Sede própria da Câmara segue indefinida

Monday, 20 July 2026
Negociações com a prefeitura enfrentam restrições financeiras e novos impasses adiam fim do aluguel no Legislativo municipal.
O debate sobre a compra ou construção de uma sede própria para a Câmara de Vereadores de Blumenau voltou a movimentar os bastidores políticos da cidade na última semana. Apesar das sucessivas tentativas das últimas gestões do Legislativo para se livrar do custo mensal com aluguel, que gira em torno de R$ 70 mil, a concretização do projeto não deve ocorrer até o encerramento do atual mandato, estendendo-se possivelmente por toda a atual legislatura. Com as contas da prefeitura pressionadas financeiramente e a entrada no período eleitoral, as propostas remanescentes enfrentam novos entraves burocráticos e orçamentários.
O tema foi novamente levado ao plenário pelo vereador Adriano Pereira (PT), que cobrou transparência sobre o andamento dos projetos e apontou o gasto contínuo de dinheiro público em aluguel na terceira maior cidade catarinense. Em resposta, o atual presidente da Casa, Aílton de Souza, o Ito (PL), informou que uma nova proposta de negociação foi encaminhada e aguarda o parecer do Poder Executivo. O plano atual consiste na compra do prédio que hoje já abriga o Legislativo, prevendo incluir na transação o terreno adquirido anteriormente no outro lado da alameda Duque de Caxias — área outrora reservada para uma construção do zero.
Mesmo com o aval jurídico da Procuradoria da prefeitura para o modelo do negócio, a viabilidade financeira esbarra no caixa municipal. A administração municipal relata um cenário econômico restrito, onde o aporte de recursos necessários para a compra comprometeria verbas de outras áreas prioritárias do município. Embora a Câmara gere economias anuais expressivas por meio da devolução do duodécimo — superando R$ 22 milhões —, historicamente esse montante retorna ao caixa geral do Executivo para o cumprimento de obrigações gerais da cidade, não ficando carimbado para a aquisição imobiliária do Legislativo.
O histórico recente das tentativas de compra revela que a falta de consenso e o tempo político prejudicaram o avanço institucional. Anteriormente, houve desgastes e perda de prazos com a discussão travada em torno de um prédio semiabandonado no início do bairro Garcia, proposta que não unificou os parlamentares e coincidiu com um período de tensões de relacionamento entre a presidência da Casa e o prefeito. Analistas políticos e o próprio histórico do setor apontam que, para propostas dessa magnitude avançarem no município, são necessários foco unificado no início da legislatura, estabilidade política interna e consonância direta com o orçamento da prefeitura, fatores ausentes no atual cenário local.