Polícia Civil faz operação em Pomerode por suspeita de espionagem industrial

Wednesday, 18 March 2026
Investigação contra a Ekonova Química apura crimes de concorrência desleal e furto de fórmulas estratégicas.
A manhã desta quarta-feira, 18, foi marcada por uma intensa movimentação policial em Pomerode. A Polícia Civil do Paraná, no âmbito da operação Manus Infidelis, cumpriu mandados de busca e apreensão na sede da Ekonova Química do Brasil. A empresa é o centro de uma investigação que apura um suposto esquema de espionagem industrial, associação criminosa e violação de segredos estratégicos que teria prejudicado uma gigante do setor químico paranaense.
A ação, coordenada pela 1ª Delegacia Regional de São José dos Pinhais, não se limitou ao Vale do Itajaí. Além da sede da empresa em Pomerode, os agentes realizaram buscas nas residências de quatro investigados localizadas no litoral catarinense. O objetivo é desarticular o uso indevido de tecnologias protegidas por profissionais que teriam migrado entre as companhias levando consigo dados sigilosos.
O rastro da espionagem e o material apreendido
As investigações tiveram início após uma denúncia formal da Siderquímica, empresa com décadas de atuação nos mercados de papel, celulose e têxtil. Segundo o relato, houve indícios claros de que fórmulas químicas e informações estratégicas foram desviadas após a saída de executivos que possuíam acesso a dados confidenciais.
Durante a incursão na unidade de Pomerode, a Polícia Civil apreendeu um arsenal de provas que agora passam por perícia:
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Notebooks, CPU e aparelho celular;
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Anotações contendo fórmulas químicas restritas;
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Documentos internos da empresa denunciante;
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Amostras de produtos com o logotipo da Siderquímica.
Perícia técnica e os próximos passos
Para garantir a precisão técnica da investigação — fator crucial em crimes de propriedade industrial —, peritos da Polícia Científica acompanharam a diligência. Eles coletaram substâncias produzidas pela Ekonova para comparar quimicamente com as patentes da Siderquímica.
O material apreendido será fundamental para confirmar se houve a reprodução irregular de tecnologias e como funcionava a estrutura de associação criminosa citada no inquérito. O caso segue sob segredo de justiça parcial para o aprofundamento das análises periciais.