Quais podem ser os candidatos a prefeito em Blumenau?

Quais podem ser os candidatos a prefeito em Blumenau?
Foto: Divulgação

Friday, 17 January 2020

Com a proximidade das eleições de 2020, começam os desenhos no cenário político e nomes começam a surgir: das escolhas óbvias até os favoritos improváveis.

E mais um ano eleitoral está chegando. O terceiro ano no qual o BLUMENEWS vai acompanhar as eleições municipais. E, acima de tudo, num momento bastante atípico. A campanha (e posterior vitória) do presidente Jair Bolsonaro criou uma onda que pôde ser vista sobretudo na nossa região.

Um homem com um celular usando suas redes sociais e falando o que a maioria das pessoas gostariam de dizer desbancou candidatos tradicionais no cenário nacional (como Geraldo Alckmin), elegeu nomes até então desconhecidos para os governos estaduais (o caso do nosso governador, Carlos Moisés) e derrubou políticos tradicionalmente reeleitos (como Jean Kuhlmann) em prol de outros pouco conhecidos (como Ricardo Alba).

No entanto, o primeiro ano de governo arranhou consideravelmente a imagem do presidente, que perdeu apoiadores de peso e cujas polêmicas (às vezes desnecessárias) fomentaram críticas que ele não soube aceitar de forma produtiva.

Tudo isso contribuiu para a incerteza do cenário político de 2020. Será que o fenômeno Bolsonaro vai reproduzir o que fez em 2018? Será que algumas quebras de expectativas vão trazer outras lideranças? Ou será que tudo vai voltar a ser como era antes de um simpático capitão da Brigada de Paraquedistas ousar sonhar com a Presidência?

Ainda é muito cedo para sequer pensar em especular candidatos para 2022 e, mesmo para a eleição desse ano, a maior parte dos nomes não passa de especulação.

Deles, o mais certo é o atual prefeito, Mario Hildebrandt. Comandando uma administração comedida, com boas escolhas para o primeiro escalão e um bom número de obras, Mário tem ‘a máquina’. O que, grosso modo, significa que será dele as atribuições pela conclusão das inaugurações públicas mais recentes e será nele que as câmeras da imprensa focalizarão mais.

Ele herdou uma prefeitura bem organizada, com um caixa minimamente decente e grandes profissionais. Seu antecessor, Napoleão, soube fazer boas escolhas, mas, infelizmente, não teve a coragem necessária para fazer uma boa administração, livre das amarras de velhos políticos escondidos atrás do carisma de um novo talento eleitoral com pouca personalidade.

Até o momento – que, como dissemos, ainda é muito cedo para qualquer certeza – Mário é o nome favorito. Aparentemente honesto, acessível e consciencioso, ele tem grande apoio de muitos servidores e da ala mais conservadora, sendo um pai de família evangélico muito respeitoso e dedicado. Um perfil ótimo que tem chances enormes estando com a máquina pública na mão.

Outro nome que muito se considera é do deputado estadual Ivan Naatz. Polêmico, Naatz é um dos mais competentes advogados de Blumenau, com boa influência política, porém é mais teimoso do que inteligente. Constantemente ‘o candidato derrotado’ em eleições para o Executivo Municipal, ele compra brigas com todos e isso quase nunca o leva a lugar algum. Atualmente está brigando com Paulo Muller (DEM) – prefeito de Bombinhas que deseja limitar a entrada de pessoas na cidade – e seu desafeto está pedindo sua cassação como deputado.

Agora que está no Legislativo Estadual, talvez Naatz não seja tão burro a ponto de tentar o Executivo Municipal, onde dificilmente teria mais do que apenas visibilidade municipal, seria alvo de mais críticas e possivelmente fracassaria em outra campanha cara. Porém inteligência nunca foi o forte dele.

