CPMI do INSS pede prisão de Lulinha e indicia 216 por esquema bilionário

CPMI do INSS pede prisão de Lulinha e indicia 216 por esquema bilionário
Foto: Imagem de arquivo de Lulinha (divulgação)

Saturday, 28 March 2026

Relatório final detalha fraudes contra aposentados e cita o filho do presidente, ex-ministro e empresários em organização criminosa.

O relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), apresentou nesta sexta-feira (27) o relatório final das investigações que abalaram Brasília e repercutem em todo o país, inclusive com forte atenção em Blumenau e no Vale do Itajaí, onde o volume de aposentados atingidos por descontos indevidos é expressivo. O documento, com mais de 4.400 páginas, pede o indiciamento de 216 pessoas e a prisão preventiva de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.

O texto detalha um esquema estruturado de fraudes no sistema previdenciário, onde entidades simulavam vínculos associativos para realizar descontos não autorizados diretamente na folha de pagamento de aposentados e pensionistas. Segundo o relator, trata-se de uma "falha sistêmica do Estado" que permitiu o desvio de cifras bilionárias.

O cerco a Lulinha e a cúpula do esquema

Um dos pontos mais sensíveis do relatório é o pedido de prisão preventiva de Fábio Luís Lula da Silva. O documento alega "indícios concretos de evasão" para a Espanha durante a Operação Sem Desconto da Polícia Federal. Lulinha é apontado como beneficiário de vantagens indevidas, como passagens aéreas de primeira classe e hospedagens de luxo na Europa, custeadas pelo operador central do esquema, Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS".

Além do filho do presidente, a lista de indiciados inclui nomes de peso:

  • Carlos Lupi: O ex-ministro da Previdência e presidente do PDT é acusado de omissão e prevaricação.

  • Daniel Vorcaro: Ex-dono do Banco Master, indiciado por movimentações financeiras suspeitas ligadas ao esquema.

  • Weverton Rocha: Senador do PDT, citado por suposto suporte político à organização criminosa.

  • Careca do INSS: Apontado como o líder e principal articulador das fraudes.

Impacto e prisões durante a CPMI

Ao longo dos sete meses de trabalho, a comissão não se limitou ao papel; quatro pessoas foram presas em flagrante durante depoimentos por mentirem ou omitirem dados cruciais, incluindo o ex-coordenador-geral do INSS, Jucimar Fonseca da Silva, e presidentes de entidades como a Conafer e a CBPA.

O relatório agora segue para o Ministério Público, que decidirá sobre o oferecimento de denúncias à Justiça. Enquanto isso, em Blumenau e região, a expectativa cresce entre as associações de defesa dos idosos, que esperam que o desfecho da CPMI resulte em mecanismos mais rígidos de fiscalização para impedir que novos descontos abusivos ocorram nos benefícios de quem trabalhou a vida toda.


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Redação

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