Avanço de Amin ameaça Carlos Bolsonaro em Santa Catarina

Monday, 06 April 2026
Pesquisa AtlasIntel acende sinal amarelo na chapa de Jorginho Mello e projeta cenário de instabilidade na disputa pela segunda vaga ao Senado.
A divulgação da recente pesquisa AtlasIntel trouxe um misto de alívio e preocupação para o Palácio catarinense. Se por um lado o governador Jorginho Mello caminha com folga rumo à reeleição, beirando os 50% de intenções de voto, os números para o Senado Federal ligaram um sinal de alerta máximo. O avanço de Esperidião Amin na disputa pela segunda vaga coloca em xeque a estratégia governista e ameaça a eleição de Carlos Bolsonaro, o "Carluxo".
Para o eleitor de Blumenau e do Vale do Itajaí, regiões historicamente decisivas no tabuleiro político estadual, o cenário ganha contornos de nacionalização. A dificuldade de Carlos Bolsonaro em consolidar a segunda vaga, mesmo com o apoio da máquina estadual e o fenômeno Carol De Toni — que lidera isolada a primeira vaga —, preocupa articuladores que temem o temperamento imprevisível do filho "02" de Jair Bolsonaro diante de uma possível derrota.
O fator Amin e o risco da "metralhadora giratória"
O ponto de tensão reside no fato de Amin, que foi preterido por Jorginho na formação da chapa oficial, aparecer agora à frente de Carlos Bolsonaro. Interlocutores do governo admitem reservadamente que, sob pressão, o perfil combativo de Carluxo pode gerar ruídos internos desnecessários, prejudicando a coesão da campanha de Jorginho Mello.
Historicamente, o comportamento do ex-vereador carioca é marcado pela imprevisibilidade. Caso sinta-se acuado pelos números, a estratégia da "metralhadora giratória" pode ser acionada, ampliando conflitos em um momento em que o governo estadual precisa de foco total para manter sua aprovação elevada.
Estratégia do "voto casado" para salvar a vaga
Para conter o avanço de Amin e garantir a eleição de Carlos, o governo estuda retomar uma estratégia clássica da política catarinense: o voto casado. A ideia é vincular diretamente a imagem de Carol De Toni à de Carlos Bolsonaro, repetindo o que Luiz Henrique da Silveira fez em 2010 para eleger Paulo Bauer ao Senado.
Naquela ocasião, a firmeza de Luiz Henrique foi decisiva para conter o crescimento da oposição. Agora, Jorginho Mello deve intensificar as conversas com Valdemar Costa Neto e Flávio Bolsonaro para calibrar o discurso. O objetivo é evitar que o projeto nacional do PL sofra um revés em Santa Catarina, estado considerado o maior reduto bolsonarista do país.
Se o sinal amarelo atual evoluirá para uma crise ou se a articulação política conseguirá estabilizar a chapa, é algo que Blumenau e o restante do estado acompanharão de perto nos próximos meses.