Avaliação dos vereadores de Blumenau no ano de 2025

Avaliação dos vereadores de Blumenau no ano de 2025
Foto: Divulgação

Monday, 26 January 2026

Analisamos os principais projetos, posicionamentos e iniciativas, nos perguntando: eles honraram seus votos com sua base? Também classificamos o desempenho da Câmara como instituição.

Mais um ano chegou e, com ele, nossa tradicional avaliação anual do Legislativo Municipal dos doze meses que se passaram. Algo que fazemos desde 2012.

Mas antes é sempre bom deixar claro o que faz o vereador.

A ele compete criar novas leis, votar aquelas propostas por seus pares, debater o Plano Diretor da cidade, definir o destino do Orçamento Municipal, fiscalizar as ações da Prefeitura, analisar a aplicação de recursos em áreas específicas, solicitam esclarecimentos (sobre gastos ou andamentos de obras), representam a comunidade, pedem obras pontuais ao Executivo e criam comissões técnicas que analisam a legalidade dos projetos ao transporte público.

Além disso, também têm importantes procuradorias (como a Procuradoria da Mulher) e abrem espaço para líderes comunitários levarem suas demandas ao conhecimento de todos.

A Câmara de Blumenau conta com 15 vereadores, além de uma emissora de televisão (TVL), uma estrutura que oferece cursos de capacitação para os seus servidores e a Câmara Mirim, que prepara jovens para o mundo adulto com lições cívicas de grande valor.

Administrando a Casa, está a Mesa Diretora: composta por um presidente, um vice-presidente e dois secretários. É ela quem dirige os trabalhos legislativos e administra a gestão local, sendo eleita a cada dois anos. Também é quem define os diretores geral, de comunicação, etc...

Os parlamentares podem se dividir em blocos – como a oposição – e o prefeito determina seu líder de governo, que é quem representa seus interesses no Poder Legislativo.

Agora vamos diretos às análises (em ordem alfabética):

Adriano Pereira (PT)

Pereira sempre se destacou por fazer uma oposição coerente. Diferente de muitos oposicionistas histriônicos e midiáticos, ele não faz política com o estômago: sabe como criticar sem perder a credibilidade ou fechar portas para si no Executivo.

No ano que passou, articulou diversas emendas para a Saúde, conquistou recursos para a pavimentação da Rua Júlio Alpen, viabilizou a compra de uma caçamba truck para auxiliar as famílias produtoras da área rural de Blumenau e manteve seu atendimento à comunidade.

Contudo, em seu desfavor, sua posição de antagonismo partidário ao prefeito limitou sua capacidade de aprovar Projetos de Lei, tornando-o dependente de emendas externas advindas de outros parlamentares, como deputados. Adriano também não foi autor de nenhum projeto de grande visibilidade, relegando-o ao básico. Algo que ele fez muito bem.

Por um curto período de tempo, precisou se ausentar por questões de saúde, mas já retornou e parece gozar de boa saúde, demonstrando uma franca recuperação.

Seu eleitor é territorial, estando majoritariamente nas regiões Oeste e Norte da cidade. Locais com grande densidade populacional, muitas vezes periféricas, onde as demandas por infraestrutura básica (asfalto, calçadas, roçadas) são constantes. Ele é visto como um elo entre o Poder Público e uma comunidade que conta com ele para melhorar os locais onde vivem.

Ele foi eleito, grosso modo, por pessoas que buscavam alguém que lutasse por suas demandas.

Em uma época onde seu partido era visto quase como uma doença contagiosa – perdendo eleitores e quadros – Adriano demonstrou resiliência e lealdade, garantindo seu espaço.

Ele não é apenas um parlamentar ideológico de Esquerda, mas sim um líder de base territorial e de classe trabalhadora. E seu eleitor divide esse perfil com ele. Mesmo em uma cidade predominantemente conservadora, ele conseguiu se estabelecer com certa tranquilidade.

Grande parte de seus votos vem por indicação de líderes comunitários, presidentes de Associações de Moradores e pequenos comerciantes locais que o veem como um dos poucos a quem podem recorrer e que os atende quando eles mais necessitam.

Honrou votos em 2025?
Sim

Alexandre Matias (PSDB)

Matias passou por uma abrupta transição entre o Poder Executivo – onde foi secretário por um bom tempo – e o Poder Legislativo. Manteve uma atuação técnica relevante em comissões estratégicas (como a de Educação e a de Finanças) onde analisou projetos com foco em responsabilidade fiscal. Aprovou, por exemplo, o importante projeto de lei que autoriza a instalação de câmeras de monitoramento em salas de aula.

Foi presidente da Comissão de Acompanhamento das Obras da Barragem de José Boiteux, focando na prevenção de enchentes no Vale do Itajaí, e trabalhou pela implantação de uma rotatória no cruzamento das ruas José Deeke e Benjamin Constant.

Foram 12 projetos de lei de sua autoria aprovados.

Representando a Câmara em reuniões na ALESC para destravar a mobilidade na região Norte da cidade e atuou ativamente na cobrança pela retomada de obras estaduais, como a SC-108.

Contudo, não podemos deixar de mencionar a crise da merenda, que quase virou uma CPI e colocou sua gestão como secretário de Educação em xeque. Escolas blumenauenses relataram, no começo do ano, falta de alimento, de cozinheiras e um contrato financeiramente extorsivo praticado pela então fornecedora, Risotolândia.

Mas em uma jogada política muito inteligente, o próprio Matias assinou o pedido de abertura da CPI da Merenda, antecipando sua defesa e demonstrando coragem ou honestidade. Mesmo assim sua credibilidade saiu lesada e sua capacidade como gestor, questionada.

Seu perfil eleitoral traz muitas pessoas preocupadas com a ordem e a infraestrutura educacional. Seu canal aberto com conselhos de Educação e Associações de Pais e Professores o tornam alguém que conhece os caminhos da burocracia municipal e sabe como destravar recursos para reformas em escolas.

Seu eleitorado transita entre a Classe Média Urbana e a Classe Trabalhadora que depende exclusivamente da Rede Municipal de Ensino. Ele atrai quem prefere um perfil técnico a um discurso populista e quer a máquina pública funcionando, mas sem radicalismos ideológicos.

Partidariamente, sua saída precoce do governo Egídio Ferrari gerou especulações sobre perda de espaço político do PSDB e dificuldades de articulação com o novo prefeito.

Para o veredicto abaixo, não iremos levar em consideração a polêmica com as merendas por um motivo muito lógico, mas que precisa ser explicado porque muitas pessoas têm uma lamentável dificuldade em entender o óbvio: o estamos analisando como vereador no ano passado, não como secretário no governo Hildebrandt.

Honrou votos em 2025?
Sim

Almir Vieira (PP)

Ano a ano Vieira se consolida como um articulador político competente que cria resultados objetivos e constrói pacientemente – nos bastidores – uma carreira sólida e proeminente.

Ele encerrou o ano com um dos maiores volumes de proposições legislativas da Casa, com um volume massivo de zeladoria urbana (protocolando milhares de requerimentos, indicações, ofícios e projetos por toda a cidade), conseguindo uma série de recursos para áreas como a Saúde e até mesmo recebendo um prêmio nacional pelo seu importante projeto de internação involuntária para dependentes químicos em Blumenau.

