antes dele.

Mas, na prática, o que um prefeito faz?

Ele é o chefe do Poder Executivo Municipal. Isso significa que, na prática, ele é o gestor da cidade, ficando responsável por administrar os impostos recolhidos e garantir que os serviços básicos funcionem para a população.

Lida com os serviços essenciais de Saúde e Educação dos órgãos de competência da cidade, além de administrar os serviços de limpeza urbana, coleta de lixo, iluminação pública, pavimentação de ruas, manutenção de parques e praças, além do transporte coletivo urbano. Grosso modo, ele age como uma espécie de síndico do município.

Além disso, também estão entre suas deliberações elaborar as formas como os recursos serão aplicados, planejar o crescimento urbano e se relacionar politicamente com vereadores, governadores, deputados, senadores e presidentes em prol dos interesses de sua cidade.

Ele NÃO lida com Segurança Pública (à cargo do governador), Ensino Médio, universidades, Leis Penais ou qualquer coisa de abrangência federal (como o salário mínimo, por exemplo).

Então, quais são os órgãos que compõem a estrutura pública que o prefeito gere?

Se você leu nossa matéria sobre a avaliação dos funcionários do Executivo no ano passado (e esperamos que tenha lido) você já sabe – mais ou menos – quais são as principais secretarias, diretorias, gerências e autarquias de Blumenau. Então pode pular a lista abaixo.

Mas caso não tenha lido, nos tópicos a seguir resumimos brevemente as funções dos principais centros administrativos blumenauenses. Veja:

  • Gabinete do prefeito: articulação política, triagem de demandas, gestão administrativa interna e apoio estratégico. É uma espécie de ‘escritório’ dele;
  • Gabinete da vice-prefeita: articulação comunitária, representação (ou substituição) na ausência do titular e estrutura interna;
  • Procuradoria-Geral do Município: é como um ‘departamento jurídico’ que faz a defesa judicial, extrajudicial, cobra dívidas ativas e executa processos disciplinares;
  • Secretaria da Família: promove políticas voltadas para a família (como cursos e palestras), garante a Defesa da Mulher, a inclusão das minorias e os direitos das crianças, adolescentes e idosos;
  • Secretaria da Fazenda: arrecada impostos (IPTU, ISS e ITBI), taxas, organiza o orçamento, planeja pagamentos e fiscaliza tributos;
  • Secretaria de Administração: é responsável pelas compras, licitações, gestão de patrimônio, logística, arquiva documentos, garante os sistemas de informática e age como Recursos Humanos, realizando concursos públicos e treinando pessoal;
  • Secretaria de Comunicação: distribui as notícias, cria e divulga as campanhas de utilidade pública (como vacinação ou combate à dengue), coordena a publicidade institucional, gerencia crises e organiza os protocolos cerimoniais;
  • Secretaria de Controle, Transparência e Integridade: evita erros internos, instaura fiscalizações éticas, auditorias, coordena a Ouvidoria, o Portal Transparência e, objetivamente falando, busca impedir que haja corrupção na prefeitura;
  • Secretaria de Cultura e Relações Institucionais: preserva a identidade da cidade, gere espaços culturais, lança editais, eventos e age como uma espécie de embaixada entre o município, a iniciativa privada, outros governos e até países;
  • Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Inovação, Parcerias e Empreendedorismo: apoia os empreendedores, fortalece as áreas de inovação (bem como tecnologia), firma Parcerias Público-Privadas, atua em investimentos e expansão municipal;
  • Secretaria de Desenvolvimento Social: administra os CRAS, os CREAS, atende a população de rua, garante a segurança alimentar, gerencia o CadÚnico e providencia acolhimento a crianças e idosos em situação de vulnerabilidade;
  • Secretaria de Educação: garante o pleno funcionamento das escolas de Educação Infantil, Ensino Médio (Escolas Básicas Municipais), Centro de Educação de Jovens Adultos (CEJA), merenda, transporte escolar, diretrizes pedagógicas, educação inclusiva e especial;
  • Secretaria de Gestão Governamental: executa o planejamento estratégico, capta recursos, firma convênios, cria atos oficiais, gere contratos e é quem media as relações com outras instituições ou associações de municípios;
  • Secretaria de Inclusão da Pessoa com Deficiência e Paradesporto: administra tanto o paradesporto escolar quanto o de alto rendimento, lida com a Central de Interpretação de Libras, inclui no mercado de trabalho, torna a mobilidade urbana mais adaptável e apoio entidades como associações e conselhos;
  • Secretaria de Obras: executa grandes obras de infraestrutura, faz a manutenção das vias, pavimentações, drenagens, prevenções e manutenção dos prédios públicos;
  • Secretaria de Planejamento Urbano: projeta Blumenau para o futuro, gere o Plano Diretor, aprova projetos, concede alvarás, traça projetos viários e de mobilidade, fiscaliza obras, projetos e é responsável pela Regularização Fundiária;
  • Secretaria de Promoção da Saúde: é a mantenedora da qualidade dos serviços de saúde públicos, como postos de saúde, ambulatórios gerais, lida com aspectos gerais, odontólogos, psiquiátricos, farmácia básica, vigilância sanitária, epidemiológica, SAMU, contrata cirurgias, agindo em parceria com o Hospital Santo Antônio, o Hospital Santa Isabel, o Hospital Misericórdia e a Policlínica);
  • Secretaria de Proteção e Defesa Civil: monitora o nível do rio, as chuvas, encostas, emite alertas (como a AlertaBlu), previne catástrofes, mitiga estragos, responde a desastres e providencia a recuperação posterior aos danos públicos;
  • Secretaria de Serviços Urbanos: responsável pela iluminação pública, manutenção de parques, praças, jardins, limpeza urbana, conservação e cuidado com os pontos de ônibus;
  • Secretaria de Turismo e Lazer: organiza grande eventos como a Oktoberfest, Sommer Festival, Natal, Páscoa, gere a Vila Germânica, promove Blumenau como destino turístico internacional, monitora dados, cria políticas de lazer;
  • Secretaria do Esporte: cria programas de iniciação esportiva, lida com o esporte de alto rendimento, organiza competições, gere espaços desportivos, promove atividades físicas para a comunidade e dá suporte a nossos atletas em grandes torneios;
  • Secretaria do Meio Ambiente e Sustentabilidade: emite licenciamentos ambientais, garante o bem-estar dos animais, fiscaliza a conservação da natureza, faz a manutenção de parque ecológicos, lida com a arborização e o Horto Municipal;
  • Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes: faz a gestão do transporte coletivo, administra a Guarda de Trânsito, faz fiscalizações, cuida dos semáforos, das vagas de estacionamento e dos licenciamentos;
  • Samae: cuida do abastecimento de água, da coleta de lixo, tratamento de esgoto, gestão de resíduos e drenagem urbana;
  • Procon: media reclamações de consumidores que se sintam prejudicados por empresas, fiscalizam estabelecimentos, pesquisam preços e educam para o consumo;
  • Intendência da Vila Itoupava: central local de atendimento ao cidadão, manutenção, obras, preservação cultural e coleta de resíduos em áreas rurais;
  • Intendência do Grande Garcia: tem uma função muito similar à da Intendência da Vila Itoupava, porém adaptada às necessidades da Região Sul da cidade;
  • Praça do Cidadão: é o ponto oficial de entrada para quase todos os pedidos administrativos, atende órgãos externos parceiros (como o SINE) e atualiza cadastros;
  • ISSBLU: planeja, concede e paga as aposentadorias dos servidores municipais estatutários, bem como pensões, benefícios, administra o Fundo Previdenciário, dispõe de perícia-médica e coordena o recebimento de auxílio-doença;

Primeiro, por favor, não repare as repetições de termos e palavras acima. Ficou realmente impossível evitar esse empobrecimento textual por conta do tamanho da lista.

