Carlos Bolsonaro ameaça romper com Jorginho Mello e buscar aliança com o PSD

Friday, 13 February 2026
Crise no PL atinge base governista e pode redesenhar o cenário eleitoral em Blumenau e no Vale do Itajaí.
A política catarinense, tradicionalmente estável sob a liderança da direita, enfrenta um abalo que ecoa diretamente nos bastidores de Blumenau. O vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato ao Senado por Santa Catarina, subiu o tom contra o governador Jorginho Mello. O motivo do descontentamento é a costura política de Jorginho para a sua reeleição, que tem priorizado alianças locais em detrimento das exigências do núcleo duro da família Bolsonaro. Ameaçando um "divórcio" político, Carlos cogita agora uma aproximação estratégica com Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD e principal articulador do partido que é o maior rival do PL no estado.
O estopim da crise e o impacto regional
O conflito ganhou corpo após Jorginho Mello avançar em tratativas com partidos de centro e nomes que não gozam da simpatia total do clã Bolsonaro. Carlos, que transferiu seu domicílio eleitoral para o estado com o objetivo de conquistar uma das cadeiras no Senado em 2026, sente-se desprestigiado pelas movimentações do governador.
Para o eleitor de Blumenau, o racha é preocupante. A cidade, um dos maiores colégios eleitorais e reduto bolsonarista, observa de perto se essa fragmentação pode fortalecer o PSD de nomes como o prefeito de Chapecó, João Rodrigues, ou até influenciar as composições locais para as próximas disputas.
A tradição política de Santa Catarina em xeque
Analistas políticos apontam que a movimentação de Carlos Bolsonaro é um movimento de alta pressão. Ao flertar com o PSD de Kassab — partido que abriga lideranças expressivas em Santa Catarina —, o "02" tenta forçar Jorginho a garantir sua primazia na chapa majoritária.
Contudo, a resistência interna é real. Lideranças de Blumenau e região, que prezam pela autonomia estadual, veem com cautela a "importação" de conflitos do Rio de Janeiro para o território catarinense. A autoridade de Jorginho Mello como presidente estadual do PL está sendo testada: ele deve ceder às pressões da família ou manter a estratégia de coalizão que sustenta sua governabilidade na Alesp?
O que esperar para os próximos meses?
Se a ameaça de Carlos se concretizar, o PL catarinense pode sofrer uma intervenção direta da executiva nacional, ou pior, enfrentar uma debandada de quadros que não concordam com a condução familiar da sigla. Enquanto isso, o PSD de Kassab observa de camarote, pronto para absorver o espólio político de uma direita dividida.
Em Blumenau, as lideranças locais já começam a calcular o risco de ficar entre a lealdade ao governador e o apoio incondicional à família Bolsonaro. O desfecho dessa queda de braço definirá quem dará as cartas na direita catarinense nos próximos anos.