Mas nem tudo foram apenas elogios. Por mais que seu prolífico trabalho tenha sido excepcional na zeladoria, careceu de um projeto que abrangesse Blumenau no macro, como diversas vezes ele já havia feito em anos passados.

Seu eleitorado é fiel e pragmático, buscando resultados imediatos em infraestrutura e atendimento direto. Sua base eleitoral geográfica é forte e concentrada, ele acompanha obras de pavimentação, conserto de tubulações e roçadas de forma que passe uma firme impressão de que a prefeitura sempre atende às suas solicitações. Solícito e acessível, com o tempo deixou a postura de militar linha-dura e se tornou mais acolhedor, conquistando uma considerável parcela do eleitorado feminino dos bairros.

O eleitor de Almir não costuma votar por grandes pautas ideológicas ou debates filosóficos. É o morador da Classe Média baixa e trabalhadora que quer a rua sem lama, o Posto de Saúde funcionando e o transporte coletivo com horários em dia. Tende a ter uma conexão maior com o eleitor de meia-idade e idosos, que têm uma cultura política mais voltada para o ‘apoio ao representante da comunidade’ e para a política tradicional de presença física.

Honrou votos em 2025?
Sim

Bruno Cunha (Cidadania)

Bruno é um dos maiores nomes do Bem-Estar animal na cidade. Junto ao nome do próprio prefeito e da lendária Dona Lúcia, não há outro protetor mais conhecido do que ele.

Graças aos seus esforços, mais de 11 mil animais foram castrados e microchipados através de mutirões mensais descentralizados. Criou o selo Pet Friendly para empresas que aceitam animais e o projeto Empresa Amiga dos Animais, que visa incentivar CNPJs a aderirem à causa.

Como presidente da Comissão de Educação, ele liderou debates importantes sobre a valorização salarial dos professores e a segurança psicológica no ambiente escolar (prevenção à automutilação, por exemplo). Manteve 100% de presença nas sessões da Câmara, dividiu sua equipe pelos 35 bairros garantindo um volume de mais de 2 mil proposições em um único ano e foi o autor de iniciativas que tornaram a festa mais sustentável, como a oferta de água filtrada gratuita.

Em contrapartida, não raras vezes foi criticado por parecer mais focado em seus nichos do que em debates como a macroeconomia ou grandes obras estruturantes (o que nem sempre é uma crítica justa).

Além disso, alguns de seus projetos aprovados dependem exclusivamente da vontade política do Poder Executivo para sair do papel, o que gera cobranças de sua base eleitoral quando a implementação é lenta. Outro ponto são suas pautas sobre diversidade, combate ao racismo nas escolas e Direitos da Juventude, que enfrentam forte resistência da ala mais conservadora da Câmara, o que por vezes isola seus projetos em votações em plenário.

O perfil do eleitor de Bruno é um dos mais distintos da Câmara, pois não se baseia apenas em uma região geográfica, mas sim em uma identidade de causas. Ele atrai um eleitorado jovem, urbano, escolarizado e com forte consciência social e ambiental.

Protetores independentes, voluntários de ONGs e tutores de pets veem nele o único representante que entrega resultados práticos, como os mutirões de castração e leis de acolhimento. Como uma comunicação moderna e direta, ele cria também uma forte conexão com a Geração Z e Millennials, pois seu eleitor geralmente possui Ensino Superior completo ou em curso. É o estudante que valoriza pautas como o passe livre, a valorização da cultura local, o apoio à juventude e a inclusão de minorias (como a comunidade surda e autistas).

O tipo de entrega que seu eleitor busca é exatamente o que recebeu dele no ano que passou.

Honrou votos em 2025?
Sim

Bruno Win (Novo)

Win está em seu primeiro mandato e, curiosamente, é o vereador independente de comissões que mais teve visibilidade para seus trabalhos, pautas, denúncias e reivindicações.

Teve participação direta na abertura da comissão para investigar o contrato da BRK Ambiental. Atuou contra reajustes tarifários e questionou o uso de caminhões limpa-fossa em áreas que já deveriam ter rede de tratamento. Organizou um movimento popular contra o aumento da tarifa de esgoto que reuniu mais de 4 mil assinaturas e realizou auditorias em contratos de aluguel da Prefeitura.

Apresentou um anteprojeto para digitalizar processos da administração pública (visando reduzir custos e aumentar a eficiência), propôs a vedação do uso de recursos públicos para apoiar entidades envolvidas em invasões de propriedades e liderou a articulação que resultou na rejeição do projeto Programa de Eficiência Tributária, por considerar que a medida aumentaria a pressão arrecadatória sobre o contribuinte.

Um parlamentar focado na fiscalização técnica, no combate ao aumento de impostos e na digitalização da máquina pública, ele assumiu o papel de uma oposição técnica e vigilante.

Trouxe para o debate legislativo pautas de Cidades Inteligentes, como o anteprojeto Blumenau Sem Papel, focando na eficiência administrativa e redução de custos operacionais.

No entanto, por adotar uma postura de fiscalização rigorosa e muitas vezes ‘confrontadora’ em relação aos gastos do Executivo, enfrentou barreiras para aprovar projetos que dependiam de consenso político com a base governista. Além disso, grande parte de sua energia foi gasta em fiscalizar processos existentes ou barrar projetos do governo, o que, para parte do eleitorado, pode passar a impressão de um mandato mais reativo do que proativo.

Suas tentativas de desburocratização (como na Quota de Drenagem Sustentável) enfrentaram resistência técnica de setores da própria prefeitura, atrasando a votação de mudanças que beneficiariam a construção civil.

O perfil do eleitor de Bruno Win é técnico, empreendedor e fiscalizador. Diferente de políticos tradicionais que baseiam seus votos na troca de favores ou em redutos isolados, sua base vota por alinhamento de valores e pela expectativa de uma gestão pública eficiente.

São micro, pequenos e médios empresários, além de profissionais liberais, inconformados com o peso do Estado, buscando alguém que lute contra o aumento de taxas e que desburocratize processos, como a abertura de empresas e a emissão de alvarás e que prezam pela liberdade econômica e o indivíduo como agente de mudança.

Honrou votos em 2025?
Sim

Cristiane Loureiro (Podemos)

Poucas pessoas em Blumenau estão tão intrinsicamente atreladas a palavras como ‘cuidado’ e ‘acolhimento’ quanto Cristiane, desde antes de sua passagem pela Pró-Família.

Em seu segundo mandato, ela articulou, junto ao deputado Napoleão Bernardes, repasses de R$ 1,2 milhão distribuídos entre o Hospital Santo Antônio, Renal Vida e Hospital Misericórdia. Criou a Semana Municipal de Conscientização à Saúde da Mulher no Climatério e na Menopausa e instituiu o Programa Força Delas, oferecendo aulas gratuitas de defesa pessoal para mulheres em situação de vulnerabilidade.

Além disso, garantiu o direito a bolsas de 60% na FURB para ex-estudantes do Pró-Família após dois anos de participação, conseguiu oito casinhas para cães que vivem em terminais de ônibus e propôs regulamentação para bicicletas elétricas e ciclomotores.