Mas, agora, vamos ao que interessa...

Como Egídio reagiu às suas principais crises, desafios e como suas Secretarias responderam?

O ano começou com o prefeito vetando o aumento de 10% que a Agência Intermunicipal de Regulação do Médio Vale do Itajaí (AGIR) queria impor ao transporte coletivo municipal blumenauense. A Blumob – empresa responsável pelo setor – goza de baixíssima popularidade entre os blumenauenses. Dessa forma, o veto foi um grande acerto.

No entanto, apesar de ter sido uma jogada política muito bem feita, a fatura foi cobrada no final do ano com a extinção dos cobradores. A prefeitura argumenta que, sem essa economia na folha, o aumento seria inevitável.

A perda dos cobradores – além da provável perda de empregos de diversas pessoas – também acarreta em mais desconforto para o usuário (que contava com o cobrador para, por exemplo, pedir informações) além de centralizar ainda mais poder nas mãos de uma empresa que sequer teve a decência de manter um serviço de atendimento ao público minimamente decente durante os feriados do recesso do final de ano. Via de regra, quando algo é bom para a Blumob, raramente será bom para quem conta com seus serviços.

O real desfecho dessa história ainda está por vir, pois a possibilidade de diminuição do valor das passagens de ônibus de Blumenau – o segundo mais caro do Brasil – ainda não se cumpriu.

Nota da redução da tarifa de ônibus: 4.2 – bom

O segundo problema que enfrentou, foi a perda do restaurante Thapyoka do Centro Histórico de Blumenau. Mais uma adversidade deixada pelo ex-prefeito Mário Hildebrandt e pela trágica administração que pairou por alguns anos na Secretaria de Turismo, Egídio teve que lidar com o dano já gerado e tentar mitiga-lo da melhor forma possível.

O problema é que depois de um ano, nada foi feito. O Executivo deseja revitalizá-lo, mas a demora em reocupar o imóvel é uma falha de gestão atual de patrimônio. Cada mês vazio é um ponto turístico a menos e um prédio histórico degradando. Além de menos dinheiro girando na cidade e menos uma opção de lazer.

O Museu da Cerveja ficou muito bonito e ainda traz vida para a praça, mas com a atração principal da região desocupada, muito da vida que poderia lá existir se esvai.

Nota para a revitalização do antigo Biergarten: 2.7 – ruim

Contudo, está na área da Segurança Pública o primeiro grande acerto a viralizar positivamente o nome do prefeito por toda cidade e além: a necessária limpeza da população de mendigos que infestava a cidade infernizando comerciantes, assediando mulheres, aborrecendo pedestres e intimidando idosos ao se apropriar das ruas como se lhes pertencessem.

Egídio agiu com dureza. Acompanhado por equipes que iam de assistentes sociais à Polícia Militar, deixou claro que nossa cidade não é um Cours des Miracles onde indigentes se sentem livres para oprimir pessoas que, diferente deles, levam vidas úteis.

As taxas de mendicância baixaram no Centro devido à pressão das abordagens, mas houve um efeito balão: alguns mendigos saíram das áreas nobres e foram para os bairros. Crimes de oportunidade – como furtos – oscilaram, mas a melhora foi visivelmente sentida. Ferrari honrou sua carreira de policial, manteve a cidade segura e provavelmente salvou vidas.

Nota para a limpeza da mendicância: 4.8 – muito bom

Em fevereiro estourou a crise da merenda escolar, que foi desencadeada pelo rompimento repentino do contrato com a empresa Risotolândia às vésperas do início do ano letivo, seguido por graves falhas operacionais da nova fornecedora emergencial.

A culpa recaiu sobre a fiscalização da Secretaria de Educação. A solução foi rescindir contratos com empresas que não entregavam o padrão e centralizar a logística. Hoje a situação está estável, mas o trauma da quase-CPI deixou a gestão em alerta máximo.

Se por um lado o desgaste com a empresa que fornecia tais alimentos ocorreu por conta do limite legal de aditivos e valores durante o governo Hildebrandt – que ultrapassou os limites – deixando o novo prefeito com pouco dinheiro em caixa e sem nenhuma nova licitação preparada a tempo de evitar o vácuo deixado no serviço, o ato rescindir unilateralmente o contrato tão próximo do início das aulas e sem um plano adequado de contingência também responsabiliza parcialmente a atual gestão.

Tanto que um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) foi assinado em agosto para garantir a continuidade das coisas na sua plena normalidade.

Nota para a gestão da crise da merenda: 3.1 – regular

Na Páscoa, mais um problema surgiu: o vereador Bruno Win (Novo) questionou o paradeiro da estrutura semi-abstrata emulando um Ovo de Páscoa adquirida na gestão anterior.

O Parque Vila Germânica afirmou que a estrutura não pôde ser utilizada porque houve um dano ocorrido durante seu transporte. O erro com certeza existiu e não pode ser ignorado, mas tal instalação artística acabou não fazendo diferença nenhuma e a Pascoa foi belíssima.

Foi descuidado e irresponsável, sim, permitir que tal objeto fosse avariado, mas não foi mais grave do que a gestão passada ter adquirido uma quinquilharia de péssimo gosto por R$ 300 mil. E tudo fica ainda mais grave quando lembramos que Pomerode tem um ovo de páscoa recordista, muito bonito e que não custou nada aos cofres públicos.

A culpa por estragar a peça não existira se ela não fosse um elefante branco comprado por motivos incompreensíveis e incapaz de harmonizar com qualquer decoração minimamente coerente com a data. Mas, claro, o dano existiu e deve ser considerado para a nota abaixo.

Nota pelo contexto do desaparecimento do Ovo de Páscoa: 3.8 – regular

Quando o corredor exclusivo para ônibus da Martin Luther voltou a ser vedado para o uso por carros, um grande debate tomou as redes sociais. Em enquete lançada em nossas redes sociais, descobrimos que 36% do nosso público acredita que a mudança melhorou o trânsito, 35% entende que a fluidez piorou e para 27% não houve mudança.

Mas esse assunto precisa ser dividido em duas partes...

Por um lado, é inegável que a exclusividade otimizou o tempo de viagem de ônibus (que é a prioridade técnica), aumentando a qualidade da experiência de quem usa o serviço.

Por outro lado, a percepção de que o tráfego está pior também é real, mas o detalhe é que o motivo não tem grandes correlações a corredores de ônibus. Blumenau não tem vias paralelas que suportem o fluxo que transbordou da Martin Luther. Não mudou nada no gargalo estrutural, apenas mudou o problema de lugar. É o mesmo problema de sempre, resumido de forma prosaica com a frase: Blumenau não tem carros demais, tem poucas ruas centrais.

