Derrota de Messias no Senado é sinal de alerta para Moraes e Gilmar

Derrota de Messias no Senado é sinal de alerta para Moraes e Gilmar
Foto: Messias chorando... e não é de alegria (divulgação)

Thursday, 30 April 2026

O clima para a sabatina do indicado ao STF azedou após embates entre ministros e o senador Alessandro Vieira, resultando em uma rejeição histórica no Congresso.

A política nacional viveu um dia de tensão máxima em Brasília que ecoa em todas as regiões do país, inclusive aqui no Vale do Itajaí. A rejeição de Jorge Messias para a vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) por 42 votos a 34 não foi apenas uma derrota pessoal do indicado ou do governo; foi lida nos bastidores como um recado direto e contundente aos ministros Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes.

O cenário para a sabatina de Messias, que já era delicado pela falta de apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), tornou-se insustentável após movimentos recentes dos magistrados. A investida contra o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) foi o estopim. Moraes acionou a Justiça contra Vieira às vésperas do rito, alegando que o senador o teria associado ao crime organizado. Somado a isso, Gilmar Mendes já havia provocado a PGR contra o parlamentar por abuso de autoridade, após Vieira pedir o indiciamento de membros do Supremo em uma CPI.

Para os observadores atentos de Blumenau, essa movimentação demonstra um Senado mais reativo às pressões da Corte. A percepção geral entre os parlamentares é de que Messias representaria a continuidade de uma ala estritamente alinhada ao governo, sendo visto por muitos como "mais um advogado de Lula" no tribunal, o que contaminou a análise técnica da indicação.

A articulação de Davi Alcolumbre, que trabalhou ativamente contra o nome de Messias, mostrou-se mais eficiente que a base governista. Com apenas 34 votos favoráveis — conseguindo apenas três votos além dos 31 integrantes da base oficial —, o governo Lula sofreu um revés que expõe a fragilidade de sua articulação política atual. O recado das urnas do Senado é claro: o equilíbrio de forças entre os Poderes está sob intensa renegociação, e a contagem de votos para um eventual processo de impeachment de ministros parece estar cada vez mais próxima do necessário.


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Redação

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