Outra de suas iniciativas mais impactantes foi a comissão especial que resultou na retirada de vagas pouco usadas e na ampliação do tempo de permanência para até três horas em alguns bairros na Área Azul da cidade (que estava sendo abusivamente colocada em qualquer lugar).

Em seu desfavor, embora seja muito produtiva em zeladoria (com 229 indicações), seu mandato é menos expressivo em grandes debates de engenharia viária ou desenvolvimento econômico macro, áreas dominadas por outras bancadas, além de suas entregas dependerem de sua relação com deputados específicos.

Alguns críticos apontam que seu perfil acolhedor a leva a evitar embates políticos frontais com seus pares, mas num país doentiamente polarizado isso passa longe de ser um defeito.

Seus eleitores estão focados em causas sociais, com uma base de apoio que atravessa a cidade, mas que se concentra em nichos demográficos e temáticos muito claros: mulheres, idosos e famílias atípicas. Cristiane é vista como uma das principais vozes femininas na política local e consolidou um novo perfil de eleitor: o de famílias com crianças com necessidades especiais e protetores de animais.

Sua base está espalhada pela cidade e espera dela portas abertas para causas que exijam graus de empatia que nem todos os parlamentares são capazes de demonstrar.

Honrou votos em 2025?
Sim

Diego Nasato (Novo)

Seu mandato foi fincado sobre alicerces rígidos de austeridade, fiscalização e articulação de recursos. Ao abrir mão do uso de carro oficial, coordenação política, telefone, diárias e material de expediente, economizou quase R$ 150 mil em seu gabinete.

Levou mais de 700 demandas ao Executivo para melhorias em infraestrutura, mobilidade, saúde e educação, ajudou a viabilizar mais de R$ 8,5 milhões em recursos e deixou uma bem embasada impressão ideológica, não se furtando jamais de defender suas crenças.

Teve um excepcional desempenho como vice-presidente da Mesa Diretora, mas foi na CPI do Esgoto que seu trabalho brilhou: como presidente da comissão, defendeu a contratação de uma empresa técnica para realizar auditoria financeira e jurídica no contrato de saneamento da cidade e teve uma importância indiscutível para barrar os desmandos da BRK.

Sua liderança, transparência e honestidade certamente foram os princípios que nortearam seu desempenho, mas também houve críticas e pontos que merecem análise.

Como um parlamentar de oposição independente, encontrou certa dificuldade para receber apoio do Executivo para muitos de seus projetos e indicações. Seu papel como fiscalizador das fiscalizações – no melhor estilo ‘who watches the watchmen’ – é fundamental, mas muitas vezes o afastou das grandes discussões de impacto social direto e subjetivo, concentrando-se quase totalmente em métricas financeiras e contratuais.

Houve críticas sobre sua postura de enfrentamento com a AGIR, mas, honestamente, seu papel foi correto e, nesse caso, seus críticos estão errados.

Nasato é uma pessoa talentosa, comprometida e inteligente. Tem demonstrado uma postura honesta e moderada, mas seu (brilhante) futuro político exige que ele evite se levar pelo fácil discurso liberal tão comum nas fileiras do Novo. Meritocracia, por exemplo, é uma belíssima ideia criada por Michael Young, mas na prática é muito menos exequível do que parece na teoria. E todo mundo que já conheceu uma ‘gostosa do escritório que progrediu sem apresentar resultados’ ou o ‘filho do amigo do chefe colocado em uma posição que não poderia exercer’ entende que o discurso vai só até a página 2...

 Nasato personifica a renovação técnica. Ele atrai eleitores jovens, empreendedores, pessoas que acreditam no mérito como a melhor forma de construir valor (o que, de fato, é), entusiastas do Livre Mercado, pessoas que abominam pautas progressistas e valorizam tanto austeridade quanto transparência e honestidade.

Seu eleitor geralmente é uma pessoa mais politizada, mais inteligente e mais crítico ao rumo das coisas, esperando que ele opere com a eficiência e integridade de um grande gestor.

Honrou votos em 2025?
Sim

Egídio Beckhauser (Republicanos)

Egídio Beckhauser é um nome conhecido na política local. Já esteve em posições que iam de secretário de Esporte a presidente da Câmara de Vereadores. E onde quer que esteja, sempre apresentou bons resultados. Seu retorno à Casa foi a correção de uma injustiça histórica.

Aprovou o projeto que cria áreas reservadas e tranquilas em eventos públicos municipais para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), instituiu um programa oficial da Prefeitura para a divulgação de fotos e informações de cães e gatos desaparecidos em canais oficiais, colaborou para que motoristas tenham direito a até 40% de desconto em multas de trânsito ao reconhecerem a infração e pagarem no prazo e garantiu o aumento do efetivo da Polícia Militar na cidade.

Atuou como relator da CPI do Esgoto e seu trabalho contribuiu para a revogação do 5º aditivo contratual com a BRK Ambiental, o que impediu um novo aumento na tarifa de esgoto para o cidadão. Além disso, articulou verbas para a revitalização da pista de atletismo do 23º Batalhão de Infantaria. Ocupou o cargo de 2º secretário da Mesa Diretora e teve um papel central como mediador entre os Poderes graças a sua expertise e experiência.

Criou a lei que permite à população retirar medicamentos no SUS mesmo com receitas de médicos particulares ou de planos de saúde, visando desburocratizar o acesso à saúde.

Na área do Desporto – de onde vem – ele é praticamente uma unanimidade. Quando os atletas do paradesporto perderam seu espaço de treino no SESI, foi a ele que recorreram. Aliás, falando em SESI, participou ativamente do processo de municipalização do Complexo Esportivo, visando ampliar o acesso da comunidade e reduzir gastos públicos com aluguéis.

Contudo, durante debates sobre empréstimos para obras centrais (como a passarela do Rio Itajaí-Açu), houve críticas no plenário sobre a falta de foco equivalente em infraestrutura nos bairros, tema que respinga nos vereadores da base. Crítica essa vazia ou não.

Sua posição é interessante. Ele age como um articulador e até moderador entre os poderes ao mesmo tempo em que rejeita vetos de interesse do Executivo sem que mude em absolutamente nada a celeridade com a qual seus projetos são aprovados. Isso demonstra equilíbrio político, maturidade parlamentar e uma boa reputação entre seus pares.

Seus eleitores valorizam resultados práticos, especialmente nas áreas de esporte, inclusão e causa animal. Como ex-atleta, técnico de futsal e ex-secretário municipal de Esportes, Egídio possui um eleitorado cativo no meio esportivo. Pais de alunos de escolinhas de esporte e profissionais da área, por exemplo, veem nele um técnico que entende a ‘ponta’ do serviço público. E ao expandir as competências da Comissão de Educação na Câmara para incluir o paradesporto e direitos PcD, ele atraiu um eleitorado que prioriza a acessibilidade e a equidade legal.

Seu voto é pulverizado e ele atrai o eleitor que busca estabilidade institucional. Sua experiência como ex-presidente da Câmara e ex-prefeito em exercício transmite uma imagem de político preparado e moderado. E seus posicionamentos apontam nessa direção.