Por outro lado, Ricardo Alba, o deputado estadual mais votado de Santa Catarina em 2018, é outro nome tido quase como certo para disputar a majoritária blumenauense. Alba é ambicioso e suas pretensões políticas são grandes. Vereador em Blumenau, fez um excelente trabalho nos seus primeiros seis meses, mas depois desandou.

Contrariando a lógica do atleta que corre na mesma velocidade durante toda a maratona para ter fôlego na reta final, Alba deu o melhor de si logo no começo e, por fim, acabou se rendendo à saída fácil de mostrar uma questionável superioridade em detrimento aos seus colegas com desnecessários comparativos de gastos de gabinete encaminhados à imprensa. Sempre o criticamos por sua dificuldade de desenvolver seu potencial preferindo o ‘caminho mais curto’.

Ele defende as bandeiras corretas: valorização do trabalho das forças policias, redução dos gastos públicos com a manutenção de seus políticos e o reconhecimento dos mais inalienáveis valores da sociedade, porém sempre tentou impor isso de forma truculenta. O que não condiz com a postura de um bom político.

Piorando a situação, há uma camarilha de apoiadores que o sequem e tentam forçar as pessoas a aceitar sua visão das coisas. Alba não tem o controle disso, mas esse tipo de ‘apoiador’ acaba dificultando a sua aceitação. Não foram poucas as vezes em que já se usou o termo “os psicopatas do Alba” em referência a essas pessoas (muitos, inclusive, perfis falsos). Esse tipo de eleitor é o mesmo que cria um ranço coletivo pelo PT e torna Bolsonaro menos popular.

Mas, livrando-se deles e amadurecendo seus alicerces políticos, Alba tem toda a chance de se tornar um adversário ]com o qual Mário Hildebrandt deveria, sim, se preocupar. Sua votação no estado (mesmo que puxada pelo extinto fenômeno PSL) não pode ser desconsiderada.

Contudo, o nome mais citado e recitado é o de João Paulo Kleinübing. Ex-prefeito por dois mandatos, JPK é tido por muitos como o mais competente nome à frente do Executivo Municipal. Uma força política poderosa o bastante para continuar relevante mesmo após escândalos e anos longe de cargos dentro do município, ele ainda é lembrado pela maioria das pessoas como “alguém que deveria se candidatar de novo”.

O que não podemos esquecer é que João Paulo é um homem inteligente. Muito inteligente. Depois da total mudança do cenário eleitoral de 2018, não seria prudente se candidatar. Mesmo um nome como o dele. Será a primeira eleição ‘pós-Bolsonaro’ e isso torna as variáveis muito incertas. Um homem cuja reputação poderia levar ao Governo do Estado não iria (ou, pelo menos, não deveria) tentar uma jogada tão arriscada. Mas, se tentar, torna-se o favorito (por ora).

Na Câmara de Vereadores há muitos cogitando uma candidatura. A maioria, no entanto, soa piada.

Alexandre Caminha foi excepcional a frente do Procon. Um talento impressionante. Mas tem sido uma decepção como vereador. Um desastre vertiginoso. Seu lugar é certamente no Executivo, mas dificilmente no comando dele. Uma boa pessoa e um homem muito honesto, Caminha tem um perfil eminentemente técnico e não demonstra versatilidade.

Na ala tucana, Jens Mantau vai desistir de se candidatar a vereador depois de sete mandatos e pretende tentar a majoritária. Alexandre Matias afirma que o PSDB desejar cooptar Mário Hildebrandt, mas caso não consiga vai tentar lançar candidatura mesmo assim por conta do protagonismo nos últimos anos. Certamente o nome não seria Matias. Até porque este deveria estar mais preocupado em manter seu próprio mandato como vereador.

