Qual o histórico de votos dos vereadores de Blumenau?

Qual o histórico de votos dos vereadores de Blumenau?
Foto: Divulgação

Friday, 23 October 2020

Você sabe quem é o mais votado de todos? O mais antigo a disputar eleições? Quanto o seu candidato cresceu (ou encolheu) desde 2016? É interessante saber.

Para os eleitores, as eleições de 2020 são só mais uma baboseira burocrática e inútil em termos práticos que atrapalha a rotina. Para os analistas políticos, tem sido um deleite: uma experiência única tanto por conta do elevado número de candidatos, quanto pelas restrições da pandemia ou pela decepção do eleitorado com a Política, tanto a dita Nova quanto a Velha. Mas para os políticos, tem sido um inferno. Muitos concorrentes, menos dinheiros, restrições ao acesso aos eleitores e um cenário que nenhum deles já havia encarado ou estava preparado.

Aqui falaremos dos candidatos a vereador. Não dos 357. Nem daqueles com mais chances entre eles. Também não arriscaremos dizer quem se manterá em sua cadeira e quem sairá. Isso, faremos em outro momento. Hoje analisaremos a evolução da popularidade dos 15 parlamentares que temos hoje na Câmara Municipal.

Adriano Pereira (PT)

Líder comunitário na região da Velha há muito, Pereira se candidatou pela primeira vez em 2000, quando fez 502 votos. Voltou em 2004 fazendo 966 e 2008 fazendo 1.766. Foi crescendo. Elegeu-se vereador pela primeira vez em 2012, com 2.384 votos. Naquela legislatura, seu partido ainda contava com Jefferson Forest (genro do ex-prefeito Décio Lima e da candidata à Prefeitura, Ana Paula) e Vanderlei dos Santos (presidente da casa).

Coerentemente distante da ala ideológica do PT, ele desbancou seus dois colegas com mais influência, se tornando o único petista na Câmara em 2016, com 3.413 votos.

Alexandre Caminha (Solidariedade)

Caminha era uma estrela em sua área de atuação: Direito do Consumidor. Fez o melhor trabalho possível pelo Procon em Blumenau e se tornou um exemplo no estado inteiro. Não o comparamos a Celso Russomanno porque o prefeiturável de São Paulo não parece ser alguém de caráter, mas Caminha é. Candidatou-se em 2012 fazendo 1.211 votos. Não foi o bastante.

Em 2016, com 2.477 votos, entrou. Mas foi mostrando que sua votação sempre foi e Executivo e teve posturas muito questionáveis como legislador. Perdeu força. Ruiu apoios. E viu muitos de seus eleitores decepcionados. Não é candidato à reeleição esse ano.

Alexandre Matias (PSDB)

Matias surgiu de repente. Nem tão de repente assim. Quem conhece os mecanismos da política local o viram sendo construído com a mesma sutileza de um sistema de encanamentos para abastecimento de água. Fez algo raro: venceu a primeira eleição que disputou.

Com 2.887 votos em 2016, ele foi mais um representante tucano na Casa. Que alegria. Uma festa. Um churrasco. Mas esse – independente de estar bem passado, mal passado ou al dente – eu jamais aceitaria. O calouro não fez uma legislatura exemplar. Mas, afinal, é carne nova.

Almir Vieira (PP)

Almir é militar. Uma vez milico, sempre milico. Você sai da caserna, mas o coturno não sai de você. Adsumus, certo? Ele não se esforça para fingir simpatia artificial, não dá tapinha nas costas enquanto promete o impossível para agradar e é direto: isso agrada muitos eleitores.

Sua primeira eleição foi em 2008, quando fez 1.184 votos. Foi quase. Em 2012 pulou para impressionantes 4.257 votos. Um fenômeno. Mas, por conta das legendas e demais labirintos eleitorais, ficou na suplência. Foi acusado de atos pelos quais foi inocentado depois e, mesmo com essa turbulência em sua vida, mostrou que o Exército forja cascas grossas e conseguiu 2.343 votos em 2016, elegendo-se.

Seu mandato foi bem aproveitado. Seus eleitores não mostram decepção. Pelo contrário. Há correligionários de olho na sua vaga. Há. Descaradamente. Mas selva... selva é selva.

Bruno Cunha (Cidadania)

O Bruno é uma boa pessoa. Mas é teimoso. Insistiu em se candidatar em 2012. Fez uma campanha breve, mas muito bem pensada. Angariou alguns apoios interessantes, mas não pôde vencer o rolo compressor do Sistema. Fez apenas 933 votos.