Nota pela utilização dos corredores de ônibus: 4.2 – bom

Ainda sobre impor lei e ordem nas ruas, a Prefeitura iniciou uma série de iniciativas para coibir o uso de motocicletas com escapamentos alterados, intensificando consideravelmente a fiscalização. O que foi ótimo, pois pessoas que têm cérebro abominam essa inépcia.

Foram centenas de veículos parados. Mas o problema não é falta de blitz, é a escala. Blumenau tem milhares de motos. O ruído continua porque a fiscalização é pontual e não sistêmica.

Infelizmente, a solução para essa questão é muito mais política do que técnica. Apesar do dano que imbecis com essa postura causam à comunidade e de sua ação acéfala e egoísta ser considerada infração grave pelo Código de Trânsito Brasileiro e violar a Lei do PSIU, a punição permitida por lei é branda demais. O infrator – que muitas vezes comete diversas outras infrações – sente que vale a pena agir como um animal por crer ser impune.

Há muito pouco que um prefeito possa fazer. A única solução real seria uma drástica alteração na triagem de quem tenta se habilitar a uma CNH. Hoje, qualquer um com a educação de um orangotango e a inteligência de um dromedário consegue licença para dirigir. E isso não compete a um prefeito.

Ainda assim Egídio foi corajoso e começou a enfrentar o problema contra uma categoria tão barulhenta quanto incivilizada. Com um pouco mais de blitz e apertando ainda mais o cinto – principalmente em bairros mais periféricos – a situação tende a melhorar.

Nota pelo combate às motos barulhentas: 4.8 – muito bom

Quase no fim de março, equipes do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) e do Grupo Especial Anticorrupção (GEAC) deflagraram a Operação Control C para desmantelar uma suposta organização criminosa que fraudava licitações para a contratação de softwares de gestão na área da saúde.

Um mês depois, a Operação Alta Tensão surgiu para combater o furto e a receptação de fios de cobre e cabos de energia/telefonia.

A prefeitura de Blumenau não teve absolutamente nenhuma relação com nada que envolvesse qualquer uma das investigações, contribuindo com o Ministério Público quando solicitado e, assim, provando que a atual administração se mantém absolutamente íntegra.

Postura em relação a operações que investigam corrupção em outras gestões: 5.0 – perfeita

Um dos maiores méritos da história de Blumenau, no entanto, foi a queda de 99,7% nos casos de dengue logo no começo do ano. Sob a gestão de Ferrari, Blumenau obteve êxito onde quase todas as cidades fracassam: ela praticamente erradicou a doença.

O uso do Método Wolbachia e drones foi certeiro. Aqui, Egídio colheu os louros de uma tecnologia que realmente funcionou e de uma estratégia simplesmente brilhante.

Controle da dengue: 5.0+ – extraordinário

Na metade do ano, surgiu a CPI do Esgoto. Foi o maior teste de fogo de Egídio. Para ele, foi estratégico: ele a usou para colocar a BRK em xeque, revogando o aditivo que aumentaria a tarifa. Espera-se que em 2026 ele tente a caducidade do contrato ou uma relicitação, algo extremamente complexo juridicamente, mas que rende muitos votos.

A revogação do aditivo pode ser revertida na Justiça, o que não seria bom.

Mas, por ora, sua jogada foi de enorme preciosismo político e jurídico. Além disso, Alexandre de Vargas – presidente do Samae – se saiu muito bem em todos os seus momentos na Câmara.

Desempenho durante a CPI do Esgoto: 5.0 – perfeito

Em meio ao impasse do helicóptero Arcanjo-03 – removido de Blumenau para uma revisão obrigatória que culminou também na transferência da equipe médica do SAMU Aeromédico para Balneário Camboriú – o prefeito articulou fortemente com a bancada blumenauense na ALESC (e também com o governador Jorginho Mello) pelo retorno à normalidade.

Como ex-delegado, ele usou sua influência na Segurança Pública para priorizar essa pauta. E conseguiu: em julho tudo já havia voltado a ser como deveria.

Retorno o helicóptero Arcanjo e do SAMU Aeromédico: 4.9 – muito bom

Lembra daqueles ônibus panorâmicos que faziam turismo por Blumenau? Em julho a empresa, By Bus Turismo, acabou indo embora, encerrando suas atividades na cidade.

A ruptura ocorreu porque a Prefeitura rescindiu o contrato, alegando que a empresa não cumpria requisitos contratuais e de manutenção dos veículos. O que pode até ser verdade, mas acabou gerando um transtorno considerável.

O impacto foi negativo e imediato. Blumenau ficou meses sem um serviço de turismo guiado profissional. O turismo se concentrava apenas na Vila Germânica, esvaziando museus e o Centro Histórico. Foi uma falha de planejamento: rescindir sem ter um "plano B" pronto.

Para lidar com isso, a Prefeitura modificou a estratégia criando roteiros segmentados, fazendo parcerias com agências de viagens locais e capacitando guias. Sinceramente, o método de contenção de dano que a prefeitura traçou foi bom o suficiente para sanar qualquer carência e, se a empresa descumpria cláusulas, então tirá-la foi correto, sim.

By Bus e o turismo guiado: 4.6 – muito bom

No mesmo mês, o DNIT entregou Complexo Viário do Badenfurt. Apesar da entrega, o gargalo se tornou o acesso municipal. O desempenho mediano aliviou o fluxo pesado, mas tráfego travado em horários de pico. O viaduto entregue foi uma solução de engenharia para a rodovia, mas criou um efeito funil nas vias blumenauenses.

O problema envolve uma complexa transição entre uma obra federal (o viaduto da BR-470) e a malha viária municipal (os acessos aos bairros).

Egídio tem feito a sua parte muito bem. Tem executado uma ótima manutenção básica e finalização de pequenas vias que competem ao município. Ele não pode ser culpado pelo atraso na 470, que é federal. E nem por erros de projeto do DNIT.

A população esperava que, com a entrega, os congestionamentos sumissem. Como o trânsito continua travado (agora dentro do bairro e não mais na rodovia), a pressão recai sobre o prefeito para que ele faça intervenções municipais mais drásticas, como novas pontes ou grandes binários. Mas isso não compete a ele.

A gestão dele tem focado na zeladoria (asfalto e sinalização), mas o desafio do Badenfurt exige agora uma reengenharia de fluxo que ainda está em fase de testes e estudos. Algo federal. Quem sabe o presidente Lula possa fazer algo, se estiver sóbrio...

Complexo Viário do Badenfurt: 4.9 – muito bom

Quase simultaneamente, o Sesi foi municipalizado. Depois de uma batalha de mais de quatro anos, o importante complexo desportivo enfim se aproximou mais da comunidade e do sonho de transformar Blumenau em uma meca esportiva.

No entanto, a comunidade entende que o local está sendo deixando de lado. E a sensação de abandono é justificável. A Prefeitura recebeu a construção, mas não tem orçamento para uma reforma imediata de grande porte. Esse ano espera-se que os projetos saiam do papel, mas obra pesada lá dentro ainda deve demorar.

