Gilson Marques apresenta projeto contra decretos de Lula para redes sociais

Friday, 22 May 2026
Parlamentar catarinense e a bancada do NOVO protocolaram o PDL 396/2026 na Câmara, alegando risco de censura indireta e avanço indevido sobre a liberdade de expressão.
O deputado federal Gilson Marques (NOVO-SC), representante de Blumenau e região no Congresso Nacional, protocolou nesta semana o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) nº 396/2026. A medida, assinada em conjunto com a bancada do Partido NOVO na Câmara dos Deputados, tem como objetivo suspender os efeitos de dois decretos editados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva que estabelecem novas diretrizes para o funcionamento das plataformas digitais no Brasil.
De acordo com o parlamentar, os Decretos nº 12.975 e nº 12.976 extrapolam os limites constitucionais do Poder Executivo. Marques argumenta que a imposição de regras sem a prévia aprovação do Congresso Nacional amplia o controle estatal sobre os conteúdos publicados na internet, abrindo espaço para o que classifica como censura indireta.
Entenda as regras questionadas pelo projeto
As medidas assinadas pelo Palácio do Planalto dividem-se em duas frentes principais de atuação nas redes:
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Monitoramento de conteúdo: O Decreto nº 12.975 determina que as plataformas digitais passem a adotar mecanismos próprios de monitoramento e de remoção de conteúdos considerados ilícitos, o que inclui publicações relacionadas a temas políticos.
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Participação da Secom: O Decreto nº 12.976 prevê a inclusão da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) nos debates e discussões acerca da circulação de conteúdos na internet.
Para Gilson Marques, as iniciativas representam uma tentativa do governo federal de avançar sobre a liberdade de expressão após a falta de consenso e o consequente fracasso do chamado PL das Fake News no Poder Legislativo.
“O padrão é sempre o mesmo: perdem no voto, fracassam no debate e tentam impor tudo na canetada. Sob o pretexto de proteger, extrapolam os limites da lei. E quando ninguém reage, a liberdade vai sendo cortada em fatias, até que uma hora acaba de vez”, declarou o deputado.
Críticas à fiscalização e tramitação em Brasília
Além da atuação direta da Secom, o parlamentar catarinense criticou a ampliação das atribuições da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), que, sob as novas diretrizes, passaria a atuar também na fiscalização de conteúdos no ambiente digital.
No texto que fundamenta o PDL, a bancada do NOVO sustenta que nenhum órgão de caráter estatal possui a prerrogativa de definir o que os cidadãos brasileiros podem publicar, compartilhar ou criticar nas redes sociais. O partido defende que a liberdade de expressão é uma garantia constitucional intangível e que qualquer alteração de tal natureza exige debate e votação no Congresso Nacional.
“A liberdade de expressão não pode depender da boa vontade de um governo, ainda mais de um governo que persegue quem discorda”, concluiu Marques.
O Projeto de Decreto Legislativo já foi protocolado e inicia agora a sua tramitação oficial nas comissões temáticas da Câmara dos Deputados, em Brasília.