Fim dos supersalários segue parado no Senado

Sunday, 22 February 2026
Projeto de lei que pode gerar economia bilionária aos cofres públicos aguarda votação enquanto STF aperta o cerco contra pagamentos acima do teto.
Um dos temas mais sensíveis para o contribuinte de Blumenau e de todo o estado de Santa Catarina continua em compasso de espera em Brasília. O projeto de lei que visa colocar um ponto final nos chamados "supersalários" no serviço público está paralisado no Senado Federal, mesmo após uma série de decisões recentes do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que jogaram luz sobre o gasto excessivo com vencimentos acima do teto constitucional.
Atualmente, o teto do funcionalismo público é atrelado ao salário dos ministros do STF (R$ 44.008,52), mas uma série de "penduricalhos" e verbas indenizatórias permite que muitos agentes públicos ultrapassem esse valor legalmente. O projeto parado no Senado busca regulamentar o que pode ou não ser pago acima desse limite, unificando as regras para evitar distorções.
O "fator Dino" e a pressão sobre o Legislativo
A urgência do tema ganhou novos contornos após o ministro Flávio Dino suspender pagamentos que considerou irregulares em diversas esferas. A movimentação no Judiciário é vista como um recado direto ao Congresso: na ausência de uma lei clara aprovada pelos parlamentares, o STF continuará intervindo em casos de descumprimento do teto.
Para a economia de Santa Catarina, estado conhecido por sua gestão fiscal rigorosa e cobrança por transparência, a aprovação da matéria é vista como fundamental. Estima-se que a regulamentação dos supersalários possa gerar uma economia anual superior a R$ 5 bilhões para os cofres da União, estados e municípios.
Por que a proposta não avança?
Apesar do apelo popular e da pressão fiscal, o projeto enfrenta resistências nos bastidores do Senado. Entre os principais pontos de fricção estão:
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Interesses de categorias específicas: Carreiras do Judiciário e do Ministério Público são as mais afetadas pela limitação.
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Articulação política: A pauta acaba sendo preterida em favor de reformas econômicas consideradas "mais urgentes" pelo governo.
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Complexidade jurídica: A definição do que constitui "verba indenizatória" (que fica fora do teto) ainda gera debates acalorados entre os senadores catarinenses e seus pares.
Enquanto a proposta não entra na pauta de votação, o cidadão de Blumenau segue observando o contraste entre a realidade do setor privado e as exceções que mantêm privilégios em Brasília e nas capitais.