Outros nomes do Legislativo que se comenta estarem sonhando em sentar na cadeira de Hildebrandt são Marcos da Rosa (sério... não ria... é pecado... mas é engraçado também), Zeca Bombeiro (aqui pode rir à vontade, a função pública dele é nos divertir, mesmo), Sylvio Zimmermann (sucessor natural de Napoleão Bernardes, é um nome que deve ser realmente levado a sério para o cargo, se não hoje, no futuro) e Gilson de Souza (o professor que angaria cada dia mais eleitores e fãs com um trabalho sério e de competência inquestionável).

Atualmente prefeito-em-exercício, Marcelo Lanzarin também tem se destacado como um nome forte. Exercendo uma vereança muito eficiente, ele tem boa articulação política, bagagem positiva no Executivo e tem chamado a atenção durante seus dias como prefeito.

O PT é uma das siglas que mais tem sofrido na região por conta da corrupção envolvendo seus grandes representantes nacionais. O ex-deputado e ex-prefeito Décio Lima seria uma escolha lógica para o partido. Teve uma administração à frente do Executivo que até hoje lhe rende elogios, ele não exerce nenhum cargo eletivo no momento. Sua esposa Ana Paula Lima (ex-deputada) e seu genro Jefferson Forest (ex-vereador) também são nomes fortes na ala petista. O vereador Adriano Pereira é outro promissor pré-candidato sendo uma oposição coerente ao governo.

Também é importante que lembremos os nomes que correm por fora do meio político. É o caso do comandante do 10° Batalhão da Polícia Militar – Jefferson Schmidt – que tem feito um trabalho incrível combatendo a marginalia na cidade e fazendo Blumenau voltar a ser o lugar seguro que costumava ser. Jefferson é um nome constantemente lembrando pelas pessoas e citado como “alguém que poderia colocar Blumenau de novo em ordem”.

Seguindo o mesmo raciocínio está o promotor Odair Tramontin, ex-coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) e uma das pessoas mais respeitadas da cidade. Visto como uma personificação da ‘nova política’, o nome de Tramontin tem sido citado cada vez mais e ganha um número crescente de apoiadores.

Advogado, ex-diretor do Presídio Regional de Blumenau e da Praça do Cidadão, Jairo Santos é atualmente presidente estadual do PPBR, cuja pré-candidatura já é quase certa. Nome pouco conhecido no mainstream, mas cujo currículo de serviços públicos traz apenas bons resultados, Santos pode encabeçar uma campanha pequena, porém coesa. Não tão bem fundamentada quanto à de Hildebrandt, mas nem tão risível quanto a de Naatz. Funcionário público concursado nas esferas municipal, estadual e federal, ele tem bom conhecimento das demandas públicas.

Por fim, o policial Rui Godinho – um fenômeno das eleições de 2018 que pegou muita gente (com décadas de experiência) desprevenida e fez uma votação extraordinária, ele não é uma força política que deva ser esquecida. Profissional respeitado com reputação ilibada, ele tem reais chances de se tornar um concorrente de peso em 2020.

Ainda há, claro, outros nomes. Uns bons como o empresário Ericsson Luef (que fez uma boa votação na eleição para deputado federal no ano passado), o ex-reitor da Furb João Natel (cuja administração salvou uma decadente universidade e trouxe de volta o respeito que havia perdido) e o ex-secretário de Turismo Ricardo Stodieck (que elevou o patamar de ‘cidade turística’ de Blumenau de utopia a realidade). Já outros nomes são mais cômicos, como os professores Valmor Schiochet e Arnaldo Zimmermann – que, no máximo, disputam para ver quem leva o título de ‘candidato piada’ que já foi de Osni Wagner (2012) e José ‘Latinha’ Ouriques (2008) – ou até o ex-presidente da Câmara Vanderlei de Oliveira, que no máximo ganharia um prêmio de ‘maior nariz por metro quadrado’.

O importante é que as eleições estão aí e o BLUMENEWS vai acompanhar, como sempre. Será que vamos acertar o nome do novo prefeito (como das últimas vezes)? Quem sabe.


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Ricardo Latorre

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