Honrou votos em 2025?
Sim

Flavinho Linhares (PL)

Antes de mais nada vamos tirar o elefante da sala: o Tip Tim tem os melhores sanduíches da cidade. E se você discorda, está errado. Não é uma opinião negociável.

Flavinho está em seu primeiro mandato e aceitou um desafio que exigiu grande coragem: ser o aguardado líder de um governo que demorou um tempo recorde para nomear um. Para alguém em seu primeiro ano, foi certamente bastante desafiador.

Mas ele tem demonstrado bastante coragem. Quando a vereadora paulista Amanda Vettorazzo criou a necessária Lei Anti-Oruam – se colocando como alvo do crime organizado – Linhares foi o primeiro parlamentar blumenauense a ter coragem para comprar tal briga. Ele também apresentou um projeto que estabelece sanções e medidas administrativas contra invasões de imóveis (públicos ou privados) situados em áreas de risco, criando uma barreira que protege os cidadãos de movimentos criminosos e terroristas como o MTST.

Ele teve um importante papel na CPI do Esgoto tentando articular de forma a diminuir qualquer dano que por ventura pudesse respingar no prefeito e dedicou boa parte de seus esforços legislativos a garantir que a Segurança Pública de Blumenau se mantenha exemplar.

Consolidou-se na direita conservadora ao aprovar leis de forte apelo popular, garantiu a aprovação de reformas administrativas cruciais e aprovou o registro de entidades tradicionais como patrimônio imaterial (como o Choppmotorrad e o Männerchor Liederkranz), reforçando sua conexão com a identidade germânica de Blumenau. Sua influência só cresceu.

Em contrapartida, seu partido – o PL – é um lugar desarmônico onde o canibalismo político é quase regra, levando a rusgas desnecessárias, como a que teve com o ex-prefeito Mário Hildebrandt. Outra postura apontada como desnecessária são os embates ideológicos vazios contra as esferas federais do PT, muito além das competências de qualquer vereador. Mas, claro, rende votos. E ele aprendeu a impostar a voz sem gritar. Graças a Deus.

O perfil do seu eleitor é predominantemente conservador, alinhado à Direita Tradicional e com um forte vínculo com a Segurança Pública e os valores germânicos. Como um dos principais nomes do PL na cidade e líder do governo, seu eleitorado reflete uma mistura de ideologia política clara com uma demanda por ordem urbana.

E é justamente este o núcleo mais fiel do vereador: quem busca ‘lei e ordem’. Flavinho atrai cidadãos que priorizam o combate à criminalidade, ao vandalismo e às pichações, quem valoriza leis que punem invasões de terra e que restringem o uso de verba pública para manifestações culturais que consideram inadequadas e deseja sentir que a cidade limpa e sob controle.

Além disso, ele atrai o eleitor ideológico bolsonarista, antipetista e ligado às tradições. Ele é, com certeza, o mais bolsonarista de todos os vereadores da cidade e é justamente isso que seus eleitores esperam: total alinhamento com cada uma das pautas que eles defendem.

Honrou votos em 2025?
Sim

Gilson de Souza (União Brasil)

Ele é ranzinza, objetivo e não tem papas na língua, não diz nada simplesmente para agradar alguém, mas mesmo assim é amado por milhares de alunos para quem ensinou Matemática. Provavelmente é porque ele tem algo raro hoje em dia: autenticidade.

Às vezes saber como ele vai votar é uma caixinha de surpresas porque ele não tenta agradar absolutamente nada que não sejam suas próprias convicções.

Como presidente da Comissão de Educação, ele liderou uma audiência pública sobre Educação Especial, que impulsionou a construção do Plano Municipal de Educação Especial. Viabilizou a lei que obriga a divulgação da fila de espera do CEMEA (permitindo que famílias de crianças atípicas acompanhem o processo de atendimento), aprovou lei que exige a divulgação dos currículos acadêmicos e profissionais de todos os cargos comissionados da Prefeitura (secretários, diretores e gerentes) ganhando o Prêmio Boas Práticas da UVESC e garantiu emendas estaduais para a construção de novos parquinhos em educandários.

Seu mandato é marcado por uma fiscalização intensa e independência que não raramente o colocam em rota de colisão contra o Executivo.

Suas cobranças incisivas (como o pedido de CPI da Merenda) criaram atritos com a base governista, o que por vezes dificultou a tramitação rápida de alguns de seus requerimentos. Ademais, algumas de suas propostas aprovadas dependem de futuras concessões para entrar em vigor, o que gera uma percepção de demora nos resultados práticos para o cidadão comum. É o caso do Projeto de Lei nº 9234/2025, que estabelece a oferta de PIX e cartões como requisito obrigatório para novos contratos ou renovações de concessão, mas não pode ser executado no atual contrato da Blumob porque poderia gerar inconstitucionalidade.

O perfil de seu eleitor é um dos mais consolidados da cidade devido à sua tripla identidade: professor de carreira, líder comunitário e parlamentar técnico.

Seus ex-alunos, agora adultos e inseridos no mercado de trabalho, formam uma base fiel que o vê como uma figura de autoridade e integridade. Pais que acompanharam sua dedicação em sala de aula e em Associações de Pais e Professores (APPs) confiam a ele a fiscalização de pautas sensíveis, como a qualidade da merenda e a infraestrutura escolar. Pessoas que utilizam serviços públicos veem suas propostas como mais práticas e menos ideológicas.

O que seu eleitor busca é praticidade, fiscalização, honestidade e dedicação às suas pautas (principalmente na Educação, de onde vem).

Honrou votos em 2025?
Sim

Ito de Souza (PL)

Ito tem uma peculiaridade que seus pares não têm: ele é o atual presidente da Câmara. Sendo assim, devemos avaliar separadamente seu desempenho enquanto parlamentar e enquanto presidente.

Talvez a mais conhecida marca de seu mandato seja sua capacidade de fiscalizar e comprar brigas contra oponentes muitas vezes maiores do que ele. Fiscais corruptos por todo o município fogem dele como o diabo fugindo da cruz.

No ano que passou, suas denúncias derrubaram o intendente da Vila Itoupava, Norberto Ramalho, apontaram crimes ambientais na região norte e mantiveram o Executivo sob rédea curta. Por mais um ano conseguiu fazer valer sua estrela de ‘xerife’.

Garantiu verbas para pavimentação de ruas, viabilizou estacionamento gratuito para doadores de sangue no Hemosc, atuou em uma lei que amplia a capacidade de regularização fundiária (REURB), beneficiando mais famílias, destinou recursos para unidades escolares e propôs projeto de lei para ampliar incentivos e oportunidades para pequenas empresas em concorrências públicas municipais.

Continuou sendo o mais proeminente representante de importantes comunidades como o Salto do Norte e as Tatutibas e não fez vista grossa para aquilo que considerou errado.

Como presidente da Câmara, sua gestão foi focada em modernização e independência política.

Defendeu ativamente o fim do pagamento de aluguéis, sugerindo o uso do antigo S.O.S. Vestiba para a construção da sede definitiva da Câmara, optando no final pelo antigo projeto da Rua das Palmeiras. Além disso, conduziu a eleição da Mesa Diretora de forma a incluir vereadores da oposição, garantindo um equilíbrio de forças na condução dos trabalhos.

