Aliança entre Amin e MDB: estratégia real ou ilusão?

Aliança entre Amin e MDB: estratégia real ou ilusão?
Foto: Amin no Senado (divulgação)

Tuesday, 24 March 2026

Reapreximação histórica entre ex-governador e emedebistas movimenta os bastidores e desafia a lógica eleitoral em Santa Catarina.

A política catarinense, que por cinco décadas foi regida pela eficiência da dupla Jorge Konder Bornhausen (JKB) e Esperidião Amin, vive um novo e incerto capítulo. Se no passado a união entre a engenharia política de um e o carisma de votos do outro era garantia de vitória, o cenário para 2026 desenha um desafio sem precedentes: a tentativa de Amin em atrair o MDB, seu adversário histórico, para uma mesma órbita eleitoral.

O senador Esperidião Amin, que planeja sua reeleição possivelmente em uma chapa liderada por João Rodrigues (PSD), busca agora o que muitos consideram improvável. Embora Amin sinalize já receber apoio de lideranças do MDB, a memória política de Blumenau e de todo o estado recorda que essa rivalidade de quarenta anos não se dissolve apenas por conveniência de cúpula.

O peso da história e o fator Bornhausen

A relação que moldou o estado nasceu em 1979, quando JKB nomeou Amin secretário de Transportes. O método era claro: Bornhausen articulava e Amin comunicava. Venceram juntos em 1982 e 1998. Contudo, o tempo impôs condições. Hoje, Bornhausen não possui o mesmo protagonismo operacional de outrora e Amin terá que buscar votos sem o seu principal operador estratégico.

O risco de repetir erros do passado

A história alerta para os perigos de alianças heterodoxas. Em 1985, quando Amin se uniu ao antigo rival Jaison Barreto em Florianópolis, o resultado foi uma derrota acachapante para o emedebista Edison Andrino. O episódio serve de lição para o momento atual: acordos de gabinete que não possuem sustentação na base costumam falhar nas urnas.

Para Blumenau e região, onde as estruturas partidárias são tradicionais e a militância é ativa, a narrativa dessa possível união entre PP, PSD e MDB precisará ser extremamente bem construída. Sem coerência política, a tentativa de enfrentar o favoritismo do governador Jorginho Mello (PL) pode esbarrar na mesma rejeição que marcou as experiências anteriores de "união de contrários".

O fato é que Amin entra em uma das disputas mais complexas de sua trajetória. Sem a logística de Bornhausen e tentando seduzir o MDB, o senador precisará de mais do que memória; precisará provar que essa interação não é apenas, como diz o jargão de bastidor, uma "santa ingenuidade".


>> SOBRE O AUTOR

Redação

>> COMPARTILHE