Isso apenas engrossa outro descontentamento que os amantes dos esportes têm: o Executivo tem sido acusado de não apoiar os times locais.

A ajuda da prefeitura é, em sua maioria, logística (cessão de espaços como o Galegão e o próprio Sesi) e através do Bolsa Atleta. O repasse direto de dinheiro público para clubes profissionais é limitado por lei. Isso, mais uma vez, vai além do que compete a um prefeito.

Mas o caso do basquete feminino, por exemplo, foi um pouco diferente. A Prefeitura alega que não podia ser a única mantenedora, mas demonstra falha em articular com o empresariado local. O esporte profissional em Blumenau sobrevive hoje por aparelhos, e a gestão Egídio ainda não apresentou um plano de patrocínio privado robusto.

A maior parte da culpa não repousa sobre os ombros do prefeito, pois está nas limitações legais, desinteresse do empresariado e na própria dificuldade dos times de andar com as próprias pernas. Ainda assim, era possível se ter feito mais do que foi feito até então.

Municipalização do Sesi e apoio aos times profissionais:  2.9 – ruim

Em agosto, a fiscalização dos ciclomotores – que já ocorria desde 2025 – foi endurecida. O que foi uma medida absolutamente necessária.

A fiscalização intermitente focou em documentos e emplacamento, mas a infraestrutura urbana não a favoreceu. Sem uma presença constante da Guarda de Trânsito, os condutores voltam a ignorar as regras assim que a blitz acaba. Foi uma ação de ‘impacto visual’, mas poderia ter tido mais efeito prático na segurança viária do que teve.

Entretanto, aqui a regra é quase a mesma que salientamos sobre os escapamentos de motocicleta: o volume de infratores e a capacidade para infração excedem os limites da Prefeitura que, ainda por cima, está amarrada por uma legislação leniente e inócua.

Basta passar alguns minutos olhando, por exemplo, para as ciclovias. Há inúmeras pessoas que não as usam por preferir pedalar entre pedestres. Mesmo que a existência delas tenha sido clamada pela comunidade por tantos anos. Enquanto não pudermos apreender – e leiloar ou destruir – as motocicletas, bicicletas ou ciclomotores infratores, nada vai mudar. Porque as pessoas tendem a respeitar aquilo que tenha potencial para lhes prejudicar.

Dessa forma, embora as blitzes não tenham tido a eficácia que deveriam, a intenção valeu, pois – dentro do que o prefeito poderia fazer – tudo foi feito. Talvez demandasse só um pouco mais de severidade, mas esses são ajustes que o tempo e a experiência são capazes de trazer.

Fiscalização dos ciclomotores: 4.4 – bom

Quando o aniversário da cidade chegou, talvez seu maior presente tenha sido a entrega da Margem Esquerda e da Prainha, há mais de uma década aguardadas pela comunidade.

Depois de tanto tempo de obras travadas e recursos (emendas e verbas estaduais) encalhados pela burocracia, a celeridade na execução final foi um mérito total da administração de Ferrari, que entregou à comunidade uma nova e ampla área de lazer muito bem equipada.

O projeto arquitetônico, honestamente, poderia ser melhor. Os elementos nem sempre se harmonizam e o deck sempre expões suas pedras quando as águas sobem um pouco. O Itajaí é um rio vivo e suas oscilações carecem de limpeza constante com hidrojateamento, pois a necessidade de manter a base natural exposta para o acesso às embarcações causa uma falsa impressão de abandono imediata. Uma questão de engenharia hidráulica e expectativa visual.

Cidades como Chicago usam jardins hidrofílicos e outras, como Paris, optaram por gabiões estéticos de cores uniformes e pedras selecionadas. Manaus e Porto (em Portugal) adotaram píeres flutuantes presos a estacas verticais.

O projeto da Prainha optou por uma estrutura de concreto rígido. Isso é mais barato e resistente às nossas enchentes violentas, mas é esteticamente ‘cru’. O concreto, quando molha e seca com a água barrenta do Itajaí, mancha muito rápido. Mas isso em nada é culpa de Egídio Ferrari, sendo mais uma das escolhas estéticas estrambólicas de Mário Hildebrandt.

Ao atual prefeito, coube a excepcional execução e entrega da obra, bem como caberá definir a ocupação econômica do local, que prevê de quiosques de alimentação a aluguel de equipamentos desportivos náuticos, podendo transformar a Margem Esquerda em uma próspera Via Gastronômica integrada via passarela ao antigo Porto de Blumenau.

Passarela, diga-se de passagem, cujo gritante design de arcos brancos feito pela gestão Hildebrandt (e sua breguice sem fim) não dialoga com absolutamente nada da identidade blumenauense e pode (e deve) ser revista por Ferrari, caso levem o projeto à frente.

Entrega da Prainha e da Margem Esquerda: 5.0 – perfeita

Eis que chegamos ao ponto nevrálgico da atual administração: a Policlínica Regional do Médio Vale vai pra Indaial. Uma perda que poderia ser evitada. Mas... deveria?

Quando a notícia surgiu, foi um baque bastante forte. Blumenau – até agora a cidade que detém o protagonismo na região – era a favorita para sediar o novo empreendimento que poderia, sim, ajudar muito a Saúde Pública local.

O impasse sobre o terreno e o alto custo de construção – ou adaptação de uma construção já existente – pesaram para a administração blumenauense e Indaial argumentou que sua localização geográfica é mais estratégica para atender às demais cidades da região.

Para minimizar a perda, a prefeitura apoiou-se no fato de já possuir uma estrutura de média e alta complexidade muito superior às vizinhas – afirmando que uma unidade de referência em outra cidade ajudaria a desafogar nossos hospitais – além de afirmar que seu foco seria a reforma das EDUs (Estratégias de Saúde da Família) e na construção de novos postos nos bairros, priorizando a atenção básica.

Apesar das explicações, a oposição e parte da classe médica criticaram duramente a prefeitura, chamando o episódio de ‘falta de protagonismo’. O argumento é que Blumenau perdeu a chance de ter um centro de diagnóstico de ponta financiado pelo Estado, o que obrigará o cidadão blumenauense a se deslocar até Indaial para realizar exames de média complexidade pelo consórcio.

Como forma de diminuir o estrago, a prefeitura apostou no Hospital Universitário. Ao invés de construir algo novo do zero em um terreno periférico, a proposta foi ampliar o convênio com a FURB. Dessa forma, garantiriam que exames de imagem (ressonâncias, tomografias) e consultas com especialistas que seriam feitos na Policlínica Regional passassem a ser realizados no HU, atendendo exclusivamente a população blumenauense.

O prefeito Egídio Ferrari afirmou que, por ser uma estrutura já existente e central, o atendimento começaria muito mais rápido do que a obra de Indaial.

Imediatamente após a polêmica, a prefeitura tomou duas medidas de impacto: deu suporte à compra de novos equipamentos de diagnóstico e determinou a ampliação dos turnos de atendimento para tentar reduzir as filas de espera que haviam gerado as críticas originais.

O cenário atual é de execução parcial e algumas frustrações. O HU é uma promessa de compensação, mas na prática demora anos para atingir o nível de serviço de uma Policlínica Regional pronta. Parece apenas uma tentativa de mitigar um dano político.

