Reviravolta: João Rodrigues no Senado pode forçar recuo de Amin

Monday, 16 February 2026
Movimentação para criar frente ampla contra Jorginho Mello redefine o tabuleiro eleitoral e impacta lideranças tradicionais de Santa Catarina.
O cenário político catarinense para 2026 começa a ganhar contornos de alta voltagem com uma articulação que pode mudar o destino de nomes históricos. A possível decisão de João Rodrigues (PSD) em disputar o Senado, e não o governo, abre caminho para uma frente ampla em Santa Catarina e coloca Esperidião Amin (PP) diante de uma escolha difícil: recuar para a disputa de deputado federal.
A estratégia surge como resposta ao fortalecimento do governador Jorginho Mello (PL), que hoje aparece como favorito à reeleição. Com o MDB escanteado pelo atual governo, lideranças do PSD, MDB, União Brasil e PP buscam uma composição capaz de enfrentar a máquina estadual. Para o eleitor de Blumenau e do Vale do Itajaí, acostumado com a força das alianças regionais, essa reorganização sinaliza uma disputa polarizada entre o bolsonarismo oficial e um bloco de centro-direita aglutinado.
O fator João Rodrigues e o espaço no Senado
Prefeito de Chapecó e um dos principais nomes da direita no estado, João Rodrigues teria compreendido que seu discurso ideológico rígido dificulta o diálogo necessário para liderar uma frente ampla ao governo. Ao sinalizar a disposição de concorrer ao Senado, ele ocupa uma das vagas mais cobiçadas da chapa, pressionando Amin.
Para Esperidião Amin, o cenário é de afunilamento. Com Jorginho Mello defendendo publicamente uma chapa ao Senado com Carlos Bolsonaro e Carol De Toni, as portas da aliança governista parecem fechadas para o veterano. Sem espaço na chapa oficial e com a chegada de João Rodrigues no bloco de oposição, o caminho para a Câmara dos Deputados surge como a alternativa mais viável para manter seu capital político.
Frente ampla busca nome de consenso
A articulação agora foca em encontrar um nome para encabeçar a chapa ao governo que consiga dialogar com diferentes campos, do centro à esquerda, em um eventual segundo turno. Embora o nome oficial ainda seja mantido sob sigilo por razões de confiança, a movimentação já causa apreensão nos bastidores da Casa d'Agronômica.
Para os partidos como União Brasil e PP, a permanência na base de Jorginho sem garantias de espaço majoritário é vista por analistas como um risco estratégico. A ordem agora é reorganizar as forças para garantir sobrevivência política e tempo de TV, elementos cruciais para quem pretende desafiar o favoritismo do atual governador em solo catarinense.