Aliança PL e NOVO: o que muda para Blumenau e o futuro de SC

Sunday, 25 January 2026
A união entre Jorginho Mello e Adriano Silva redefine a oposição na Câmara de Blumenau e projeta o estado como peça-chave na sucessão presidencial.
A política catarinense sofreu um abalo sísmico nesta semana com o anúncio oficial da chapa para a reeleição ao Governo do Estado. Em um movimento estratégico, o governador Jorginho Mello (PL) confirmou o prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), como seu pré-candidato a vice-governador para o pleito de 2026. A decisão, confirmada em 23 de janeiro, não apenas consolida a união das maiores forças de direita do estado, mas altera profundamente o tabuleiro político aqui em Blumenau.
O efeito dominó na política blumenauense
Para o eleitor de Blumenau, a aliança estadual traz uma nova realidade prática. O Partido Novo, que historicamente mantinha uma postura de independência e fiscalização rigorosa — exemplificada pela atuação do vereador Diego Nasato em temas sensíveis como a CPI do Esgoto — agora passa a integrar a base aliada do projeto liderado pelo PL.
Essa convergência deve arrefecer os ânimos na Câmara Municipal. Se nas eleições de 2024 o clima entre as coligações de Egidio Ferrari (PL) e Odair Tramontin (Novo) foi marcado por disputas judiciais e troca de acusações sobre irregularidades em propagandas, o cenário para 2026 é de 'bandeira branca'. A administração municipal tende a encontrar um Novo muito mais colaborativo, visando a unidade do projeto estadual.
Santa Catarina como laboratório para o Brasil
A análise fria dos fatos revela que o acordo em solo catarinense é, na verdade, um balão de ensaio nacional. O objetivo da cúpula do PL é usar o sucesso da aliança Mello-Silva para pressionar o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), a aceitar o posto de vice em uma eventual chapa encabeçada por Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República.
Santa Catarina é vista como o case de sucesso ideal: um estado onde a pauta conservadora é dominante — evidenciada pela recente sanção da lei que extingue cotas raciais em universidades estaduais, defendida por Jorginho sob o argumento da meritocracia — e onde a eficiência administrativa do Novo pode ser fundida ao capital político do PL.
O futuro das cadeiras no Senado
Com a chapa majoritária definida, a corrida pelas duas vagas ao Senado em 2026 entra em nova fase de ebulição. A aliança PL-Novo obriga um rearranjo imediato entre outros nomes do bolsonarismo catarinense que pleiteiam o Congresso. Em Blumenau e região, as lideranças locais agora calibram o discurso para se adequar a esta nova 'super-coalizão', que promete hegemonia, mas também exige sacrifícios de candidaturas isoladas em prol da unidade direta.