MP-SC investiga delegado-geral por conduta no caso do cão Orelha

Tuesday, 10 February 2026
Promotoria apura se houve uso político e violação de sigilo em caso que mobilizou o Brasil.
A 30ª Promotoria de Justiça da Capital abriu uma investigação para apurar a conduta do delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, em relação à exposição e ao manejo das investigações sobre a morte do cão Orelha. O procedimento busca esclarecer se houve abuso de autoridade, violação de sigilo funcional ou ato de improbidade administrativa por parte do chefe da corporação, que é pré-candidato nas eleições de 2026.
O caso que chocou Blumenau e todo o estado ganha um novo capítulo jurídico. O Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC) decidiu agir após representações que questionam a forma como a cúpula da Polícia Civil tem lidado com o inquérito. O foco da promotoria, que atua no controle externo da atividade policial, é entender se a repercussão do caso foi utilizada para autopromoção política, dado o crescimento expressivo do delegado-geral em redes sociais durante o período.
Investigação e transparência sob análise
A suspeita central reside na divulgação de detalhes de um processo que envolve adolescentes, o que exige sigilo rigoroso por lei. Além disso, a promotoria avalia se a estrutura da Polícia Civil foi mobilizada de forma desproporcional para atender a um clamor público que coincide com os interesses eleitorais do delegado-geral.
Em sua defesa prévia a veículos de imprensa, Ulisses Gabriel afirmou que não foi o responsável direto pelas investigações e negou qualquer irregularidade, pontuando que as diligências foram conduzidas por delegados locais. O delegado-geral também se manifestou nas redes sociais, onde alegou ser alvo de ataques políticos e negou proximidade com advogados dos envolvidos no crime contra o animal.
O impacto em Blumenau e região
Para a comunidade de Blumenau, onde o "Caso Orelha" gerou moções de apelo na Câmara de Vereadores e pedidos de federalização, o desdobramento traz uma camada de cautela sobre a politização da segurança pública. A expectativa agora recai sobre as diligências complementares que o MP-SC deve requisitar à Polícia Civil nos próximos dias para garantir a isenção do processo.