Unafisco afirma ser menos arriscado investigar o PCC do que o STF

Wednesday, 18 February 2026
Em declaração polêmica, presidente de associação de auditores da Receita expõe temor sobre fiscalizações envolvendo membros do Supremo.
Uma declaração forte e carregada de ironia institucional vinda da Unafisco Nacional (Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal) está sacudindo os bastidores de Brasília. Segundo Mauro Silva, presidente da entidade, a atual conjuntura brasileira tornou "mais seguro" para um auditor fiscal investigar o Primeiro Comando da Capital (PCC) do que realizar auditorias que envolvam ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
A fala surge em um momento de tensão máxima, logo após a Polícia Federal deflagrar operações para apurar acessos supostamente ilegais a dados fiscais de ministros da Corte e seus parentes. A ironia central, destacada pela Unafisco, é que o exercício da função técnica de fiscalização parece ter esbarrado em uma barreira de risco pessoal e jurídico que supera o perigo de lidar com o crime organizado.
O risco de "olhar para o topo"
Para a Unafisco, o problema não está na legalidade ou não dos acessos, mas na sensação de que certas esferas de poder são blindadas de uma forma que desencoraja o trabalho da Receita Federal. Silva enfatizou que, ao lidar com facções criminosas, o risco é conhecido e combatido pelas forças de segurança, mas ao lidar com o topo do Judiciário, o auditor se vê vulnerável a represálias institucionais que podem destruir carreiras e vidas.
Em Blumenau e no Vale do Itajaí, onde a cultura do trabalho e a justiça fiscal são valores fundamentais, esse tipo de declaração ressoa como um alerta sobre o equilíbrio dos poderes e a independência dos órgãos de controle.
Reflexos na autoridade da Receita Federal
O episódio expõe uma crise de confiança. Se o próprio órgão responsável por garantir que "todos são iguais perante a lei fiscal" admite ter medo de investigar uma das esferas do governo, a autoridade da marca da Receita Federal e a própria segurança jurídica do país entram em xeque.
A declaração não é apenas um desabafo, mas um posicionamento político e institucional que deve pautar os debates sobre os limites da atuação do STF e as garantias dos servidores públicos no exercício de suas funções de Estado. O recado da Unafisco é claro: a fiscalização não deveria ter "áreas de sombra" onde o medo supera o dever funcional.