Operações do Gaeco acirram fogo amigo e expõem rixas no PL de Blumenau

Friday, 15 May 2026
Investigação sobre corrupção na gestão municipal provoca movimento de distanciamento entre lideranças da direita blumenauense.
As recentes operações do Gaeco que sacudiram Blumenau não estão apenas revelando uma suposta rede de crimes no primeiro escalão municipal, mas também detonando uma crise política interna no PL local. Embora as lideranças estejam unidas sob o projeto do governador Jorginho Mello, o cenário atual é de "fogo amigo" e uma clara tentativa de caciques da legenda de se desvincularem das denúncias que atingem a gestão anterior.
O ex-prefeito Mário Hildebrandt (PL) não figura como alvo direto das três operações deflagradas na última semana. Entretanto, como responsável pela nomeação dos secretários investigados, ele é a figura politicamente mais exposta. O Ministério Público identificou crimes que teriam se instalado em parte da administração, gerando uma onda de reações defensivas dentro de sua própria sigla.
Distanciamento e críticas internas
O atual prefeito, Egidio Ferrari, subiu o tom ao declarar em entrevista que uma "verdadeira organização criminosa" havia se instalado na gestão passada. O movimento chama a atenção, dado que Hildebrandt foi cabo eleitoral ativo de Ferrari, participando inclusive de ações em sinaleiras durante a campanha, em uma articulação mediada pelo próprio governador.
Outras vozes do partido também reforçaram o coro. O vereador Flavinho, ex-líder do governo, publicou vídeo mencionando a necessidade de "passar a limpo" o que chamou de "corrupção do passado". Já o deputado estadual Ivan Naatz foi mais incisivo, afirmando que o PL não possui relação com os escândalos e disparou: “se quiserem apontar o dedo para alguém, apontem para o ex-prefeito Mário Hildebrandt”. Naatz relembrou ainda que, no passado, o ex-prefeito apoiou Carlos Moisés antes de se aliar a Jorginho Mello por conveniência.
O futuro político em xeque
A disputa por território e a tentativa de apropriar-se do discurso anticorrupção — pilar fundamental do eleitorado de direita em Blumenau — trazem incertezas para as eleições de 2026. Hildebrandt, que era visto como nome forte para a Assembleia Legislativa (Alesc), agora enfrenta críticas contundentes que alimentam o discurso de adversários e colegas de partido, como o próprio Naatz e Odair Tramontin (Novo).
Em sua defesa, Mário Hildebrandt afirmou em vídeo que sempre prezou pela transparência e que chegou a determinar auditorias externas sobre irregularidades que percebeu, ressaltando que "infelizmente não tem controle sobre tudo". O ex-prefeito declarou estar à disposição da Justiça para esclarecimentos.