Marcos da Rosa é acusado de pagar por medalha falsa


Thursday, 09 August 2018

Portais de notícia da região já estão afunilando a gravíssima denúncia feita pelo Fantástico do último domingo que envolve, pelo menos, três vereadores da atual legislatura.

Essa história começa com uma medalha. Uma condecoração dada a alguém honesto, trabalhador e muito simpático. Até aqui, nenhum problema se não fosse um detalhe: o ganhador de tal honraria era um jumento. Um belo animal da família dos equinos também chamado de asno.

No meio da polêmica está o instituto Tiradentes, que condecorava prefeitos e vereadores como ‘os mais atuantes do Brasil’ e acabaram condecorando um jumento. A serviço da Globo.

Tudo começou quando um vereador deixou seu cargo para assumir uma secretaria de seu município. Alguns meses depois ele recebeu um e-mail do dito instituto dizendo que ele era um dos vereadores mais atuantes do Brasil e que se pagasse o valor de R$ 578 poderia levá-la. Ele achou estranho e isso estampou as manchetes da imprensa local.

Eis que chegou à Rede Globo. De forma muito inteligente, a gigante da comunicação nacional conseguiu infiltrar um repórter no instituto mineiro e fazer seu responsável admitir que ganhava dinheiro com falsas medalhas, assim como UBD pernambucano.

De acordo com o responsável pelo imbróglio os políticos pagavam de R$ 500 até R$ 1,5 mil por cursos falsos e, em troca, poderiam usar a dita premiação como alavanca política. Ele deu exemplo de pessoas de outros estados que chegaram a levar comitivas e pagar todas as estadias com dinheiro público. Ao ser desmascarado, foi sarcástico. Em rede nacional.

Para coroar a excelente reportagem veiculada no Fantástico no último domingo (05/08), o folhetim global conseguiu providenciar para que o instituto Tiradentes premiasse um jumento como um dos melhores prefeitos do Brasil. E eis que um asno premiou um jumento.

O jornalista Alexandre Gonçalves, do excelente ‘Informe Blumenau’, assistiu atentamente a matéria e, em um trabalho minucioso, levantou uma questão grave: três vereadores blumenauenses também foram premiados com a medalha da Tiradentes: Marcos da Rosa (DEM), Adriano Pereira (PT) e Ricardo Alba (PSL). Agora a questão é a legitimidade do ato.

Em matéria assinada pela jornalista Bia Bertoli para ‘O Município de Blumenau’, levantou-se também os nomes de outros parlamentares que haviam igualmente recebido tal condecoração: Jens Mantau (PSDB), Beto Tribess (MDB) e o atual prefeito Mário Hildebrandt (PSB).

Adriano Pereira chegou a afirmar para os dois veículos de comunicação supracitados que foi a Câmara quem pagou pelo dito curso (que o Fantástico afirma ser ilegal).

Na terça-feira (07/08) o vereador Jovino Cardoso (PROS) protocolou um pedido de esclarecimento em relação ao ocorrido, onde deseja entender quem foi premiado, quanto foi pago, como ocorreu o translado, a hospedagem e se foram levados acompanhantes.

O presidente da Casa, Marcos da Rosa, parabenizou Jovino – um conhecido desafeto político – e respondeu de forma rasa, afirmando que todas as respostas estão no portal transparência. Mas nem todas estão. Desviou o cerne da questão para outros cursos que não o Tiradentes, afirmando que tem meios de responder todas as questões encaminhadas via requerimento para a Mesa Diretora. Já Adriano Pereira disse o que devia e o que não devia nas redes sociais. O que não espantou.

O Ministério Público já foi acionado e não deve demorar muito para apurar as denúncias feitas pelos respeitáveis jornalistas e definir se houve ou não culpa por parte dos vereadores.

Certamente parlamentares tão distintos como um religioso, um de esquerda, um decano e um que se tornou prefeito – bem como os menos distintos, como um que parece uma marmota – devem saber responder o que ocorreu. Seja à comunidade, aos seus colegas parlamentares ou ao MP-SC.

Estranhamente a imprensa tradicional – repleta de vícios e ligações questionáveis com órgãos públicos – disse muito pouco sobre. Em plena época eleitoral esse golpe pode ser forte em algumas candidaturas, caso a denúncia proceda. Mas até agora o único prejudicado é o jumento.

Atualizado em 7 de novembro de 2018 às 11h02' baseado em informações do MP-SC.


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Ricardo Latorre

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