Perda da Policlínica e parceria com o Hospital da Furb: 2.2 – ruim

Contrabalanceando isso, a Oktoberfest alcançou um patamar que jamais havia atingido em sua história. É indiscutivelmente a festa mais segura e limpa do país. O lucro recorde em 2025 foi mérito da gestão profissional da Vila Germânica. Desde os pavilhões até os brinquedos, comidas, músicas, lojinhas e decoração – tudo na experiência da festa no ano que passou beirou a perfeição. Uma festa à altura das melhores festividades europeias. Ou mais.

O Natal, por sua vez, teve a mais bela decoração das ruas centrais que Blumenau já viu. A festa em si ainda sequer se aproximou do nível conquistado pela saudosa Magia do Natal – que encantou o país todo e se tornou pauta em jornais nacionais – mas certamente 2025 teve a mais bela edição natalina em muitos e muitos anos.

Oktoberfest e Natal: 5.0 – perfeito

Já se aproximando do final do ano, a Prefeitura teve que lidar com duas bombas políticas: os escândalos envolvendo Norberto Ramalho e Maurício Goll, ambos intendentes distritais.

Foi aqui que Egídio Ferrari provou que é um líder – muito mais do que um mero político carreirista – e honrou sua respeitável carreira de policial blindando o Executivo de qualquer vestígio de leniência com corrupção e afastando imediatamente ambos para que possam responder pelas acusações sem causar danos à coisa pública.

Se por um lado foi um desgaste político, por outro foi uma prova de liderança e caráter.

Exonerações de Norberto Ramalho e Maurício Goll: 5.0 – perfeito

Outra excelente ação que Ferrari executou – uma vez mais honrando sua história – foi a aplicação das primeiras multas da Lei Antipichação.

Ninguém gosta de pichadores. A não ser que você viva em alguma espécie de chiqueiro mental, você também não gosta. Geralmente são jovens imbecis que destroem a estética urbana, vandalizam propriedades além e regozijam-se com o sentimento de impunidade. Mas aqui não. Pelo menos, não mais.

Por ora o caráter é educativo. Sua efetividade vai depender de fiscalização, policiamento, câmeras de segurança e denúncias. Mas já é um ótimo começo.

Tomara que nesse novo ano, a poluição sonora seja atacada da mesma forma que a visual.

Lei Antipichação: 5.0 – perfeito

Algumas mudanças, no entanto, vão acontecer nas farmácias dos Postos de Saúde.

O vereador Marcelo Lanzarin (PP) – médico, ex-presidente da Câmara e ex-secretário de Saúde do município – conseguiu aprovar uma lei que autoriza o Sistema Público de Saúde municipal a fornecer medicamentos mesmo mediante a receitas de médicos particulares.

Essa foi uma excelente iniciativa e Lanzarin e para o público, foi uma ótima notícia. Amplamente aprovada. Contudo, para a gestão financeira da Secretaria de Saúde pode ser um pesadelo de logística porque cria um risco real de desabastecimento ao passo que torna o controle interno mais complexo e exige a compra de ainda mais medicamentos.

Já começaram os rumores de usuários que não encontram suas medicações e até de médicos que receitam tratamentos dos quais o sistema não dispõe.

Vai ser uma grande dor de cabeça garantir que ninguém fique desabastecido e, justamente por isso, mesmo compreendendo a aprovação popular e a excelente ideia de Lanzarin, também é possível compreender os temores da prefeitura. Talvez articulações melhores devessem ter sido feitas.

Fornecimento de remédios nos postinhos com receita de médicos particulares: 3.5 – regular

Ainda na área da Saúde, o Hospital Santo Antônio começou a construção de uma nova ala. Esse é um mérito total de sua diretoria – profundamente competente e dedicada – mas não podemos ignorar que a Prefeitura emendas parlamentares para garantir que tais recursos chegassem à instituição. Nesse caso, Egídio agiu de forma sábia e conscienciosa.

Expansão do Hospital Santo Antônio: 5.0 – perfeito

Mal o calendário anual havia virado e a Rodoviária de Blumenau anunciou que começará a cobrar o estacionamento. E isso gerou algum ruído entre as pessoas.

Depois de quase um ano desde que fora concedida à Sociedade de Infraestrutura e Transportes (Sinart), finalmente algumas mudanças começam a ocorrer. A demora se deve a vários fatores, como a necessidade da elaboração de projetos estruturais complexos (como elétrico, hidráulico ou combate a incêndio), aprovação por parte da Prefeitura, priorização de reformas estruturais internas (segurança, TI, limpeza, manutenção de emergência) e uma carência contratual que dá à Sinart cerca de um ano para se preparar.

Daqui para frente, devemos ver uma grande reforma na fachada do prédio, troca de pisos, climatização de áreas, praças de alimentação e segurança privada constante.

Aos que reclamaram da cobrança, sobra a lógica: passamos anos reclamando por ter uma das piores, mais feias e inseguras rodoviárias do estado, a Prefeitura resolveu – com uma boa solução, inclusive – mas a empresa precisa tirar dinheiro de algum lugar.

Ou será que preferiríamos continuar usando aquele espaço sombrio e imundo?

Concessão da Rodoviária: 4.6 – muito bom

Um caso similar, mas muito mais complexo, é o do Aeroporto Quero-Quero.

Esse é um dos imbróglios mais famosos de Blumenau (junto com a Ligação Velha-Garcia). Sua situação é um misto de burocracia técnica, dependência de verba estadual e limitações físicas da própria pista.

O balizamento noturno está pronto e testado, mas o aeroporto ainda não opera à noite por um detalhe documental que virou o primeiro grande ‘embate’ de 2026: a homologação da ANAC.

A Prefeitura de Blumenau afirma que já enviou toda a documentação, mas a ANAC declarou recentemente que ainda não recebeu o pedido oficial para liberar os pousos noturnos. Sem a autorização da agência, o aeroporto continua restrito a voos visuais diurnos. Enquanto a vistoria técnica não entrar na agenda oficial da ANAC, o investimento fica lá, desligado.

Mas a possibilidade de voltar a ter voos comerciais é um ponto muito mais delicado.

O balizamento é apenas o primeiro passo. Para que empresas como Azul ou Voepass operem voos regulares (como os antigos voos para Curitiba ou São Paulo), o Quero-Quero precisa de uma pista maior, uma estação meteorológica automática para determinar a segurança climática e um terminal decente de passageiros, com raio-X, sala de embarque e balcões de check-in (algo que só viria com uma nova licitação ou concessão).

O prefeito tem cobrado fortemente o governador Jorginho Mello, já que o dinheiro das obras é quase todo estadual. Ele conseguiu destravar os repasses que estavam parados em 2024, permitindo a conclusão da iluminação e do cercamento. Agora basta melhorar a articulação política com a ANAC.

Para o Quero-Quero deixar de ser apenas um "aeroporto de transplantes" e virar comercial seria necessário usar a bancada federal catarinense para agilizar a vistoria da ANAC, um projeto da pista robusto e uma concessão.

