Congresso aprova manobra que libera supersalários acima do teto

Tuesday, 03 February 2026
Medida aprovada em ritmo acelerado permite que servidores do Legislativo recebam valores extras sem as travas do limite constitucional.
Enquanto o trabalhador blumenauense e os servidores municipais da prefeitura de Blumenau acompanham de perto as discussões locais sobre revisões salariais e o Plano de Cargos e Carreiras (PCCS), uma movimentação relâmpago em Brasília mudou as regras do jogo para o topo da pirâmide do funcionalismo federal. Em sessões rápidas, o Congresso Nacional aprovou projetos que, na prática, liberam pagamentos acima do teto constitucional para servidores da Câmara e do Senado.
A decisão ocorreu em menos de cinco horas, fruto de um acordo entre lideranças partidárias que permitiu a aprovação de "penduricalhos" — verbas indenizatórias e gratificações que não são contabilizadas no limite máximo de remuneração permitido pela Constituição, atualmente fixado em R$ 46.366,19.
O impacto nas contas e os novos benefícios
Os textos aprovados preveem reajustes graduais que se estendem até 2029 e a criação da Gratificação de Desempenho e Alinhamento Estratégico. No Senado, por exemplo, o salário básico de cargos como o de consultor legislativo poderá saltar de R$ 13,7 mil para mais de R$ 24 mil, sem contar as gratificações que podem dobrar esse valor, furando a barreira do teto.
Diferente da realidade enfrentada em Santa Catarina, onde o equilíbrio fiscal é pauta constante nas mesas de negociação entre o Sintraseb e a administração municipal, as propostas aprovadas em Brasília avançaram sem que fosse apresentado um relatório detalhado do impacto orçamentário total.
Contraste com a realidade de Blumenau e região
Para o morador do Vale do Itajaí, a notícia ressoa com um tom de desigualdade. Enquanto no âmbito local a discussão recente em Blumenau girou em torno da reposição da inflação (INPC) e do ajuste no auxílio-alimentação para pouco mais de R$ 1,1 mil, a nível federal, a criação de licenças compensatórias pode garantir aos servidores do Congresso um dia de folga (ou o pagamento equivalente) para cada três dias de trabalho extraordinário.
A medida segue agora para sanção presidencial. Se confirmada, consolida um cenário de privilégios que distancia os servidores do Legislativo Federal do restante da força de trabalho pública e privada do país, gerando um debate necessário sobre a responsabilidade fiscal em tempos de contenção de gastos.