Lula quer 40% dos votos em SC

Wednesday, 05 August 2026
Articulação envolve apoio do blumenauense Décio Lima, vaga em ministério e forte mobilização com o setor empresarial catarinense.
A busca por ampliar a presença e a votação da esquerda em solo catarinense ganhou novos contornos estratégicos para as próximas eleições. Incomodado com o desempenho registrado no segundo turno do último pleito presidencial no estado — quando obteve 30% dos votos contra 70% de Jair Bolsonaro —, o presidente Lula da Silva definiu uma meta clara: alcançar 40% da preferência do eleitorado em Santa Catarina no próximo pleito de outubro. Para liderar essa empreitada, o plano central do presidente apoia-se em dois nomes estratégicos: o blumenauense Décio Lima e o ex-deputado Gelson Merísio.
A relação com Décio Lima, atual presidente nacional do Sebrae, é antiga e consolidada. A amizade de mais de 40 anos ganhou proximidade familiar na década de 1990, quando Décio assumiu a prefeitura de Blumenau e acolheu a filha primogênita de Lula, que viveu no município por longos anos. Hoje, compadres e aliados próximos, mantêm articulação direta com Brasília. Além do papel institucional de Décio no comando de uma entidade cujo orçamento supera diversos ministérios, Lula soma agora um novo interlocutor privilegiado no cenário estadual: Gelson Merísio.
Nas eleições de 2022, Merísio já havia atuado na coordenação da campanha de Décio ao governo do estado e de Lula à presidência em Santa Catarina, abrindo mão de disputar vagas na chapa majoritária para focar na articulação. Na última semana, ambos foram chamados por Lula para a convenção do PT em São Paulo, evento que homologou a recandidatura presidencial e contou também com a presenças da candidata a vice Ângela Albino e do candidato ao Senado Afrânio Bopré, completando a representação catarinense.
Via de mão dupla e promessa de ministério
A tática desenhada para o estado funciona como uma troca mútua de capital político. Merísio busca se projetar no eleitorado impulsionado pelo prestígio de Lula, enquanto projeta transferir votos ao presidente na busca pela reeleição. A eficácia desse fluxo de apoio será determinante para o resultado das forças progressistas na região.
Como parte dessa abordagem, projeta-se o anúncio público de respaldo irrestrito por parte do presidente. O plano prevê que, caso eleito governador, Merísio indicará um ministro catarinense para uma pasta estratégica no governo federal. Na hipótese de não se eleger na disputa estadual, o próprio Merísio deve ocupar um cargo de ministro em Brasília, garantindo espaço formal para Santa Catarina na Esplanada dos Ministérios.
Reta final e estrutura de campanha
A partir do dia 16, a mobilização no estado ganha ritmo acelerado para cobrir os 50 dias de campanha. A estrutura prevê forte apoio do PT nacional, de partidos aliados de esquerda no âmbito federal e suporte do setor empresarial. Com a logística em fase final de montagem, os próximos meses indicarão se a meta dos 40% em Santa Catarina se consolidará nas urnas.