Mas ele não desistiu. Ele não desiste nunca. Nem quando está errado. Então por que desistiria agora, que estava certo? Juntou-se a melhor equipe de marketing possível, uniu voluntários com as mais diferentes aptidões e atacou em todos os pontos estratégicos. Foi um fenômeno. Fez 4.829. O segundo mais votado. Até Jesus (que usavam para pedir votos a Marcos da Rosa) deve ter olhado e pensado: “uau... esse moço sabe fazer uma campanha”.

Foi, muito provavelmente, a melhor campanha política para vereador já feita na história de Blumenau. Tanto que hoje, quatro anos depois, tem candidato que não deve saber nem o significado da palavra caráter que está plagiando o que ele fez. Mas de uma forma bem torta.

Bruno teve um ótimo desempenho como legislador. Angariou a simpatia de centenas (senão milhares) de pessoas que não o conheciam o que, em tese, significa novos eleitores. Mas esses terríveis cálculos eleitorais tornam sua conquista lógica a uma cadeira na Câmara mais difícil. Ele vai precisar de um número de votos muito alto. Não é impossível. Mas basta para preocupá-lo.

Cezar Cim (PP)

Respeitado no meio do Judiciário, Cim foi eleito em sua primeira tentativa com 2.736 votos, em 2012. Ele doou seu salário para entidades de caridade. Teve projetos muito interessantes e projetos que, por serem inconstitucionais, nem pareciam vir de um jurista como ele.

Quatro anos depois, perdeu o pique. Conseguiu se reeleger, mas com 2.306 votos, perdendo mais de 400 eleitores.

Ito de Souza (PL)

Ito é vereador à moda antiga. Se a vida fosse uma sala de aula, os eleitores fossem os professores e os vereadores os alunos, Ito seria aquele que ao faltar... ninguém perceberia. Ele é engraçado. Tem um jeitão divertido. Mas não acrescenta. Não poderia ser chamado de corrupto, por exemplo. Mas também não poderia ser chamado de legislador exemplar.

Tentou sua primeira eleição em 2012, quando fez 2.094 votos. Quatro anos depois, se elegeu com 2.279. Lembro de ele me dizendo, em forma de piada: “vocês me elegeram... queimaram tanto a concorrência, que eu entrei”. Foi engraçado. Mas, se foi verdade, não me arrependo. Ele mereceu entrar. Comparado a outros colegas, ele está muito bem.

Jens Mantau (PSDB)

Se você tem 29 anos, deixa eu te contar um segredo: esse senhor disputa eleições desde antes de você nascer. Uma lenda na Câmara, deveria ter uma estátua dele. Acho seu trabalho irrelevante e pouquíssimo propositivo. Mas sua história tem grande importância para a Câmara.

O vereador que já foi até presidente da casa, disputou sua primeira eleição em 1992 fazendo 761 votos. Em 1996 fez 1.547. Em 2000, 1.602. Em 2004, 2.201. Em 2008, 3674 (sendo esse o seu auge). Em 2012 fez 3.279. E encerrou sua longa carreira em 2016 com 3.558 votos. Foi inteligente. Aposentou-se enquanto estava vencendo. Muhammad Ali e Michael Schumacher não tiveram a mesma sabedoria... e a gente sabe como ambas as histórias terminam.

Mas ele vai deixar um sucessor. Se este herdará seu eleitorado... é assunto para outro texto.

Jovino Cardoso (Solidariedade)

Você ama? Você odeia? Tanto faz. Você o conhece. Jovino é um sujeito inteligente. Não prendeu seu eleitorado a um único nicho. Trabalha que nem um cavalo (ao contrário do que seus detratores dizem) e conta com um séquito enorme de pessoas que ajudou. Não à toa, Napoleão Bernardes (que hoje, todos sabem, é oportunista) convidou para ser vice-prefeito. Metade daqueles votos eram de Jovino. Até porque o homem era o presidente da Casa naquele momento.

Candidatou-se pela primeira vez em 2000, fazendo 458 votos. Depois, em 2004, quadruplicou isso com 2.127 votos. Foi o mais votado em 2008 com 6.494 votos. Está entre os mais bem votados da história da cidade. Em 2012 foi vice prefeito e enfrentou acusações pelas quais foi absolvido. A ideia de seus detratores era desgastar sua imagem pública e destruir sua carreira. E desgastaram sua imagem pública, mas nenhum deles tem capacidade de destruir a carreira do homem. Em 2016, mesmo no meio da turbulência de polêmicas baseadas em maldade política na qual o colocaram, ele se elegeu. Foram 3.556 votos. Qualquer outro no lugar dele teria perdido toda a base (por algo do qual foi absolvido depois). Mas ele não.