Mesmo sendo do mesmo partido do prefeito, Ito manteve uma postura de independência, chegando a criticar severamente ações do Executivo.

Todavia, esses frequentes embates geraram desgaste com secretários municipais, criando um clima de tensão entre seu gabinete e a Prefeitura. Estando em posição de destaque em um partido tão fragmentado e repleto de discórdia quanto o PL, acabou sendo pivô de diversas situações que vão do duodécimo às acusações de seus colegas parlamentares que afirma que sua personalidade forte prefere impor a dialogar.

A verdade é que Ito tem o perfil de um lobo solitário. Tal qual o personagem de Clint Eastwood em Os Imperdoáveis, ele age sempre dentro de suas próprias convicções. E isso faz sentido: ele cresceu politicamente sozinho sendo uma voz quase solitária a defender uma comunidade que pouca visibilidade tinha. Isso cria casca grossa. E talvez o maior desafio do sobrevivente que venceu em sua jornada e se tornar um líder sem sobreposição.

Não podemos esquecer que estamos falando de um homem que o partido considerou desligar da sigla em 2020 e quatro anos depois foi o terceiro vereador mais votado da cidade. Determinação, excelência e resiliência cobram seu preço. E talvez seja essa a sua nova jornada.

Seu eleitorado busca zeladoria urbana, presença física local e resolutividade em problemas cotidianos. Ito é historicamente ligado à Região Norte, com uma base eleitoral extremamente sólida nos bairros. Ele também atrai o voto de pequenos comerciantes. Sua lei que ampliou o limite de licitações exclusivas para microempresas reforçou esse vínculo.

Espera-se dele uma presença constante na comunidade, uma relação próxima sem excesso desnecessário de decoro e uma severa fiscalização. Algo que ele tem entregado.

Honrou votos em 2025?
Sim

Jean Volpato (PT)

A grande aposta do Partido dos Trabalhadores para cativar um necessário (e quase escasso) eleitorado jovem, Volpato é uma pessoa agradável, inteligente e articulada.

Aprovou de projetos que responsabilizam maus-tratos contra animais, criou uma lei que garante desconto na inscrição de eventos esportivos para doadores de sangue, foi autor de um projeto para cobrança proporcional de guincho para motos, defendeu a criação de pontos de apoio para trabalhadores de aplicativo, criou campanhas de incentivo à reciclagem domiciliar e de apoio à agricultura familiar local.

Realizou audiências públicas sobre violência contra a mulher, violência no ambiente de trabalho dos servidores públicos municipais e acessibilidade no transporte coletivo (bem como nas calçadas) de Blumenau, além de ter sido o coautor (junto com Adriano Pereira) do pedido de abertura da CPI da Merenda, que acabou não vingando.

Graças a sua excelente relação com o Governo Federal, conseguiu viabilizar mais de R$ 700 milhões em investimentos destinados, entre outras coisas, a construção do Hospital Dia da Renal Vida.

Ele defendeu pautas de defesa da comunidade LGBTQIA+ e atuou como a grande voz progressista na Câmara Municipal blumenauense, sendo frequentemente a ponte entre a cidade e a deputada estadual Ana Paula Lima, com quem trabalhou por bastante tempo.

Por outro lado, enfrentou dificuldades para aprovar projetos que dependiam de impacto orçamentário direto da Prefeitura justamente por ser oposição.

Com um discurso ideológico fortemente marcado, frequentemente deixa o cenário local em segundo plano e mira em debates nacionais. Em uma cidade conservadora – e em um momento onde Lula passa por outra baixa de popularidade – forçar uma narrativa que muitos já não suportam mais ouvir pode não ser uma boa ideia para o público em geral.

Mas é exatamente o que seus eleitores esperam dele. Pessoas jovens, urbanas e progressistas que buscam uma renovação técnica e identitária na política local e geralmente nem gostam de morar aqui. Seu eleitorado vê nele um representante direto para pautas de diversidade e combate ao preconceito, esperando que ele defenda minorias, proteja a causa animal, fiscalize a prefeitura e milite a toda oportunidade. Afinal, convenhamos: dos 15 vereadores, ele é o que mais tem chances reais de conquistar uma vaga na ALESC esse ano.

Honrou votos em 2025?
Sim

Jovino Cardoso (PL)

Jovino é polêmico, espontâneo e muitas vezes controverso. Sempre de portas abertas para a comunidade, ele é exatamente o que se espera de um líder comunitário. Para muitas pessoas simples nos bairros, é ele quem faz o peso das exigências do Estado mais tolerável. Para seus opositores (e há muitos) ele é um pesadelo: um homem que cresce quando atacado.

Quando Nassim Nicholas Taleb cunhou o termo antifrágil significando alguém que não apenas resiste aos impactos da vida, mas que também é capaz de usá-los para evoluir e crescer, era de alguém como Jovino que ele falava. Um homem que foi alvo de uma série de polêmicas e mentiras que ao invés de derrubá-lo, o fortaleceram. Um oponente difícil de vencer.

No primeiro ano do seu primeiro mandato, ele aprovou o projeto para a substituição gradativa dos ônibus a diesel por veículos elétricos (visando a modernização do transporte coletivo e a sustentabilidade ambiental), implementou legislação para garantir iluminação específica em travessias de pedestres (focando na redução de acidentes noturnos), participou das articulações para a consolidação do Hospital Universitário da FURB e manteve uma das mais atuantes presenças em bairros do Legislativo Municipal.

Um dos mais experientes políticos em atividade na cidade, Jovino também recebeu críticas. Alguns de seus projetos acabam barrados na CCJ (Comissão de Constituição de Justiça) por inexequibilidade jurídica e muitas de suas ações são vistas como focadas em ajudar a comunidade evangélica da qual ele é um proeminente membro há muitos anos.

Seu eleitor é guiado pela forte confiança que tem na capacidade de Jovino em cumprir seus compromissos. São pequenos comerciantes de bairro, evangélicos e pessoas que vêm nele um representante que não tem receio de usar a tribuna para pregar ou defender as instituições religiosas. Esperam que ele defenda os valores cristãos e as comunidades mais carentes.

Honrou votos em 2025?
Sim

Marcelo Lanzarin (PP)

Lanzarin é médico, já foi presidente da Câmara e secretário de Saúde por diversas vezes.

No ano que passou, ele exerceu um papel de liderança natural na Comissão de Saúde, sendo a voz técnica para avaliar projetos de infraestrutura hospitalar e o financiamento do SUS. Por ter trânsito livre na prefeitura e ser de um partido da base governista, foi peça-chave na aprovação de gratificações para profissionais da saúde e na viabilização de recursos para a manutenção de unidades básicas.

Destacou-se pela defesa de pautas voltadas à dignidade no fim da vida e no tratamento de doenças crônicas, institucionalizando debates que muitas vezes são negligenciados pelo grande público.

