TSE mantém desfile em homenagem a Lula no carnaval e nega censura prévia

Sunday, 15 February 2026
Justiça Eleitoral rejeitou pedidos de liminar, mas alerta que não há "salvo-conduto" para abusos ou propaganda antecipada na avenida.
Em uma decisão que movimenta os bastidores políticos de Brasília e repercute em todo o país, inclusive com atenção redobrada aqui no Vale do Itajaí, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu, por unanimidade, manter o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói que homenageia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A Corte rejeitou os pedidos de liminar protocolados pelo partido Novo e por parlamentares da oposição, que buscavam barrar a apresentação sob alegação de propaganda eleitoral antecipada e abuso de poder.
A relatora do caso, ministra Estela Aranha, fundamentou seu voto na impossibilidade de se aplicar uma "censura prévia" a uma manifestação cultural antes mesmo de sua ocorrência. Segundo a magistrada, a Justiça Eleitoral não pode presumir irregularidades com base em eventos futuros e incertos. No entanto, o tribunal deixou um recado claro: o desfile será monitorado e qualquer excesso poderá ser punido posteriormente.
O que estava em jogo na decisão
As ações movidas pela oposição questionavam não apenas o enredo "Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil", mas também o uso de recursos públicos. Foram citados repasses da Embratur e parcerias com a prefeitura do Rio de Janeiro, que totalizariam valores significativos para as agremiações.
Para os autores do pedido, a exposição massiva na Sapucaí, com transmissão nacional, configuraria um desequilíbrio na disputa eleitoral. Contudo, o plenário do TSE acompanhou a relatora ao entender que a liberdade artística e de expressão deve prevalecer no momento atual, sem elementos concretos que comprovem o ilícito antes da entrada da escola na avenida.
Vigilância e as regras do jogo eleitoral
Apesar da vitória para os defensores da homenagem, a presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia, reforçou que o carnaval não é uma "fresta para ilícitos". O entendimento é de que a decisão de hoje não garante imunidade aos envolvidos. Caso ocorram pedidos explícitos de voto, exaltação de candidatura ou uso irregular de imagens do desfile em futuras propagandas, as punições — que podem chegar à inelegibilidade — serão aplicadas conforme a lei.
O PT, inclusive, emitiu orientações internas recomendando cautela aos integrantes do governo e parlamentares que participarão do evento, visando evitar manifestações que possam ser interpretadas como de cunho eleitoral direto.
Impacto para Blumenau e região
Para o eleitor catarinense, especialmente em Blumenau, onde o debate sobre o uso de verbas públicas e a ética na política é historicamente rigoroso, a decisão acende um alerta sobre os limites entre cultura e política. Acompanhar como a Justiça Eleitoral lidará com o pós-carnaval é essencial para entender as "regras do jogo" que valerão para as próximas eleições, garantindo que o equilíbrio democrático seja preservado.