Governo corta verba da alfabetização e prioriza Pé-de-Meia

Governo corta verba da alfabetização e prioriza Pé-de-Meia
Foto: Lembrando que o presidente Lula só estudou até a 4ª série do Ensino Fundamental

Wednesday, 04 February 2026

Redução de 42% nos recursos para alfabetizar crianças acende alerta; programa de bolsas para o ensino médio concentra investimentos do MEC.

O cenário educacional brasileiro enfrenta uma redistribuição de recursos que impacta diretamente a base do aprendizado. Dados da execução orçamentária de 2025 revelam que o Ministério da Educação (MEC) reduziu drasticamente os investimentos em políticas estruturantes, como a alfabetização, para acomodar o crescimento do programa Pé-de-Meia. Para as famílias de Blumenau e do Vale do Itajaí, que historicamente prezam por indicadores de ensino sólidos, a mudança acende um debate sobre o equilíbrio entre o combate à evasão escolar e a garantia da qualidade na fase inicial da vida acadêmica.

A queda nos recursos destinados à alfabetização foi de 42% em relação ao ano anterior, passando de R$ 791 milhões para R$ 459 milhões (valores corrigidos pela inflação). O movimento ocorre no momento em que o governo federal consolida o Pé-de-Meia — poupança destinada a alunos do ensino médio para evitar o abandono escolar — como sua principal vitrine. Com custo anual estimado em R$ 12 bilhões, o programa passou a pressionar o caixa da pasta após determinações do Tribunal de Contas da União (TCU) para sua inclusão formal no orçamento.

Impacto no ensino integral e recursos próprios

Além da alfabetização, o ensino em tempo integral também sofreu um recuo severo nos aportes diretos. Os investimentos, que chegaram a R$ 2,5 bilhões em 2024, despencaram para R$ 75,8 milhões em 2025. O governo justifica que essa redução decorre de uma mudança constitucional que vinculou parte do Fundeb a essa política, retirando a necessidade de repasses diretos do MEC. No entanto, críticos apontam que a medida enfraquece o papel redistributivo da União e sobrecarrega as redes municipais e estaduais, incluindo as do Médio Vale.

Prioridade ao ensino médio gera controvérsias

Embora o Pé-de-Meia seja visto como uma ferramenta estratégica para manter o jovem na escola — pagando incentivos por matrícula, frequência e conclusão —, especialistas alertam para o risco de negligenciar a base. A inversão de prioridades pode criar um "gargalo": incentiva-se a permanência no ensino médio, mas com uma formação básica fragilizada pela falta de investimento na alfabetização. Para o morador de Blumenau, acostumado a ver a cidade entre as melhores do estado em alfabetização na idade certa, o monitoramento desses cortes federais é essencial para garantir que o suporte aos municípios não desapareça.

O governo declarou que trabalha para recompor recursos cortados durante a tramitação no Congresso e que o sistema de gestão orçamentária ainda passa por atualizações. Enquanto isso, o foco permanece no monitoramento de como essa troca de verbas afetará o desempenho dos alunos catarinenses a longo prazo.


>> SOBRE O AUTOR

Redação

>> COMPARTILHE