Mas há críticas. Embora seja um especialista na área da Saúde, críticos apontam que seu mandato por vezes se torna monotemático, deixando lacunas em discussões sobre grandes obras de infraestrutura urbana, mobilidade e desenvolvimento econômico macro. E seu forte alinhamento governista exige defesas que, muitas vezes, desgastam sua imagem.

As pessoas que depositam seu voto nele esperam que cuide da coisa pública com o mesmo carinho com que atendia em seu consultório. Muitos pacientes se tornaram eleitores, bem como médicos, enfermeiros e servidores públicos. Pessoas que querem ser representadas.

Esperam que ele lute para trazer qualidade ao SUS, diminuir as filas em exames ou cirurgias eletivas, mantenha sua postura moderada e seu atendimento humanizado, com o mesmo carisma e simpatia que sempre atendeu àqueles que buscavam seus cuidados.

Honrou votos em 2025?
Sim

Silmara Miguel (PSD)

Uma das mais atuantes vozes femininas das congregações evangélicas de Blumenau, Silmara é uma pessoa encantadora, educada, simpática, respeitável e engajada.

Em seu mandato do ano passado criou a Procuradoria da Criança e do Adolescente, manteve projetos em tramitação voltados ao combate à sexualização de crianças, levou dignidade aos portadores de fibromialgia elevando-os à condição de pessoa com deficiência (PcD), viabilizou a doação de 140 abafadores auditivos para crianças com sensibilidade sensorial no ambiente escolar e reafirmou seus valores cristãos em todas as oportunidades que teve.

Ele tem sido uma das principais vozes conservadoras da Câmara e, com isso, fideliza um eleitorado que se envolvem em suas iniciativas. Por outro lado, sua dependência de pautas religiosas pode limitar sua independência parlamentar.

Contudo, talvez seu mais atual desgaste tenha sido afirmar que a extinção dos cobradores diminuiria a tarifa do transporte coletivo para, pouco menos de um mês depois, o prefeito afirmar que faria um repasse absurdo para a Blumob com a finalidade de manter as tarifas como estão. O que parece muito mais um erro dele do que dela, na verdade.

Seu eleitorado leal e homogêneo espera identidade religiosa e defesa intransigente dos valores conservadores. Eles precisam que ela se porte de acordo com os valores que prega e que tenha coragem para defender o que julgam certo mesmo quando são pautas impopulares para as massas. E coragem ela tem, como demonstrou ao enfrentar um sindicalista bravo para engrossar o tom com ela, mas submisso ao ser confrontado por Egídio Beckhauser.

Mas, acima de tudo, seus eleitores precisam que ela seja uma cristã com um olhar acolhedor.

Honrou votos em 2025?
Sim

Para a análise acima, usamos como elemento avaliador as entregas, os pontos fortes, fracos e expectativas eleitorais para entender se cada um dos nobres edis honrou os votos dedicados a eles. A resposta foi positiva. Todos foram coerentes com suas plataformas de campanha.

Contudo, alguns se destacaram mais do que outros.

Bruno Cunha (Cidadania) manteve-se como o vereador mais votado e um dos mais produtivos. Consolidou pautas de nicho (causa animal e inclusão) com resultados práticos, como o recorde de castrações e a implementação de acessibilidade em eventos públicos.

Bruno Win (Novo) demonstrou um engajamento impressionante com abaixo-assinados, consultas públicas e denúncias que o tornaram positivamente impressionante.

Cristiane Loureiro (Podemos) se destacou pela articulação de recursos. Conseguiu viabilizar mais de R$ 1,2 milhão para a Saúde local e foi peça-chave na rede de proteção que resultou em feminicídio zero na cidade em 2025. Sempre presente nos mais diversos acontecimentos, ela mantem um atendimento próximo e humanitário à comunidade.

Diego Nasato (Novo) foi o principal nome da fiscalização técnica. Sua liderança na CPI do Esgoto revelou falhas graves de saneamento (40 km de rede ociosa) e sua economia de gabinete (mais de R$ 140 mil) serviu de referência ética.

Egídio Beckhauser (Republicanos) foi para além dos esportes e teve um papel fundamental em áreas que foram da Saúde à Segurança Pública, com excelentes projetos apresentados.

Ito de Souza (PL) conseguiu, como presidente da Câmara, manter a independência da Casa mesmo sendo do partido do prefeito. Destacou-se pela austeridade na gestão interna e pelas denúncias contra irregularidades em intendências distritais, que resultaram em exonerações. Além de sair mais forte de qualquer ataque covarde desferido contra ele no mudar das folhas do calendário.

Acima citamos apenas cinco nomes. Mas houve outros que se destacaram muito bem.

No quesito ‘atendimento à comunidade in locoJovino Cardoso (PL) e Almir Vieira (PP) são imbatíveis. Flavinho Linhares (PL) foi um ótimo representante para quem se identifica com pautas exclusivamente bolsonaristas. Assim como Jean Volpato (PT) personificou as pautas lulistas. Gilson de Souza (União) foi um fiscalizador contumaz.

E o que as pessoas em geral acharam deles?

 

No final do ano passado, fizemos uma brincadeira interessante. Desenhamos os vereadores como competidores em um game de luta estilo Oktobe5rfest Fighter ou Mortal Kombat e criamos enquetes nos stories do nosso Instagram perguntando às pessoas quem venceria em uma série de lutas de um contra um. O engajamento foi alto e revelador.

Esse experimento social – em momento algum – foi uma pesquisa eleitoral, mas sim um teste sobre as militâncias de cada um deles. E os resultados foram reveladores.

O campeão inquestionável da nossa pesquisa de militância foi Flavinho Linhares. O vereador venceu sucessivas lutas com 51%, indicando uma fanbase extremamente alerta. Ele obteve o que se chama de Vitória em Zona de Atrito. Venceu três etapas com a margem mínima. Isso indica uma militância extremamente fiel e coordenada.

Logo atrás dele estão Almir Vieira, Diego Nasato e Egídio Beckhauser, cujas militâncias também foram muito ativas, garantindo vitórias e demonstrando o apoio de suas bases.

A primeira grande lição do experimento foi entender a diferença entre popularidade passiva e mobilização ativa.

Almir começou o torneio como um rolo compressor, conquistando impressionantes 84% dos votos em sua primeira ‘luta’. Isso demonstra um reconhecimento de imagem vasto. No entanto, conforme o funil se estreitava, vimos o surgimento de uma espécie de ‘Militância de Elite’.

O vencedor, Flavinho Linhares, tornou-se o mestre das vitórias cirúrgicas. Vencendo sucessivos confrontos pela margem mínima — incluindo a final contra Almir por 51% a 49% — ele provou que política digital não se faz apenas com alcance, mas com coordenação. Uma vitória de 51% em uma enquete de alta audiência sugere uma base que não apenas "segue", mas que "atende ao chamado" e se mobiliza em grupos de WhatsApp para garantir o resultado.

O momento mais emblemático, no entanto, ocorreu no desafio final. Quando o prefeito Egídio Ferrari foi introduzido como um final boss. O resultado de 71% a 29% a favor de Flavinho acendeu um alerta interessante.