Marcelo Lanzarin (Podemos)

Lanzarin é o atual presidente da casa e, quase dez anos atrás, era secretário municipal de Saúde. Lançou sua candidatura em 2012, fazendo 3.145 votos. Quatro anos depois, com um trabalho mais forte e uma comunicação melhor, fez 3.551 votos.

Como presidente é um homem íntegro, coerente com seus posicionamentos, afastado de polêmicas e mantém intacto o decoro e a decência da casa. Tem, de fato, feito um bom trabalho.

Marcos da Rosa (DEM)

Rosa foi chefe de gabinete de Jovino Cardoso. Nos corredores, contam que ele apunhalou o ex-chefe quando este virou vice-prefeito e fez campanha para que o cidadão se elegesse. Eu me abstinha de pensar sobre. Mas, depois de conhecer o lado bravinho e xiliquento de Rosa (descrito NESSA matéria) passei a acreditar.

Usando a fé dos outros como palanque, foi o vereador mais votado em 2012 com 5.588 votos. Repetindo a estratégia em 2016, voltou a ser o mais votado, com 5.571. Duas curiosidades aqui: mesmo usando ‘o santo nome de Deus em vão’ ele perdeu eleitores entre 2012 e 2016. A outra curiosidade é que, por mais que ele pareça tentar superar Jovino, ele nunca chegou nem perto dos 6.494 votos do ex-patrão. E nem vai chegar. Como dizia uma música qualquer que ouvi em uma rádio qualquer: “quem nasceu para empregado, nunca vai ser o patrão”.

E agora a igreja tem um novo nome forte: Silmara Ferreira Miguel. Ex-chefe-de-gabinete de Marcos. Nos Estados Unidos existe um termo para isso: “karma is a bitch”. Mas o karma, não a Silmara. A Silmara, inclusive, é legal. Boa sorte para ela. Vai ser uma bonita subida.

Oldemar Becker (DEM)

A gente nunca leva o Becker a sério. Ele é sempre aquele senhorzinho meio perdido, simpático e que, olhando de longe, não vai chegar a lugar nenhum. E esse é o erro. Subestimá-lo. Em 2012 fez 1.990 votos e entrou, quase por milagre. Cercou-se de uma boa equipe, ouviu os profissionais que contratou e cresceu. Cresceu muito, inclusive.

Em 2016 foram 3.083 votos. Mais do que sobrou. Apresentou bons projetos, conseguiu algumas conquistas interessantes, divulgou seu lado humanitário e se envolveu em polêmicas que vão de pegar no sono durante a sessão ao problema com o auxílio-emergencial. Mas não subestime o carisma do homem.

Professor Gilson (Patriota)

Mesmo partido do meu amigo (e candidato à Prefeitura de São Paulo) Arthur do Val (mamãefale), Gilson é o fenômeno que vem logo depois de Bruno Cunha. Candidato em 2012, fez apenas 908 votos. Muito querido pelos alunos, suas famílias e demais colegas de trabalho, se candidatou novamente em 2016 e fez 2.615. Nas ruas, o tanto que se fala dele dobrou da última eleição até agora. Seu acento na Câmara é uma certeza quase absoluta.

O que é ótimo: tem bons projetos, é honesto e mantém uma postura afrontosa respeitosa (diferente de mim).

Sylvio Zimmermann (PSDB)

Não vou mais falar que é um homem inteligente, elegante ou culto. Já falei demais isso. Vá lá, diga “oi” ao homem e perceba por si mesmo. É uma pessoa diferenciada.

Candidato em 2012, fez 2.239 votos. Não entrou. Mas se tornou presidente da Função Cultural e fez um trabalho excepcional lá. Criou um padrão difícil de manter.  Em 2016 fez 3.773 votos e entrou. Nos primeiros dois anos apresentou projetos excelentes, mas depois perdeu o gás. Contudo, nos últimos meses, parece ter recobrado a  força e voltou com toda.

Com isso, obviamente, suas chances aumentam.

Zeca Bombeiro (Solidariedade)

De longe o pior dos 15 vereadores. O número de pessoas que diz que o sujeito sequer deveria estar lá parece só crescer. Ele é o típico exemplo do mandrião... não faz nada e sabe disso. Quando as pessoas, em 2018, pediam por uma Nova Política expulsando a Velha Política, é como se elas dissessem #forazecabombeiro. É uma opinião, apenas. Mas é honesta.

