Lula no 2º turno é certo enquanto oposição se acirra

Monday, 27 July 2026
Com calendário de convenções definido e mais da metade do eleitorado indeciso, cenário eleitoral traz reflexos diretos para o eleitor catarinense.
À medida que o calendário eleitoral avança e mobiliza os bastidores políticos em Blumenau e no estado de Santa Catarina, o desenho das eleições presidenciais de 2026 começa a ganhar contornos definidos. Com o início do período de convenções partidárias, a consolidação de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno aparece como um cenário tido como certo pelos analistas, enquanto a definição do seu adversário direto na oposição se transformou em uma disputa em aberto.
A maratona das convenções da oposição tem início neste sábado com a oficialização de Flávio Bolsonaro pelo PL. No domingo, ocorre a convenção de Ronaldo Caiado (PSD), seguida por Romeu Zema (Novo) na segunda-feira. A homologação da candidatura do atual presidente Lula (PT) está agendada para o sábado seguinte, dia 1º de agosto. Após o encerramento dos registros perante a Justiça Eleitoral, a propaganda eleitoral e a campanha ostensiva começam oficialmente no dia 16 de agosto.
Primeiro turno e o teto das pesquisas
De acordo com a média dos institutos de pesquisa, a possibilidade de liquidação do pleito ainda na primeira etapa é bastante remota. O candidato da situação, Lula da Silva, atinge um teto próximo a 40% das intenções de voto, apresentando uma taxa de rejeição superior ao seu índice de aceitação.
Fenômeno semelhante ocorre com Flávio Bolsonaro, cujos índices oscilam entre 30% e 35%, a depender do instituto de pesquisa, registrando rejeição que, em determinados levantamentos, supera a do próprio chefe do Poder Executivo. Diante desse quadro numérico, a realização de um segundo turno mostra-se inevitável.
Histórico da polarização e o novo cenário da oposição
O embate entre lulismo e bolsonarismo perdura desde 2018, quando Lula estava preso por condenações de corrupção passiva e lavagem de dinheiro proferidas por nove magistrados em três instâncias — ocasião em que Jair Bolsonaro venceu Fernando Haddad. Em 2022, o cenário se inverteu após a libertação de Lula por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), culminando na vitória do petista nas urnas.
Nas eleições deste ano, com Jair Bolsonaro detido, o filho primogênito, Flávio Bolsonaro, assumiu a representação da corrente nas urnas. Contudo, a condução da campanha liberal vem enfrentando desgastes e desarticulação interna. Divergências públicas entre o presidente da legenda, Valdemar da Costa Neto, e o coordenador-geral da campanha, senador Rogério Marinho, expõem divisões na sigla.
Além disso, Flávio Bolsonaro tem registrado episódios de oscilação em suas diretrizes, como o questionamento das urnas eletrônicas seguido de recuo após manifestação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — hoje presidido pelo ministro Nunes Marques, indicado ao STF por Jair Bolsonaro. O candidato também lida com o desgaste proveniente de menções que o associam a investigações envolvendo o empresário Daniel Vorcaro e o Banco Master.
Indefinição do eleitorado e nomes alternativos
Embora Flávio continue figurando como favorito no campo oposicionista, a desorganização interna abre margem para que nomes como Romeu Zema e Ronaldo Caiado postulem a vaga no segundo turno.
Dados do levantamento recente do instituto Quaest indicam que Lula e Flávio somam cerca de 70% das intenções entre os eleitores que já possuem voto definido. Contudo, esse grupo representa apenas 46% do total de votantes. Os 54% restantes — mais da metade do eleitorado brasileiro — afirmam que ainda não definiram seu voto. Somado a isso, mais de 50% dos entrevistados declaram desconhecer as candidaturas de Zema e Caiado, mantendo a corrida eleitoral em aberto nas próximas dez semanas de campanha.