Chuva de R$ 429 mil em BC transforma empresário em alvo da PF

Wednesday, 18 February 2026
Igor Paganini, do setor imobiliário, passou a ser investigado após arremessar mala do 30º andar durante operação policial na Dubai brasileira.
O que era para ser apenas um dia comum de fiscalização federal no litoral catarinense acabou em uma cena digna de cinema — e em um erro estratégico que custou caro a um empresário paranaense radicado em Santa Catarina. Igor Paganini, de 40 anos, figura conhecida no mercado imobiliário da região, conseguiu a proeza de entrar no radar da Polícia Federal (PF) justamente ao tentar se livrar de uma prova que os agentes sequer sabiam que existia.
A ironia do caso chama a atenção: a PF estava no luxuoso edifício em Balneário Camboriú para cumprir um mandado de busca contra outro morador, em uma investigação que envolve o Rioprevidência e o Banco Master. Paganini não era o alvo inicial da operação. No entanto, ao perceber a presença dos policiais no prédio, o empresário arremessou uma mala contendo R$ 429 mil em espécie pela janela do 30º andar.
Do 30º andar direto para o inquérito policial
A "manobra" não surtiu o efeito desejado. A mala caiu no prédio vizinho e foi rapidamente interceptada pelos agentes. Se antes Igor não possuía pendências diretas com a Operação Barco de Papel, o ato de jogar quase meio milhão de reais pela janela garantiu a ele um lugar de destaque nas investigações. Além do montante em cédulas, a Polícia Federal apreendeu o celular do empresário para perícia.
Natural de Guarapuava (PR), Igor Paganini mudou-se para Balneário Camboriú em 2015, onde seguiu os passos da família no setor da construção civil. Atuando na verticalização da "Dubai brasileira", o empresário costumava ostentar novos empreendimentos nas redes sociais — perfis que foram desativados logo após o incidente ganhar repercussão nacional.
Defesa alega desconhecimento dos autos
Em nota, a assessoria jurídica de Igor Paganini informou que ainda não teve acesso integral ao conteúdo da investigação e que colaborará com as autoridades no momento oportuno. Já a Construtora Paganini, empresa da família com mais de 45 anos de mercado, emitiu comunicado reforçando que não é objeto de investigação e que suas atividades seguem operando normalmente, sem vínculo com os fatos noticiados.
O caso segue sob análise da Polícia Federal, que agora busca entender a origem do dinheiro e a razão do pânico que levou o empresário a "jogar a fortuna fora" antes mesmo de ser formalmente investigado. Para os moradores de Blumenau e do Vale, que acompanham de perto o mercado imobiliário do litoral, o episódio acende um alerta sobre as operações financeiras nos arranha-céus da vizinha BC.