Câmara sabatina secretário após queixas nos bairros

Friday, 20 March 2026
Daniel Hostin apresentou balanço e novos contratos da pasta, enquanto parlamentares cobraram agilidade nos serviços e questionaram a gestão do orçamento.
A Câmara Municipal de Blumenau recebeu nesta quinta-feira (19) o secretário municipal de Serviços Urbanos (Seurb), Daniel Hostin. Convocado para prestar esclarecimentos sobre a situação da zeladoria nos bairros da cidade — com foco em roçadas, tapa-buracos e iluminação pública — o encontro foi marcado por um longo detalhamento técnico por parte do Executivo e por questionamentos incisivos por parte dos parlamentares, refletindo as demandas diárias da população blumenauense.
Os desafios e os novos contratos da Seurb
Durante a sessão, Hostin reconheceu as dificuldades atuais na prestação de serviços, justificando que a secretaria vem operando com contratos antigos e quantitativos defasados. Ele explicou que a prefeitura assumiu recentemente a manutenção de novas áreas, como o calçadão da Prainha, a Margem Direita e 13 novas praças, sem que os contratos de roçada tivessem seus limites ampliados proporcionalmente.
O secretário argumentou que a pasta tentou implementar um modelo de licitação unificado no ano passado, mas o processo foi paralisado após apontamentos do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Diante do impasse, Hostin anunciou o cancelamento do edital antigo e a publicação imediata de novos processos licitatórios. Entre as novidades apresentadas estão o uso de tecnologias como capina elétrica e térmica, varredeiras mecanizadas e o monitoramento em tempo real dos equipamentos por câmeras e rastreadores. Sobre o polêmico carro caça-buracos, Hostin defendeu o sistema como uma ferramenta essencial de gestão, afirmando que a tecnologia aumentou a média de atendimento de três para mais de oito ruas por dia.
Cobranças no plenário e a fala do presidente
Apesar das perspectivas apresentadas, os vereadores demonstraram preocupação com o tempo de resposta da prefeitura. O autor do requerimento, vereador Adriano Pereira (PT), relatou a falta de maquinário básico, como patrolas, e sugeriu a realização de um grande mutirão para colocar a limpeza da cidade em dia, afirmando que as explicações dadas não condizem com a realidade vista nas ruas.
O tom das cobranças foi elevado durante o pronunciamento do presidente da Câmara, vereador Ito de Souza (PL). Em sua fala, Ito questionou a justificativa de limitação orçamentária apresentada pela Seurb, apontando que o orçamento da pasta sofreu reajuste, passando de cerca de R$ 11,3 milhões em 2025 para R$ 11,6 milhões em 2026. O presidente criticou a morosidade burocrática, citando a dificuldade da pasta em comprar uma peça de R$ 400 para o conserto de um caminhão-pipa e o atraso de mais de 200 dias para a formulação de novos processos licitatórios.
Bastidores políticos e denúncias
Além das questões de zeladoria, o presidente Ito utilizou a tribuna para abordar o clima político entre o Executivo e o Legislativo. Ele afirmou que alguns parlamentares têm receio de fazer cobranças mais duras aos secretários por medo de retaliações e perda de cargos comissionados.
Ito também revelou ter recebido denúncias em seu gabinete sobre suposto enriquecimento ilícito de membros ligados ao poder Executivo (sem citar nomes específicos da Seurb), mencionando compras de veículos de luxo à vista e viagens internacionais frequentes incompatíveis com os salários. O vereador prometeu levar os casos ao Ministério Público e questionou abertamente os motivos pelos quais o secretário de Serviços Urbanos possuiria uma suposta "blindagem" política dentro da gestão municipal.
Em resposta às críticas sobre a gestão e o seu cargo, Daniel Hostin afirmou que não tem apego à cadeira de secretário e que as decisões duras que vem tomando visam organizar a secretaria de forma técnica, e não política.
Próximos passos
Com a publicação do novo edital de roçada e limpeza urbana anunciada para esta semana, a expectativa do Executivo é que a situação comece a ser normalizada no início de abril, quando a nova empresa deve assumir os serviços. A Câmara, por sua vez, sinalizou que manterá a fiscalização rigorosa sobre os prazos e a execução dos novos contratos.