Justiça torna réus ex-vereador Maurício Goll e assessor por rachadinha

Justiça torna réus ex-vereador Maurício Goll e assessor por rachadinha
Foto: Maurício Goll na Câmara (divulgação)

Thursday, 05 March 2026

Investigação do Ministério Público aponta esquema de repasses salariais e coação de servidores entre 2021 e 2024 na Câmara Municipal.

O cenário político de Blumenau ganha novos desdobramentos judiciais. A Justiça recebeu, no último dia 19 de fevereiro, a denúncia que transforma o ex-vereador Maurício Goll (PSDB) e seu antigo chefe de gabinete, Robson André Wagner, em réus. Eles são acusados de articular um esquema de "rachadinha" que teria operado durante quase quatro anos no legislativo blumenauense.

A investigação conduzida pelo Ministério Público (MP) detalha que, entre 2021 e 2024, servidores lotados no gabinete de Goll eram supostamente compelidos a devolver parte de seus vencimentos. De acordo com o MP, os valores — que chegavam a R$ 1 mil mensais por assessor — eram destinados ao pagamento de fornecedores de materiais como troféus, medalhas e bolas de bocha para eventos promovidos pelo então parlamentar.

Coação e financiamento de campanha sob suspeita

O lide da acusação revela um ambiente de intimidação: assessores relataram ameaças veladas de exoneração caso os repasses não fossem efetuados. Um dos pontos mais críticos da denúncia aponta que um servidor teria sido cobrado a depositar R$ 5 mil para custear a campanha de reeleição de Goll.

Embora tenha conquistado 3.218 votos no último pleito, Maurício Goll não garantiu uma cadeira direta, figurando atualmente como suplente do PSDB. À época em que o caso se tornou público, em novembro de 2024, Goll ocupava o cargo de intendente do Distrito do Garcia, enquanto Wagner era secretário-adjunto de Obras na prefeitura de Blumenau. Ambos foram exonerados logo após o início das investigações.

O que dizem os envolvidos

A defesa de Maurício Goll manifestou-se por meio de nota, afirmando que o ex-vereador recebeu a notícia com "serenidade" e reitera sua inocência. Segundo os advogados, a idoneidade de sua conduta será provada ao longo do processo judicial, garantindo o contraditório e a ampla defesa.

Já a defesa de Robson André Wagner optou por não se manifestar até o momento. O processo segue agora para a fase de apresentação de defesas prévias e instrução probatória.


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Redação

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