Sucessão presidencial: a ilusão das candidaturas

Monday, 26 January 2026
Cenário real para 2026 afunila entre Lula e poucas opções na direita; entenda o impacto para SC.
Enquanto os bastidores políticos em Brasília e nos redutos eleitorais de Santa Catarina fervem com nomes e articulações, a realidade da sucessão presidencial parece muito mais restrita do que as narrativas tentam desenhar. Para o eleitor de Blumenau e região, acostumado a ser protagonista nos debates de direita, o cenário que se avizinha é de um afunilamento drástico, onde muitas "pré-candidaturas" atuais não passam de estratégias de sobrevivência partidária.
O X da questão: quem sobra no jogo?
Diferente do que sugerem as especulações de corredor, o quadro objetivo aponta para apenas três alternativas viáveis — e, no limite, apenas duas. No campo da esquerda, o presidente Lula segue como o candidato natural à reeleição, consolidando uma frente ampla que isola as candidaturas figurativas da extrema esquerda e nomes como Aldo Rebelo.
Na direita, o barulho é maior que a consistência. Embora nomes como Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Ratinho Júnior circulem como presidenciáveis, a análise técnica indica destinos diferentes:
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Caiado e Ratinho Júnior: Tendem a focar na disputa pelo Senado.
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Romeu Zema: É visto como um nome forte para composição, possivelmente como vice.
O dilema de Santa Catarina e o fator Tarcísio
Para o Vale do Itajaí, o tabuleiro nacional tem reflexos diretos. O jogo real, despojado de "espuma retórica", concentra-se na decisão de Jair Bolsonaro. A indicação de Flávio Bolsonaro como herdeiro político é uma peça, mas a articulação com Tarcísio de Freitas é o que pode mudar o eixo da eleição.
Se a direita optar por uma disputa institucionalizada — unindo Tarcísio a nomes como Michelle Bolsonaro ou o próprio Zema —, a pressão sobre a candidatura de Lula aumenta significativamente. Vale lembrar que o atual governo enfrenta resistências numéricas: 56% dos brasileiros indicam que Lula não deveria concorrer, e a reprovação oscila perto da metade da população.
A realidade dos partidos
A análise desmitifica ainda o papel do PSD. Apesar do desejo de lançar Ratinho Júnior, o partido de Gilberto Kassab está profundamente ligado ao governo Lula em estados estratégicos do Norte e Nordeste. No Sul, a retórica é uma; no restante do país, a prática é outra.
Para o observador atento em Blumenau, fica o alerta: até que os prazos legais de abril cheguem, o que se vê é uma disputa de narrativas. O jogo real, entretanto, está restrito a quem possui densidade eleitoral e estrutura partidária nacional para sustentar o "rojão" da presidência.