E embora digam que a prioridade deve ser apenas a finalidade da Saúde Pública porque Navegantes compensaria o problema comercial, isso não é verdade. A estrada entre nossas duas cidades tem um trânsito péssimo. Muitos bons negócios, grande palestrantes e oportunidades de investimento foram perdidas simplesmente por não termos voos comerciais.

Agora, cercado por uma via pública e engolido pelo crescimento da Itoupava Central, o Quero-Quero também lida com suas próprias limitações estruturais. Em um extremo da pista há a Rua Dr. Pedro Zimmermann. No outro, residências. Galpões industriais e prédios surgiram ao seu redor. Além da segurança para o pouso de jatos comerciais, a Curva de Ruído de Boeing 737 e Airbus A320 afetaria milhares de moradores.

Ciente dessas tantas limitações, Egídio foca na aviação executiva, escolas de voo, manutenção aeronáutica, transporte de cargas leves e de órgãos para transplante. Algo muito inteligente.

Aeroporto Regional de Blumenau: 4.1 – bom

Outra decisão que merece análise mais profunda foi a contratação do dito Carro Caça Buracos.

A iniciativa foi uma das maiores apostas tecnológicas da gestão de Ferrari para tentar resolver o problema crônico das ruas da cidade. Trata-se de um veículo equipado com inteligência artificial para mapear todas as vias e malha asfáltica.

O veículo não pertence à frota própria da Prefeitura. Sendo parte de um contrato de prestação de serviços com uma empresa especializada em tecnologia viária chamada Mapzer. A tecnologia utiliza sensores e câmeras de alta resolução que leem o asfalto enquanto o carro circula normalmente.

O carro passou por um período de testes e mapeamento inicial, mas o sistema de ‘pente-fino’ que gera ordens de serviço automáticas para a Prefeitura ainda não estava rodando na prática até o fim de dezembro. Sem essa ‘conversa’ entre os computadores, o carro vira apenas um ‘carro com câmera’, pois o buraco detectado não vira automaticamente uma equipe de asfalto saindo para a rua.

E mesmo quando a conexão for restaurada, o investimento milionário será excelente para asfalto liso de cidade plana, mas pode falhar nas (muitas) subidas e paralelepípedos de Blumenau. Falha de planejamento técnico que já está custando muito caro.

A inciativa, foi ótima. A execução, não. Talvez em um ano as coisas tenham se acertado – e esperamos que sim – e que esse Kwid se torne o maior aliado que a manutenção viária da cidade já conhecera. Mas analisando o ano de 2025, os desdobramentos foram péssimos.

Contratação e execução do Carro Caça Buracos: 1.1 – muito ruim

Por fim, nos resta analisar a relação entre o prefeito e os 15 vereadores da cidade.

Grosso modo, poderia ser melhor. Por mais que compreendamos a escolha estratégica de blindá-lo de pedidos que nem sempre visam o interesse da comunidade, houve um desgaste inegável entre o prefeito, a oposição e sua própria base no PL.

Egídio Ferrari herdou uma prefeitura falida e bagunçada por gestões que se não foram corruptas, foram fragorosamente incompetentes. Para arrumar a casa, ele contou com seus secretários em algo que quase pode ser chamado de ‘comitê de emergência’. Dessa forma, a maior parte do seu foco ficou em executar obras e conseguir fundos para tanto.

Por outro lado, a Câmara tem sido presidida por Ito de Souza (PL), seu colega de siga. Ito é conhecido por ter coragem, uma personalidade forte e atacar problemas de frente. Pessoas com esse perfil, gostam de fazer as coisas de seu próprio modo.

E foi então que as personalidades de ambos se chocaram.

Egídio buscava aumentar sua influência no Legislativo de uma forma que não foi bem recebida por todos. Ito atacou publicamente as más praticas de nomes ligados ao Executivo – como Norberto Ramalho – e a disputa se intensificou no final do ano.

Se no primeiro trimestre a prefeitura viu a escolha do prédio do antigo S.O.S. Vestiba como nova sede da Câmara, a desistência – e forma como foi publicizado o retorno à intenção de construir um prédio na Rua das Palmeiras – não foi bem aceita. Afinal, para um prefeito, uma obra que gastará milhões em ano de crise é impopular. Contudo, algo vai ter que sair do papel.

Egídio não tem más intenções. Ito não é uma pessoa difícil de lidar. E o PL é um ninho de cobras – seja em qual esfera for – ambos, em um momento ou outro, se acertarão.

Contudo, o prefeito precisa melhorar sua articulação política. O ataque covarde contra Malu Fusinato por parte do suplente de uma sigla ridícula que nem deveria existir prova ainda há muito o que se amadurecer nas relações entre o Executivo e o Legislativo de Blumenau.

Relações políticas entre o prefeito e o legislativo: 3.0 – regular

Agora que já avaliamos as principais ações do prefeito Egídio Ferrari nas últimas 55 semanas, só nos resta fazer uma dura, porém necessária, pergunta:

Egídio tem sido melhor do que Mário Hildebrandt?

Vamos começar de forma direta: Mário não foi um bom prefeito. Até começou bem, mas seu perfil logo transicionou de algo técnico para meramente político com uma nítida meta de consolidar ser grupo no poder e planos de projeção.

O que faz sentido, afinal sua melhor qualidade sempre foi saber em qual onda surfar para almejar o que deseja: assim se tornou vereador, presidente da Câmara, vice-prefeito e, por fim, prefeito. Mas seu mandato enfrentou críticas severas sobre a qualidade dos serviços públicos e a transparência.

Sua relação com a Blumob foi de excessiva condescendência. Permitiu que a tarifa se tornasse uma das mais caras do Brasil, aceitou cortes em linhas e horários sob o pretexto da pandemia que jamais voltaram aos patamares anteriores e injetou dezenas de milhões de reais em subsídios diretos para a Blumob sem nenhuma contrapartida em melhoria nos serviços.

Quem vence no Trânsito? Egídio.

O Turismo da gestão Hildebrandt, de fato, foi profissionalizado. Mas o desvirtuamento da Oktoberfest – que mais parecia uma ‘micareta chique’ – o pagamento de um valor extorsivo por uma ridícula estátua de Ovo de Páscoa, o pouco caso que levou a Thapyoka a deixar a cidade e os altos gastos da decoração natalina tiraram completamente qualquer mérito seu.

Egídio nos deu a melhor Oktoberfest de todos os tempos (e com lucro recorde), entregou a Prainha e uma das mais belas decorações de Natal que a cidade já viu.

Quem vence no Turismo? Egídio.

Quando o assunto é Segurança Pública, Mário também não foi bem. Enquanto o efetivo era escanteado, a Guarda Municipal de Trânsito era cobrada para arrecadar mais multas. Uma multidão de mendigos infestou as ruas da cidade e, com a certeza de um Executivo frouxo, problemas de ordem social aumentavam enquanto a Assistência Social era cobrada por sua ineficiência. A pichação avançou até sobre prédios históricos e tanto motos ruidosas quanto som auto em postos viu um grande aumento pela falta de fiscalização.

Em contra partida, Egídio Ferrari espantou a horda de pedintes que contaminava a cidade, ordenou blitzes para garantir o respeito à Lei do Psiu e criou a Lei Antipichação.

Quem vence na Segurança Pública? Egídio.

