Para a AGIR o esgoto de Blumenau parece não ter cheiro e nem problemas

Thursday, 19 February 2026
Agência reguladora usa "maratona de números" para tentar explicar à CPI por que a fiscalização não impediu o caos no saneamento da cidade.
Quem ouviu os representantes da AGIR (Agência Intermunicipal de Regulação do Médio Vale do Itajaí) na última sessão da CPI do Esgoto em Blumenau, pode ter tido a sensação de que vivemos em uma cidade com padrões europeus de saneamento. Em uma tentativa quase hercúlea de "tapar o sol com a peneira" — ou melhor, de tampar os bueiros com relatórios —, a agência rebateu as críticas dos vereadores defendendo que sua fiscalização é, sim, rigorosa e presente.
Enquanto o blumenauense da Itoupavazinha ou da Velha convive com vazamentos crônicos e metas de cobertura que parecem ficção científica, a AGIR apresentou uma defesa pautada no "está tudo no papel". A agência sustenta que as notificações e multas existem, tentando se desvencilhar da imagem de "expectadora de luxo" das falhas da concessionária.
A arte de fiscalizar sem resolver o problema
A diretoria da agência fez questão de pontuar que a regulação segue normas técnicas rígidas. No entanto, para a comissão parlamentar e para o cidadão que paga a fatura, a explicação soa como uma piada de mau gosto. Se a fiscalização é tão eficiente quanto alegam, por que a cidade se transformou em um canteiro de obras paradas e reclamações transbordando?
A AGIR defende que não houve omissão, mas a realidade das ruas de Blumenau insiste em desmentir o otimismo burocrático. A tática de se esconder atrás de termos técnicos e processos administrativos parece não ter colado com os membros da CPI, que buscam respostas para o abismo entre o que é cobrado na conta de água e o que é entregue na tubulação.
Relatórios contra a realidade: quem vence a queda de braço?
O "rebate" da agência às acusações de falta de transparência e de inércia foi recebido com ceticismo. Afinal, se a fiscalização fosse o braço forte que a AGIR descreve, Blumenau não estaria discutindo em uma CPI por que o esgoto continua sendo um dos maiores gargalos do desenvolvimento local.
A agência insiste que cumpre seu papel legal. O problema é que, para o morador que precisa pular poça de detritos para sair de casa, o "papel" da AGIR não tem servido nem para cobrir o prejuízo ambiental e financeiro da cidade. A tentativa de autodefesa da agência na Câmara só reforçou a percepção de que existe uma distância astronômica entre os gabinetes refrigerados da regulação e o asfalto quente onde o esgoto corre livre.