Sua primeira eleição foi há 20 anos, em 2000, e ele fez 928 votos. Em 2004 conseguiu fazer 1.361. Em 2008, 3.271. Em 2012 ele chegou ao seu auge (é deve ser muito depressivo saber que seu auge já passou) fazendo 4.582. Depois, em 2016, se elegeu, mas caiu para 3.760 votos. O Zeca vai se reeleger esse ano? Difícil. Ele merece se reeleger? Minha opinião, de forma alguma. Até porque, convenhamos: estamos há 20 anos pagando o salário dele. E quais foram seus resultados (além de disputar a ‘paternidade’ de um helicóptero com mais trocentas pessoas)?

Comparativos entre as duas últimas eleições disputadas

Quando comparamos as votações dos atuais vereadores em 2012 com as de 2016, chegamos à conclusão que quem mais cresceu foi Bruno Cunha (com um crescimento de 417%), seguido por Gilson (187%) e Caminha (104). O que mais perdeu foi Almir Vieira (-44%) – até por estar respondendo por uma ação da qual, hoje, ele já está inocentado, Zeca Bombeiro (-17%) e Cezar Cim (-15%).

Rosa, que foi o mais votado em ambas as eleições, amarga uma perda de -0,3% entre elas. Jovino e Matias não entraram na conta porque não foram candidatos em 2012.

Comparativos entre o início da carreira eletiva até 2016.

Como dissemos antes, Matias estreou nas eleições de 2016. Seria injusto – e covarde – compará-lo com Jens, que estreou em 1992. Então fizemos uma média levando em consideração o ano de estréia de todos os atuais vereadores.

O que mais cresceu, nesse comparativo, foi Jovino (676%). Em 2016 o homem setuplicou seus votos. Depois dele vem Adriano Pereira (579%), seguido por Bruno Cunha (417%). Os dois únicos que perderam voto foram Cezar Cim (-15%) e Marcos da Rosa (-0,3%). Matias, uma vez mais, não entrou na lista porque 2016 foi a única eleição de sua vida.

Importante: isso não é pesquisa de intenção de voto

É um exercício interessante que todos deviam fazer: ir ao site do TRE-SC, buscar as eleições e tirar a média. É bem fácil. É só entrar em http://apps.tre-sc.jus.br/site/, escolher a opção ‘Eleições’ e buscar pelo histórico. É democrático, transparente e todo mundo deveria fazer.

  1992 1996 2000 2004 2008 2012 2016
Adriano Pereira     502 966 1.766 2.384 3.413
Alexandre Caminha           1.211 2.477
Alexandre Matias             2.887
Almir Vieira         1.184 4.257 2.343
Bruno Cunha           933 4.829
Cezar Cim           2.736 2.306
Ito de Souza           2.094 2.279
Jens Mantau 761 1.547 1.602 2.201 3.674 3.279 3.558
Jovino Cardoso     458 2.127 6.494   3.556
Marcelo Lanzarin           3.145 3.551
Marcos da Rosa           5.588 5.571
Oldemar Becker           1.990 3.082
Professor Gilson           908 2.615
Sylvio Zimmermann           2.239 3.773
Zeca Bombeiro     928 1.361 3.271 4.582 3.760

 

Crescimento desde o começo
Jovino Cardoso 676%
Adriano Pereira 579%
Bruno Cunha 417%
Jens Mantau 367%
Zeca Bombeiro 305%
Professor Gilson 187%
Alexandre Caminha 104%
Almir Vieira 97%
Sylvio Zimmermann 68%
Oldemar Becker 54%
Marcelo Lanzarin 12%
Ito de Souza 8%
Alexandre Matias  
Marcos da Rosa -0,30%
Cezar Cim -15%

 

Crescimento entre 2012 e 2016
Bruno Cunha 417%
Professor Gilson 187%
Alexandre Caminha 104%
Sylvio Zimmermann 68%
Oldemar Becker 54%
Adriano Pereira 43%
Marcelo Lanzarin 12%
Ito de Souza 8%
Jens Mantau 8%
Alexandre Matias  
Jovino Cardoso  
Marcos da Rosa -0,30%
Cezar Cim -15%
Zeca Bombeiro -17%
Almir Vieira -44%

>> SOBRE O AUTOR

Ricardo Latorre

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