Violência no Brasil custa bilhões e trava o crescimento econômico

Violência no Brasil custa bilhões e trava o crescimento econômico
Foto: Homem segurando canivete (reprodução)

Saturday, 28 February 2026

Internações e afastamentos do trabalho por crimes violentos geram prejuízo bilionário que sobrecarrega os cofres públicos e o PIB.

A violência no Brasil não é apenas uma questão de segurança pública, mas um "gargalo" econômico que drena bilhões de reais todos os anos. Para o morador de Blumenau, que vive em uma das cidades mais seguras do país, o impacto pode parecer distante, mas os números mostram que o custo da criminalidade nacional reflete diretamente no bolso de todo contribuinte catarinense e na eficiência dos serviços federais.

Dados recentes revelam que cada homicídio no país pode custar cerca de R$ 3 milhões aos cofres públicos. Quando somamos os gastos com saúde, previdência e a perda de produtividade, o impacto no Produto Interno Bruto (PIB) chega a impressionantes 2,3% anualmente. É um dinheiro que deixa de ser investido em infraestrutura e educação para cobrir as cicatrizes da violência armada.

O peso invisível nos hospitais e na previdência

Um dos pontos mais críticos desse cenário são as internações hospitalares. Entre 2015 e 2024, o gasto federal apenas com vítimas de armas de fogo ultrapassou a marca de R$ 556 milhões. Isso representa uma média de R$ 56,6 milhões por ano — recursos que saem do mesmo fundo que financia o SUS em cidades como Blumenau e região.

Além do atendimento imediato, o custo se estende por meses ou anos. Vítimas que sobrevivem frequentemente necessitam de fisioterapia prolongada e auxílio-doença. Estima-se que a reabilitação de uma única vítima baleada possa custar em torno de R$ 50 mil, valor coberto pela Seguridade Social, gerando um efeito cascata que encarece o custo de vida e a carga tributária para todos os brasileiros.

Por que Blumenau precisa olhar para esses dados?

Mesmo com índices de criminalidade inferiores à média nacional, Blumenau não está imune aos reflexos macroeconômicos. A violência retira jovens do mercado de trabalho — quase metade das vítimas no Brasil tem entre 15 e 29 anos — o que gera um apagão de mão de obra qualificada e reduz o consumo global.

Especialistas indicam que, enquanto o Brasil não solucionar esses gargalos estruturais, o desenvolvimento econômico continuará operando abaixo do potencial. Para uma região industrial e tecnológica como o Vale do Itajaí, a segurança jurídica e social é o pilar que sustenta novos investimentos. Sem uma redução drástica nos custos da violência, o país seguirá pagando uma conta bilionária que atrasa o futuro de todas as cidades.


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Redação

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