Moradores defendem nova categoria para o Parque Nacional da Serra do Itajaí

Moradores defendem nova categoria para o Parque Nacional da Serra do Itajaí
Foto: Divulgação

Friday, 01 July 2022

Audiência pública em Blumenau debateu problema com falta de indenização de áreas dos agricutlores e proibições de plantio e outras atividades econômicas.

Lideranças políticas e agricultores que residem nos nove municípios onde está situado o Parque Nacional da Serra do Itajaí defenderam, na noite desta quarta-feira (29), a mudança da categoria de Unidade de Conservação de Proteção Integral para Unidade de Conservação do Uso Sustentável. Eles participaram de audiência pública promovida pelo presidente da Comissão de Turismo e Meio Ambiente da Assembleia Legislativa, deputado Ivan Naatz (PL) , no Clube Social de Caça e Tiro Garcia Jordão, em Blumenau.

Deputados, prefeitos e vereadores pretendem marcar uma audiência em Brasília para reivindicar a mudança e apresentar as manifestações de moradores prejudicados com a criação do parque. Eles decidiram também manifestar apoio ao projeto de lei do deputado federal Darci de Matos (PSD), Coordenador  do Fórum Parlamentar Catarinense (que reúne os 16 deputados federais e os 3 senadores do Estado ) que transforma o parque para categoria de floresta nacional, passando a constituir o grupo das Unidades de Uso Sustentável do Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC), permitindo a utilização da terra e dos recursos naturais do local pelos proprietários, desde que não comprometam a preservação da cobertura florestal de espécies.

O Parque Nacional da Serra do Itajaí foi criado em 2004 e é uma unidade de conservação e de proteção integral de área contínua de Mata Atlântica, com território de 57 mil hectares distribuído por nove municípios da chamada região do Vale Europeu: Blumenau, Ascurra, Apiúna, Botuverá, Gaspar, Guabiruba, Indaial, Presidente Nereu e Vidal Ramos. A unidade federal está sob gestão do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Conforme informado na audiência, desde que foi criado, somente dez propriedades foram indenizadas pelo governo (o equivalente a 600 hectares). Outras 150 aguardam as indenizações.

O presidente da Comissão de Turismo e Meio Ambiente da Alesc, deputado Ivan Naatz (PL), afirmou que desde a criação do parque os moradores dos nove municípios abrangidos sofrem com essa situação. "Uma comunidade que tem título de propriedade, tem escritura, registro de imóveis, que estão sendo expropriados de suas terras", disse Naatz. “A Polícia Ambiental e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) fazem visitas constantes nas propriedades, não permitindo reformas, ampliações, construir lagoa ou uma cerca, não podem plantar uma árvore, as pessoas estão sendo expropriadas de suas terras sem a devida indenização financeira. Não se pode  aplicar a lei sem indenizar as pessoas. É um grave problema em Santa Catarina", afirmou. 

O deputado ressaltou ainda que há outro problema: muitos dos moradores perderam o prazo de dez anos para solicitarem indenizações do governo federal pela criação do parque. "Quem não entrou na Justiça não tem direito a indenização, as pessoas não perceberam porque alguém em Brasília decidiu criar um parque, sem observar que existem centenas de famílias que residem no entorno do parque.”

Moradores prejudicados

O presidente da Associação de Moradores de Gaspar Alto, entidade que reúne mais de 600 associados, José Luís Gaspar Clerici, relatou que o parque foi instituído há quase duas décadas e somente dois moradores de seu município foram indenizados. Segundo ele, a criação da reserva prejudicou toda uma gama de produtores agrícolas e madeireiros, que faziam reflorestamento e deixaram milhares de pés de pinus e eucaliptos na área que não puderam ser utilizados.

Projeto de lei

De acordo com o texto do projeto de lei protocolado na Câmara dos Deputados, a mudança de categoria é considerada uma oportunidade para findar com os conflitos na área, uma vez que a categoria de “Floresta Nacional” permite a existência de propriedades particulares no interior da unidade, que habitam desde sua criação, desde que o uso das mesmas seja compatível com o manejo dessa unidade de conservação.


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Redação

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