Aliança entre Jorginho Mello e Novo mexe com o xadrez político de Blumenau

Monday, 02 February 2026
Acordo para as eleições estaduais tende a frear ascensão do Novo na cidade e isolar oposição de direita contra Egidio Ferrari.
A política de Blumenau amanheceu sob o impacto de um movimento estratégico vindo da capital. A costura do governador Jorginho Mello (PL) para ter o partido Novo como vice em sua chapa de reeleição não apenas redesenha o cenário estadual, mas coloca um "nó" nas pretensões de oposição local em Blumenau. Na prática, a aliança amarra as principais forças da direita blumenauense no mesmo palanque, deixando o atual prefeito Egidio Ferrari (PL) em uma posição de isolamento estratégico contra adversários do mesmo espectro.
O fim da terceira via à direita?
Nas últimas duas eleições municipais, o Novo, liderado por Odair Tramontin, consolidou-se como a principal ameaça ao grupo de Jorginho na cidade. Em 2020, Tramontin quase chegou ao segundo turno e, em 2024, alcançou 30% dos votos válidos. Embora não tenha vencido Egidio Ferrari, o crescimento era evidente.
Com o novo acordo, figuras que antes eram adversárias, como João Paulo Kleinübing, Mário Hildebrandt e o próprio Tramontin, passam a habitar, teoricamente, o mesmo ecossistema político. Sem Maria Regina Soar na chapa em 2028, o caminho fica aberto para que o Novo inclusive ocupe a vaga de vice de Egidio no futuro, eliminando um confronto direto que marcou as últimas disputas nas urnas de Blumenau.
O impasse na Câmara e a CPI do Esgoto
A curto prazo, o maior teste dessa união será na Câmara de Vereadores de Blumenau. Os vereadores Diego Nasato e Bruno Win, do Novo, têm mantido uma postura crítica à gestão Ferrari. O ponto crítico é a CPI do Esgoto, presidida por Nasato, que já cogitou convocar o prefeito para depor.
O relatório final da comissão, esperado para os próximos dias após o recesso legislativo, será o termômetro real: se o tom for de confronto, a aliança estadual pode enfrentar turbulências precoces na maior cidade do Vale do Itajaí.