Em termos de análise de experimento social, isso não significa uma derrota eleitoral para o prefeito, mas revela o clima de opinião do usuário mais engajado das redes sociais. O ambiente digital tende a premiar o ‘desafiante’ e punir o establishment. O prefeito, como figura de autoridade máxima, torna-se o alvo natural do voto de protesto lúdico, enquanto o legislador mais jovem ou mais presente nas redes consegue canalizar a simpatia de quem busca renovação ou proximidade. Isso, claro, sem considerar que o lado que mais compartilha, inevitavelmente, vence qualquer disputa online de popularidade.

Para além dos gráficos e das caricaturas, o experimento deixa três recados claros para os estrategistas políticos de 2026:

  1. Volume não é tudo: ter muitos seguidores é diferente de ter uma militância que vota e defende;
  2. O digital é um território de nichos: quem domina a linguagem da rede e a velocidade de resposta leva a melhor nos momentos de crise ou decisão;
  3. A audiência quer participar: o eleitor moderno não quer apenas ler a notícia... ele quer apertar o botão, escolher o lado e sentir que faz parte do combate;

No fim das contas, a política em Blumenau provou ser tão acirrada quanto qualquer final de videogame. E, como todo bom jogo, quem não treina sua base para os desafios digitais, acaba dando game over antes da hora.

Em uma eleição, o voto da maioria silenciosa decide, mas a militância digital é quem pauta o assunto, defende o candidato de ataques e espalha as propostas.

Contudo, passado quase um mês, decidimos fazer outro experimento social.

Tendo em mãos os dados das militâncias, decidimos fazer uma nova enquete para avaliar duas coisas: o grau de rejeição dos vereadores, mas também a temperatura emocional dos eleitores, pois sabemos que a maioria das pessoas – fora das bolhas das militâncias – está começando a se cansar de tantos debates ideológicos quase sempre inúteis.

Esperamos um dia de grande engajamento e perguntamos se nossos seguidores aprovavam os desempenhos de cada um dos 15 vereadores. Dessa vez, os resultados foram COMPLETAMENTE diferentes do teste anterior. E foram brutais.

Silmara Miguel foi a menos rejeitada, com 60% do público aprovando seu trabalho. Vindo depois dela, estava Egídio Beckhauser, com 53% das pessoas gostando do que ele tem apresentado. E apenas esses dois tiveram mais ‘sim’ do ‘não’.

Gilson de Souza empatou, com 50% de cada lado.

Logo depois deles, vieram Jovino Cardoso (com 49% de aprovação) e Ito de Souza (bem avaliado por 46% dos votantes). Todos os demais, se saíram bastante mal.

Alexandre Matias (25%) e Adriano Pereira (28%) apresentaram um alerta vermelho. Quando a rejeição ultrapassa os 70%, o político está falando apenas para as paredes da própria bolha. Para o público do BLUMENEWS, o desempenho deles está em forte xeque.

Enquanto o experimento de luta mostrou quem tem a torcida mais organizada, a enquete de desempenho mostrou quem realmente tem a confiança da arquibancada. E a arquibancada está de braços cruzados para a maioria. Mas, honestamente, era de se esperar considerando o atual clima de total descrença com a política regional.

Essa avalanche de rejeições é um sintoma claro de um fenômeno que estamos vendo ganhar força: a Fadiga Democrática Digital. Quando 70% ou 75% das pessoas votam que não aprovam um desempenho de ninguém, elas não estão necessariamente analisando cada Projeto de Lei ou emenda parlamentar. Elas estão usando aquele botão como uma válvula de escape para uma frustração acumulada. E isso fala mais sobre elas do que sobre os políticos.

Dados recentes mostram que cerca de 68% dos brasileiros estão exaustos do clima de confronto político permanente. Em Blumenau, uma cidade politicamente muito ativa, esse cansaço é amplificado. As pessoas sentem que os vereadores estão mais preocupados em falar para suas bolhas ou em alimentar discussões ideológicas do que em resolver problemas práticos. O ‘não’ é um grito de: "Parem de brigar e trabalhem por nós".

Diferente de 2018 ou 2022, onde havia uma euforia de que ‘um lado ia consertar tudo’, o eleitor de 2026 chega com um olhar muito mais cético. Existe uma descrença generalizada. Ao ver a foto de um político, a reação instintiva do cidadão comum — aquele que não é militante — tornou-se a desconfiança. A aprovação baixa de quase todos os nomes mostra que a classe política, como um todo, perdeu o benefício da dúvida.

Agora, algo que vai doer nas assessorias: as pessoas podem até seguir o vereador para ver o circo pegar fogo ou por curiosidade, mas isso não significa que o aprovam. O experimento separou o entretenimento político (o jogo de luta simulado nos stories) da satisfação cívica. O público se divertiu com as lutas, mas quando a pergunta foi séria, o choque de realidade veio: eles não estão satisfeitos com a entrega final.

E para quem está no poder, essa descrença é perigosa, pois abre espaço para o surgimento de nomes ‘fora do Sistema’ ou para uma abstenção considerável nas próximas eleições.

Se cruzarmos os resultados dos dois experimentos finais, poderíamos dizer que a grande vencedora seria Silmara Miguel, pois ela não apenas chegou à semifinal do torneio de luta simulado (mostrando que tem militância), como foi a única a obter uma aprovação expressiva (60%). Em um cenário de descrença total, só ela possui os dois pilares: voto de opinião (aprovação) e voto de mobilização (militância).

Flavinho Linhares venceu o torneio, derrotou o prefeito e provou ter a tropa de choque mais eficiente da cidade. Ele é o rei do seu espectro político. É fortíssimo para garantir uma reeleição ou manter seu nicho, mas enfrentaria um teto de vidro gigantesco em uma eleição majoritária ou em um debate que exija menos ideologia e mais consenso.

Egídio Beckhauser manteve um desempenho equilibrado. Foi longe no torneio e manteve 53% de aprovação (o segundo melhor resultado). Ele representa uma política segura. O eleitor de Blumenau, embora cansado, ainda respeita figuras que mantêm uma imagem de equilíbrio institucional.

Se tivéssemos que dar um título para o fechamento desse dossiê, seria: A vitória da militância sobrevive ao cansaço da cidade?

A conclusão técnica é que Blumenau vive uma cisão. De um lado, as torcidas organizadas dos parlamentares conseguem dominar enquetes de entretenimento e criar uma ilusão de poder. Do outro, a maioria silenciosa está de braços cruzados, reprovando o desempenho de quase todos.

E para nós? Quem venceu a disputa?

Depende. Há várias categorias nas quais cada um deles se destaca e vamos avaliar algumas.

Entre governistas e opositores, não podemos ignorar quem fez a ponte de ligação entre os poderes Executivo e Legislativo, emprestando sua credibilidade, experiência e popularidade. Esse seria, indubitavelmente, Egídio Beckhauser, que garantiu o pleno funcionamento de todas as engrenagens para que a máquina pública blumenauense operasse sem ruídos.

Mas como oposição à Prefeitura, o vereador Gilson de Souza se destacou ainda mais do que seus colegas do PT. Ele não tem ligações partidárias que lhe imponham uma agenda e, portanto, suas críticas são legítimas, desapaixonadas e frequentemente eficazes.