Já na Educação, a gestão de Hildebrandt se viu obrigada pela Justiça a comprar vagas em escolas particulares para tentar diminuir o déficit em creches... que ainda existe. Mas seu calcanhar de Aquiles foi o escândalo da Risotolândia, que envolveu suspeitas de superfaturamento e irregularidades no fornecimento da merenda escolar. Sua tentativa de evitar a abertura de uma CPI alimentou a narrativa de que o governo escondia o problema.

Nesse ponto, a administração Ferrari não fez grandes avanços, mas executou o básico corretamente e se manteve moralmente íntegra, apesar dos escorregões para lidar com tantos problemas deixados pela ingerência de quem o antecedeu.

Quem vence na Educação? Egídio.

No campo dos esportes, a gestão de Hildebrandt se saiu bem. Blumenau manteve o protagonismo nos JASC e atletas continuaram recebendo um bom apoio. A municipalização do Sesi foi um processo lento e arrastado, mas foi bem executada e teve a conclusão que se esperava.

Pelo menos no ano que passou, Egídio não teve um desempenho impressionante nos esportes. Ginásios de bairro foram reformados – e isso é um grande mérito – mas o destino do Complexo do Sesi ainda é uma interrogação contumaz.

Quem vence nos Esportes? Mário.

Mas quando falamos em escândalos e corrupção, a coisa fica feia.

A gestão de Hildebrandt foi envolvida em inúmeras denúncias e acusações sérias. Para citar, temos a Operação Control C – que investigou irregularidades em contratos de tecnologia e impressão – e a Operação Alta Tensão – que focou em crimes contra a administração pública e licitações. Isso sem mencionar os envolvidos com possíveis esquemas em roçadas e a condenação de ex-diretores do Samae por desvio de recursos públicos.

Do outro lado do corner, não há ninguém que possa acusar Egídio Ferrari de nenhum tipo de ato questionável. Quando dois de seus indicados se envolveram em escândalos, foram afastados. Além de ter colaborado com todas as investigações quando solicitado.

Quem vence em Moralidade Pública? Egídio.

Na Saúde a coisa foi um pouco melhor. Mário atrasou repasses que turvaram sua relação com o Hospital Santo Antônio, mas ao seu favor está o fato de que inaugurou diversos Postos de Saúde e Ambulatórios Gerais (embora a falta de médicos especialistas continuou gerando fila).

Mas Egídio não foi tão melhor. Sob sua gestão, a Policlínica foi perdida para Indaial e a parceria com o Hospital Universitário soa como um mero prêmio de consolação.

Quem vence na Saúde? Mário.

A BRK é a empresa mais odiada de Blumenau. O que eles fazem com Blumenau deveria ser tipificado no Art. 213. A gestão Mário foi leniente – ou covarde – deixando que houvesse taxas de 100% sobre o consumo de água, buracos largados no asfalto após obras de esgoto e demora no cronograma de expansão. O que eles quiseram, foi deixado que fizessem.

Egídio herdou esse problema que tem mais de uma década. De brinde, recebeu a CPI do Esgoto. Mas usou-a como trampolim e se saiu muito bem revogando um aditivo impopular.

Quem vence no Saneamento? Egídio.

A duplicação da Ponte da Ponta Aguda foi uma obra profundamente mal pensada que sai de frente para o Tip Tim (que tem excelentes lanches, à propósito), recebeu a pintura mais cafona que foi possível e uma tentativa vergonhosa de copiar a Pont des Arts de Paris. A pintura da Ponte dos Arcos é de um tom de amarelo horroroso, a Cascata no Frohsinn virou motivo de piada (uma obra de arte capiau), o Complexo do Badenfurt avançou com prazos estouradas e a Margem Esquerda levou tantos anos pra ser continuada que virou lenda urbana. Isso sem falar em uma reforma na Ponte do Centro Histórico que levou inacreditável UM ANO.

Em 12 meses Ferrari entregou a Prainha e a Margem Esquerda (obras que, sejamos justos, iniciaram desde muito antes dele começar), fez a Ponte da Praça do Estudante e entregou o Complexo do Badenfurt. E suas são belas. Nada provinciano ou caipira.

Quem vence em Entrega de Obras: Egídio.

O asfalto de Hildebrandt – apelidado de ‘casca de ovo’ – abria buracos a cada chuva. E isso foi recorrente. O sistema de drenagem em bairros (como a Velha e a Itoupava Central) não acompanhou o crescimento, gerando alagamentos crônicos. Teias de aranha e mato alto em praças centrais tornaram-se símbolo de um governo focado em grandes obras, mas que esqueceu a zeladoria básica. A RekParking – a quem a Área Azul – foi entregue, acabou sendo alvo de críticas pela rigidez na aplicação de multas e falhas no aplicativo, com pouco movimento da prefeitura para suavizar o sistema para o usuário. A Rodoviária permaneceu em estado deplorável (banheiros ruins e goteiras), mas o Aeroporto Quero-Quero recebeu melhorias na pista.

Entretanto, o asfalto da administração Ferrari tem demonstrado ter uma qualidade bem maior, assim como o serviço de drenagem que tem evitado tantos alagamentos e a zeladoria (como roçadas e manutenção de praças). A Rodoviária foi concedida à iniciativa privada, mas nada mudou por ora. Idem o Quero-Quero, que continua como era dois anos atrás.

Quem vence em Entrega de Obras: Egídio.

Por fim, a relação de Mário Hildebrandt com a Câmara foi admirável. Ele montou uma ‘tratoragem’ legislativa. Com uma base aliada fortíssima liderada por Jovino Cardoso (PL) – considerado por seus pares um dos melhores líderes que um prefeito pode ter – e bem alimentada com cargos, ele teve pouquíssima resistência. Projetos polêmicos passavam sem debate profundo e tentativas de CPIs eram sistematicamente enterradas pela base.

Esse é possivelmente o ponto mais frágil da gestão Ferrari. Ele ainda não conseguiu formar uma estrutura legislativa robusta. Sua intransigência para ceder cargos apenas para pessoas tecnicamente qualificadas é tão positiva para a cidade quanto negativa para sua ligação com os vereadores. E não nos enganemos: é muito difícil governar com uma Câmara desfavorável. Sua demora para encontrar um líder de governo apenas confirmou esse ponto fraco.

Quem vence em Articulação Política Municipal: Mário.

Objetivamente: Egídio venceu em oito dos doze tópicos que destacamos. E isso é muito.

Falando com franqueza, Egídio Ferrari fez mais pela cidade de Blumenau em um ano de governo do que Mário Hildebrandt fez em quase sete anos ocupando a mesma cadeira.

E, por favor, não pensem que é implicância. Mário é uma pessoa agradável e certamente fez o que estava ao alcance de suas possibilidades para ser um bom prefeito. Mas para analisar o atual, é necessário traçar um comparativo com o anterior. E foi isso que fizemos.

Em um primeiro momento pensamos em comparar apenas o primeiro ano de Mário com o primeiro ano de Egídio, mas o excesso de tempo e acontecimentos (incluindo uma pandemia global) inviabilizariam a seriedade da análise. Então pensamos em comparar o primeiro ano de Egídio com o último de Mário, mas o resultado seria tão desvantajoso para Mário que optamos fazer da forma que fizemos.

