Projeto quer impedir que agressores administrem bens de vítimas de violência

Tuesday, 17 March 2026
Proposta de Beto Richa altera a Lei Maria da Penha para bloquear automaticamente procurações bancárias e financeiras em casos de medidas protetivas..
O deputado federal Beto Richa (PSDB-PR) apresentou, nesta segunda-feira (16), um projeto de lei na Câmara dos Deputados que visa fechar o cerco contra a violência patrimonial. A iniciativa foca na proteção financeira de mulheres ao permitir que a Justiça suspenda, de forma imediata, qualquer poder que o agressor tenha sobre as contas bancárias, bens e decisões econômicas da vítima.
Proteção automática contra o controle financeiro
Muitas vezes, a violência doméstica em Blumenau e em todo o país se manifesta de forma silenciosa através do controle do dinheiro. O projeto de Richa estabelece que, ao conceder uma medida protetiva de urgência, o juiz deverá verificar automaticamente se a mulher assinou procurações ou mandatos que dão ao agressor o direito de movimentar seu patrimônio.
"Na prática, essa forma de violência ocorre por meio de instrumentos jurídicos válidos, como procurações, que passam a ser usados como mecanismo de controle econômico", explicou o deputado na justificativa da proposta.
Como funcionará o bloqueio de bens
Caso o projeto seja aprovado, a Justiça passará a ter ferramentas mais ágeis para proteger o bolso das vítimas:
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Presunção de risco: Se o agressor tiver poderes para administrar recursos da vítima, o risco à integridade econômica será presumido.
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Suspensão imediata: O magistrado poderá anular a validade de procurações no ato da medida protetiva.
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Consulta digital: Juízes poderão acessar bases eletrônicas de cartórios e registros para identificar rapidamente se existem documentos dando poderes ao agressor.
O combate à violência patrimonial
A Lei Maria da Penha já reconhece a violência patrimonial como uma das formas de agressão doméstica. No entanto, a nova proposta busca dar efetividade prática ao texto legal. Para o autor do projeto, a intenção é aprimorar mecanismos existentes para evitar que mulheres fiquem presas a relacionamentos abusivos por dependência ou medo de perder seus recursos financeiros.
A proposta segue agora para análise das comissões temáticas na Câmara dos Deputados antes de seguir para votação.