Racha no PSD deixa João Rodrigues isolado e fortalece Jorginho

Racha no PSD deixa João Rodrigues isolado e fortalece Jorginho
Foto: Divulgação

Tuesday, 07 July 2026

Movimentações nos bastidores de Santa Catarina mostram chefes do Executivo divididos entre a fidelidade partidária e a gratidão ao governador.

O início do defeso eleitoral trouxe restrições severas para os agentes públicos e mudou o ritmo das articulações políticas em Santa Catarina. Com a Justiça Eleitoral fiscalizando de perto convênios, ordens de serviço e aparições públicas, o governador Jorginho Mello deixa de circular pelo estado liberando obras — função que passa para a vice-governadora Marilisa Boehm em sua interinidade até 5 de outubro. Nos bastidores de Blumenau e de todo o estado, no entanto, os holofotes se voltam para uma silenciosa armadilha política: a aparente sabotagem interna contra a candidatura de João Rodrigues ao governo, promovida pelos próprios prefeitos do seu partido, o PSD.

A disputa pelo eleitorado conservador catarinense tem como protagonistas o PL, de Jorginho, e o PSD. Após o pleito municipal de 2024, os pessedistas conquistaram uma posição de extrema força, assumindo cinco das dez maiores cidades do estado com Topázio Silveira Neto (Florianópolis), Orvino Dávila (São José), Vaguinho Espíndola (Criciúma), Juliana Pavan (Balneário Camboriú) e o próprio João Rodrigues em Chapecó (antes de sua renúncia).

Contudo, essa base sólida começou a ruir por dentro. Topázio, atualmente no Podemos, já migrou do tabuleiro pessedista e declarou apoio aberto a Jorginho Mello. Dos quatro prefeitos restantes sob a bandeira do PSD, três encontram-se em uma saia-justa política: Orvino, Juliana e Vaguinho declaram apoio formal a João Rodrigues, mas não economizam elogios públicos ao governador Jorginho Mello.

Essa divisão é fruto de uma estratégia cirúrgica de Jorginho Mello nos últimos meses. O governador tratou o trio de prefeitos com atenção especial e colheu declarações simpáticas. O caso mais emblemático é o de São José: com a prefeitura inviabilizada financeiramente, Orvino Dávila praticamente "sumiu do mapa" e dependeu diretamente do governo estadual para evitar o fechamento das contas. Essa dependência cobrou seu preço em moeda eleitoral.

O cenário que se desenha para os próximos três meses indica um apoio meramente de fachada, morno e por conveniência a João Rodrigues, sem a real mobilização das bases municipais. Enquanto a esquerda e o PT seguem irrelevantes no estado — administrando apenas sete municípios de pequeno e médio porte, sem nenhum grande polo econômico —, Jorginho redesenha a polarização.

Com os prefeitos do PSD divididos entre a lealdade ao partido e a gratidão real ao Centro Administrativo, João Rodrigues chega enfraquecido ao jogo. A costura de Jorginho visa isolar o rival e empurrar a disputa para um confronto direto contra Gelson Merísio (apoiado pelo PT). Em um estado de perfil essencialmente conservador, este é o cenário ideal para garantir a vantagem do atual governador.


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Redação

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