Lembrando, claro, que sempre fazemos a análise baseada em dados concretos e objetivos. Sem proselitismo. Sem torcida. E, às vezes, a análise surpreende até a nós mesmos.

Afinal, Egídio Ferrari foi um bom prefeito em seu primeiro ano de mandato?

A resposta curta e direta é: sim.

Um pouco mais acima, no tópico ‘Como Egídio reagiu às suas principais crises, desafios e como suas Secretarias responderam?’ atribuímos notas e 26 itens que analisamos sobre ele.

A somatória de cada uma das notas meramente opinativas que atribuímos foi 109.3, dando uma média de 4.2. Dessa forma, seguindo as regras do nosso próprio parâmetro pessoal de avaliação, podemos classificar seu desempenho como bom. Quase muito bom.

E isso é melhor do que parece. Ele herdou uma prefeitura falida e caótica que precisou organizar, atrair receitas e lidar com as polêmicas criadas antes dele. Não fosse isso, certamente sua nota poderia ter sido consideravelmente melhor.

Durante sua campanha para prefeito, nas Eleições de 2024, ele – assim como todos os candidatos – tinha sua própria plataforma com suas propostas caso fosse eleito.

Entre elas, estavam:

  • Adequar serviços de reabilitação para crianças neuroatípicas;
  • Ampliar exames e consultas especializadas nos AGs, com parcerias privadas;
  • Ampliar o atendimento nos CRAS e CREAS, além de firmar parcerias com ONGs;
  • Ampliar o incentivo para o restauro e recuperação dos patrimônios históricos;
  • Ampliar o monitoramento por câmeras inteligentes;
  • Apoiar atletas de alto rendimento com bolsas e tecnologias;
  • Aumentar academias ao ar livre e quadras poliesportivas;
  • Aumentar vagas na educação infantil e escolas em tempo integral;
  • Buscar recursos para revitalizar museus e acervos;
  • Criar uma Guarda Municipal armada integrada às forças de segurança;
  • Desenvolver o app Blumenau+Segura para denúncias e alertas em tempo real;
  • Executar o projeto mobilidade urbana do Corredor Estrutural Norte;
  • Expandir modelo cívico-militar e programa Escola+Segura para capacitações;
  • Expandir o Cadastro Único e programas de prevenção a drogas e violação de direitos.
  • Fomentar economia criativa com editais, festivais e descentralização de eventos;
  • Fortalecer a Estratégia Saúde da Família e equipes multiprofissionais;
  • Fortalecer núcleos esportivos nos bairros e parcerias com escolas;
  • Fortalecer o Conselho Municipal da Juventude e criar fundo específico;
  • Expandir o ID Jovem para acesso cultural;
  • Fortalecer programas de inclusão no mercado de trabalho e empreendedorismo;
  • Garantir acessibilidade para pessoas com deficiência em serviços públicos e eventos;
  • Implementar o Festival Jovem de Blumenau e espaços para esportes radicais;
  • Implementar prontuário eletrônico unificado e sala de situação para eficiência;
  • Investir em infraestrutura, uniformes e materiais escolares;
  • Manter avanços na educação especial e impedir ideologia de gênero nas escolas;
  • Melhorar a iluminação pública para coibir crimes;
  • Modernizar instalações e captar eventos esportivos;
  • Modernizar o AlertaBlu e aprimorar a Defesa Civil;
  • Modernizar revista Blumenau em Cadernos e projetos de leitura;
  • Vedar conteúdos contra a lei e moral em atividades culturais;

Separamos apenas 30 das muitas propostas que ele apresentou.

Dessas, cerca de 40% estão totalmente cumpridas ou já apresentam avanços concretos, como as melhorias na iluminação pública, a ampliação do videomonitoramento, medidas de otimização dos serviços de saúde, criação de estruturas desportivas nos bairros, modernização do AlertaBlu e reforço na abordagem social, além do início de obras como o Corredor Norte.

Algo em torno de 15% estão em fase de planejamento, como ampliação de exames nos AGs, parcerias com ONGs, a Guarda Municipal armada, diretrizes sobre educação especial.

E outros 45% ainda não foram cumpridos. Entre eles, o apoio a atletas de alto rendimento, a criação do Festival Jovem de Blumenau, a modernização da revista Blumenau em Cadernos, a vedação a pautas ideológicas ou a criação do Blumenau+Segura.

Em seu primeiro ano, ele tem parecido focar nos problemas estruturais mais complexos, como quem faz uma limpeza pela parte mais difícil e deixa o acabamento para o final.

E não sejamos injustos: um prefeito fica quatro anos no cargo. Se ele cumpre 25% de suas promessas de campanha por ano, ele já está fazendo mais do que praticamente qualquer político na História do Brasil já fez. E – dos 30 itens que selecionamos – Egídio cumpriu cerca de 40%. O que já o coloca em um patamar muito alto e revisa a nota que demos a ele alguns parágrafos acima para 4.8. Ou seja, muito bom.

Se não fosse tão desafiador manter Blumenau como uma das melhores cidades do Brasil para se viver, perigaria ele chegar à metade do seu mandato e ficar entediado por já não ter mais nada a fazer. Mas, claro, os desafios ficarão cada vez piores.

A verdade é que Egídio focou seu primeiro ano de governo na gestão pragmática e focada em problemas estruturais complexos. Ele conseguiu humanizar o cargo, aplicar seu histórico como delegado para impor lei e ordem na cidade, se dedicou a em resolver os problemas mais difíceis primeiro e demonstrou habilidade de articulação o suficiente para colocar concessionárias como Blumob e BRK em xeque.

Contudo, ao mesmo tempo em que foi exitoso em trazer o Arcanjo-03 de volta, falhou pesadamente na perda da Policlínica Regional.

Entre seus maiores méritos, estão a redução de 99,7% nos casos de dengue através de estratégias tecnológicas como o Método Wolbachia, a necessária limpeza das ruas de Blumenau da mendicância e as entregas tanto da Prainha quanto da Margem Esquerda.

Seu sucessor foi um oponente relativamente fácil de vencer cujas ações iam de obras inócuas com estética risível a iniciativas deploráveis como aquele vídeo vergonhoso gravado da Oktoberfest de 2023 alertando os ladrões sobre a segurança da festa. Ainda assim, o mérito foi grande. E, além do mais, seu governo tem sido ético. Uma raridade no Brasil.

Contudo, Ferrari está criando para si mesmo um problema sem perceber: ele estabeleceu em seu primeiro ano um padrão de excelência muito alto... difícil de bater. Será que no segundo ano vai continuar no mesmo nível de qualidade executiva? Resta esperar mais 12 meses.

Por enquanto, ele não tem sido muito diferente do Capitão Nascimento, o filme do qual gosta: é um policial com uma missão que entrou em um meio consideravelmente corrupto, fez a máquina funcionar e impôs uma moralidade pública que poucos tentaram impor. Se continuar nesse ritmo, em 2030, quem sabe ele entregue uma prefeitura consertada a um sucessor, mire tudo que há de errado na Casa d'Agronômica e também diga: “o inimigo agora é outro”.


>> SOBRE O AUTOR

Rick

>> COMPARTILHE