Câmara cobra atrasos em reformas e cobra gestão da Semed

Wednesday, 16 September 2026
Vereadores questionam falhas na manutenção das 140 unidades escolares, enquanto a prefeitura detalha aplicação de R$ 57,4 milhões na infraestrutura do ensino municipal.
As cobranças sobre os problemas de infraestrutura e a lentidão nos reparos das escolas da rede pública municipal deram o tom da reunião extraordinária promovida pela Comissão de Educação da Câmara de Blumenau na última terça-feira (15). Com a presença da secretária municipal de Educação, Simone Probst, e dos diretores das áreas financeira e administrativa da pasta, os parlamentares cobraram explicações sobre atrasos no cronograma de serviços e exigiram soluções para falhas históricas que afetam estudantes e professores no município.
Atrasos na manutenção e nova licitação no radar
A gestão da manutenção escolar foi o ponto mais tenso do encontro. A rede municipal blumenauense é composta por 140 educandários atendeu a estruturas próprias, alugadas e unidades de apoio, todas dependentes de uma engenharia que hoje conta com apenas três profissionais e uma empresa prestadora de serviço terceirizada.
Com contrato vigente até fevereiro de 2027, a empresa contratada vem sendo alvo de críticas por atrasar entregas previstas no planejamento e pela necessidade de refazer serviços após a reprovação da fiscalização técnica. A diretora administrativa da Semed, Silvana Grimes, confirmou que há intervenções agendadas para este mês de setembro que ainda não saíram do papel e que a prefeitura está notificando a prestadora.
Para tentar estancar as falhas estruturais — agravadas pelo desgaste elétrico e predial das instituições mais antigas de Blumenau —, a secretaria estuda fatiar a próxima licitação por áreas específicas, separando, por exemplo, o atendimento elétrico dos demais reparos.
Execução orçamentária: R$ 57,4 milhões já comprometidos
Durante a prestação de contas, a diretora financeira Ingrid Salm revelou os números da infraestrutura escolar blumenauense. Dos cerca de R$ 84 milhões que compõem a carteira total de projetos da cidade, divididos em 36 frentes de trabalho, R$ 57,4 milhões já estavam comprometidos até o dia 10 de setembro. Atualmente, apenas sete obras estão com canteiros ativos.
O balanço financeiro detalhou ainda os custos operacionais da rede municipal com:
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Ensino fundamental e educação infantil;
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Vagas conveniadas com a rede privada;
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Distribuição de uniformes e materiais escolares;
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Serviços contínuos de vigilância, limpeza e manutenção.
Vagas na educação infantil e orientações sobre o PDDE
Na gestão de vagas, a Semed apontou a existência de aproximadamente 400 vagas abertas na educação infantil municipal. Como nem todas as ofertas suprem a demanda por berçários e bebês, a secretaria informou que vai mapear a distribuição para otimizar o uso da estrutura própria, reduzindo de forma gradual a compra de vagas em creches particulares.
A secretária Simone Probst também fez um alerta sobre o uso do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE). A orientação é que as direções escolares utilizem a verba em reparos imediatos em vez de acumular saldos. Probst defendeu a maior participação das famílias nas Associações de Pais e Professores (APPs) e confirmou que a articulação comunitária fará parte do módulo de formação dos novos gestores escolares de Blumenau, programada para janeiro de 2027.
Mapeamento contínuo da infraestrutura
A manutenção predial é um gargalo antigo nas escolas da cidade, como pontuou o vereador Professor Gilson de Souza (União Brasil), presidente da Comissão de Educação.
"A manutenção é falha. E já não é de hoje, a gente vem cobrando há muito tempo", destacou o parlamentar.
Segundo a comissão, o volume de cobranças estruturais tem consumido o espaço de reuniões que deveriam focar em metas pedagógicas. Um novo encontro entre a câmara e a Semed já está sendo organizado para avaliar o desempenho educacional do município no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).