Júlia Zanatta lidera ofensiva contra Erika Hilton e aciona Conselho de Ética

Thursday, 19 March 2026
Deputada catarinense questiona legalidade de eleição na Comissão da Mulher e denuncia tentativa de silenciamento no Congresso Nacional.
A política catarinense ganhou novos capítulos de tensão em Brasília nesta quarta-feira (18). A deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC), nome de forte influência em Blumenau e no Vale do Itajaí, liderou uma coletiva de imprensa no Salão Verde da Câmara para anunciar medidas drásticas contra a recente eleição na Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher. O alvo central é a deputada Erika Hilton, cuja presidência no colegiado está sendo contestada judicial e regimentalmente por um grupo de parlamentares.
O movimento ocorre após uma articulação iniciada na última terça-feira (17), quando Zanatta reuniu deputadas titulares para alinhar uma postura conjunta contra o que classificam como "cerceamento do mandato feminino".
Irregularidades no processo eleitoral
Zanatta confirmou a entrega de um recurso oficial ao presidente da Câmara, Hugo Motta. O documento questiona a legitimidade do segundo escrutínio que elegeu Erika Hilton. Segundo a parlamentar catarinense, os números não batem com o rito democrático esperado para a casa:
"Foram 12 votos em branco e apenas 10 votos na candidata proclamada eleita. O segundo escrutínio foi ilegítimo. Além de não representar as mulheres, a eleição não cumpriu os trâmites", afirmou a deputada.
O embate no Conselho de Ética
Além do recurso pela anulação da eleição, Júlia Zanatta acionou o Conselho de Ética contra Hilton. O motivo principal remonta a um episódio do dia 11 de março, quando Erika Hilton teria utilizado a expressão "esgoto da sociedade" para se referir a setores com posições divergentes às dela.
Em um tom incisivo, Zanatta defendeu a dignidade das parlamentares e de suas eleitoras: "Não somos imbecis. Não somos o esgoto da sociedade. Somos o pilar das famílias e da sociedade brasileira. E não vamos admitir que tentem nos calar".
Denúncia de censura e próximos passos
A ofensiva de Zanatta também traz à tona falhas técnicas e administrativas que estariam prejudicando sua atuação parlamentar. Ela denunciou que um de seus requerimentos não foi sequer recebido pelo sistema legislativo da comissão, o que configuraria uma quebra de isonomia.
Como desdobramento, o grupo liderado pela catarinense apresentou um requerimento para a realização de uma audiência pública. O objetivo é debater o impacto da censura à liberdade de expressão de mulheres sob a ótica dos direitos constitucionais. Para a deputada, a reação será estritamente regimental, mas sem recuos: "A tentativa de tornar as mulheres invisíveis não será aceita".