Já quando o assunto é conhecimento técnico, Bruno Cunha tem uma considerável vantagem sobre seus pares, sendo um competente advogado e professor de Direito.

O parlamentar com o melhor desempenho de fiscalização foi uma escolha muito difícil, ficando entre três nomes bastante relevantes. Contudo, revendo pronunciamentos e encaminhamentos, Diego Nasato consegue ficar um pouco à frente de seu correligionário Bruno Win e do presidente da casa, Ito de Souza... ambos com excelentes trabalhos também.

Da mesma forma, escolher quem seria o vereador mais ativo nas comunidades também foi difícil. O vencedor, Jovino Cardoso, ficou na frente de Almir Vieira por poucos pontos.

Mas qual deles teria sido, afinal, o melhor parlamentar de 2026?

A resposta direta e objetiva, em nossa opinião, é Diego Nasato. Sua atuação na CPI do Esgoto foi impecável. Seus Projetos de Lei têm bastante qualidade e ele soube se manter diplomaticamente imparcial durante os piores embates entre a Câmara e a Prefeitura.

Mas não é só de vereadores que é composta a Câmara

A instituição tem uma estrutura completa que vai de uma Diretoria de Comunicação que deve agir como a ponte entre as informações daquilo gerado pela casa e a população até a Procuradoria Geral, cuja finalidade é garantir a legalidade de todas as ações legislativas.

Além de delibera sobre assuntos de competência do município através da criação e alteração de leis, a Câmara também abriga os gabinetes usados pelos vereadores para atender à comunidade, realiza audiências públicas para consultar a opinião da sociedade civil, realiza reuniões itinerantes e oferece uma série de serviços institucionais.

Além do espaço de trabalho dos parlamentares, comissões permanentes e Mesa Diretora, o Legislativo blumenauense abriga a Escola do Legislativo Fritz Müller que se dedica à capacitação e à TVL, uma emissora de televisão local de grande relevância social.

Suas diretorias se dividem em:

  • Comunicação: que gerencia a transparência pública, a relação com a imprensa, a TV Legislativa (TVL) e a divulgação oficial das atividades da Câmara;
  • Financeira: que administra o orçamento do Legislativo, cuidando de folha de pagamento, contabilidade e gestão de recursos financeiros;
  • Geral: que coordena de forma macro o funcionamento administrativo da Casa, servindo como a principal ponte entre a Mesa Diretora e os demais setores;
  • Legislativa: responsável por todo o suporte técnico aos processos de votação, tramitação de projetos e assistência direta aos vereadores no Plenário.

Dessas, certamente a que mais se destaca é a de Comunicação. Comandada pela jornalista Jamille Cardoso, ela tem batido todos os recordes de produtividade históricos do parlamento municipal. Jamille trouxe toda a vasta experiência de sua pouca idade para o cargo, profissionalizando a comunicação legislativa blumenauense de forma jamais vista. A produção de seus informes é quase industrial e os cidadãos de Blumenau nunca foram tão bem noticiados sobre o que ocorre naquele prédio. Literalmente, só fica desatualizado quem quer.

E ela conta com nomes de peso, como a conhecida jornalista Gisele Scopel cuja competência é bastante conhecida em toda a região, o carismático apresentador Marcos Jana que é praticamente uma unanimidade do rádio, o inteligente Ricardo Sommer à frente da Direção de Imagem da TVL e com a coordenação da emissora nas mãos de Denner Ovídio que, além de um grande profissional e fotógrafo, é um ser humano de coragem, caráter e valor.

Já a administração financeira de Júlio César Pereira tem sido de profundo respeito com o dinheiro do contribuinte. Com o auxílio de Marjori Tschoeke, Melissa Boron e Marcelo Zimmermann, as contas tem sido devidamente pagas e os impostos do contribuinte não têm sido desperdiçados.

Administrando a direção geral do Parlamento Blumenauense está Laércio Schuster, cujo trabalho na manutenção da ordem tem sido bastante adequado.

Mas quando falamos em na forja das leis de um município, poucos cargos são tão fundamentais quanto a diretoria legislativa – tocada muito bem por Ray Arécio Reis – e a procuradoria-geral, onde João Filipe Dias garante a segurança jurídica da instituição, emitindo pareceres e defendendo a legalidade dos atos do Legislativo.

Outros nomes que merecem um destaque muito positivo são os de Cleonice Soares da Silva – que cuida brilhantemente da Escola do Legislativo sempre muito bem acompanhada por Kelyn da Silva Siqueira – e Vanessa Iurk, que sempre recebe os visitantes com o máximo de profissionalismo, cordialidade, educação e dedicação.

Conclusão

A Câmara – enquanto instituição – teve um excelente desempenho em 2025.

Os números não mentem: 13.294 indicações, 2.980 requerimentos, 407 moções, 256 projetos de lei aprovados, 86 sessões ordinárias, 73 emendas, 15 sessões solenes, 10 audiências públicas e sete sessões itinerantes. Os números não mentem. Mas foi além deles.

A criação da Procuradoria da Criança e do Adolescente, por exemplo, foi uma grande conquista para o acolhimento e defesa de direitos dos mais vulneráveis. De forma similar, a aprovação do Pacote de Valorização da Saúde atualizou e ampliou gratificações para profissionais de uma das áreas mais importantes de todas.

Além do recorde de matérias analisadas, as sessões itinerantes descentralizaram o debate, levando importantes decisões para perto de quem mais costuma ser impactado por elas. A aprovação popular foi grande e a iniciativa foi amplamente bem recebida pelas pessoas.

Estruturalmente, a Escola do Legislativo expandiu seus cursos de capacitação não só para servidores, mas para a comunidade, focando em Educação Política. Outro destaque é a nova turma do Programa Vereador Mirim, algo que não apenas a fortalece, mas também agrega à toda a sociedade. Outra ‘divisão’ do Legislativo que também se destacou foi a TVL, que em seu 25º aniversário foi bastante modernizada rumo ao compromisso de ser multiplataforma.

Somando isso ao desempenho impressionante de Egídio Beckhauser, Diego Nasato, Bruno Cunha e Gilson de Souza – capitaneados pela austera gestão de Ito de Souza – a Câmara teve um excelente ano coroado por uma CPI que estremeceu os alicerces de uma das empresas mais odiadas da cidade e beneficiou a população em geral.

No quesito ‘apresentação de projetos’, Bruno Cunha mantém um desempenho histórico de alta produtividade, seguido por Cristiane Loureiro, que se destacou por aprovar projetos autorais de alto impacto social e baixa resistência política. Enquanto no quesito ‘atendimento à comunidade’, Jovino Cardoso foi imbatível com grande proximidade social.

E o estreante mais promissor certamente foi Flavinho Linhares, que assumiu a articulação política do Executivo demonstrando ser alguém de confiança, aprovou leis importantes para a manutenção da lei e da ordem, além de ter se mantido totalmente íntegro às pautas caras àqueles que o elegeram.

Isso tudo ganha um ar ainda mais relevante quando concluímos que esse ano não tivemos nenhum vereador realmente vergonhoso ou com um trabalho claramente ruim.

Dessa forma, foi um excelente ano para a Câmara. E, consequentemente, para nós.


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Rick

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